30 dezembro, 2011

Feliz Ano Seguinte


Parece um dia comum.
É um dia comum.
A Terra em rotação, continua em translação a correr atrás do Sol;
que mergulha para dentro da Via Láctea.
Não existe motivo para comemorar, nada a recomeçar.
Nem nova era, nem novo tempo.
O trajeto continua na mesma infindável espiral.

Soltar fogos, é como desejar bom apetite sempre antes da próxima garfada numa refeição em andamento.
É sem sentido, ou pelo menos é artificial.
Parece bom ter algo para fazer, ter algo para gostar, ter algo para desejar.
Às vezes o presente é verdadeiro, o dar que é falso.
Um documentário solto na TV ligada ao acaso.
permite experimentar uma vida emprestada.
Esqueço tudo ao redor.
Ela não tem aquilo que satisfaz, mas satisfaz aquele que a tem.
Quem empresta uma vida, paga com seu tempo.
Empréstimo sem quitação, seja ela bandida ou perdida.
Só não vale ser pacata e parada.
Onde nem o burburinho ilumina a catarse mental.
Sem sombra eu me esqueço. (mais ainda...)
Agora vem Ano Novo,
Devia chamar Ano Seguinte.
Só poderia ser novo, se tivesse forma.
Ninguém diz: Feliz Carro Novo! sem ver o carro.
Se pudesse eu queria ficar com o Ano Velho.
Tanto faz...
São apenas invenções toscas numa história de contínuo movimento sem fim.

Escoa o tempo, que quando pára, se disfarça de espaço.
No céu vejo estrelas que ainda não foram subtraídas pela fumaça dos homens.
Daqueles homens que ainda não foram subtraídos pela Guerra.
Que não para.
Nem mostra a cara.
Destino e bala.
Acorda na poeira, sem horizonte na esteira.
Sem vontade de dignidade.
Se alimenta da brutalidade.
Mente perdida, aturdida.
Não sabe o que é vida.
A realidade acontece só na TV.
A mentira, fica por conta da verdade.
A rede asséptica, conecta sem tocar.
Você sem ética, me ama sem gostar.

27 dezembro, 2011

05 dezembro, 2011

Sufoco lancinante














No almoço surpresa, não pedimos sobremesa.
Uma rápida carona,
Eu preferia fosse viagem demorada.
Uma despedida sem vontade de partida.
Um abraço.
Preferia um laço.
Um sonho, quando precisava de uma vida.
Um beijo, um desejo, um lampejo.
Uma história que dura um átimo.
Teus olhos me aquecem.
Quase esqueço ferimento que arde.
Calculo o risco de remanejar o futuro.
Temo errar, acertando.
Nossa cumplicidade não cabia naquela tarde.

05 novembro, 2011

Indulgências










Intrusos.
Porém sem estranhesas...
Corremos mais que o tempo
O futuro desprezado pelo passado.
No presente só a mente embaralhada.
Teu corpo me avilta.
Escorrego por sulcos molhados.
Meu desejo transpaçado,
Sangro em pecados aliciados.
Hemorragia nas artérias.
Onde voce milita.

23 outubro, 2011

Encontros clandestinos

Telefonema internacional vendendo fortuna fácil.
Um velho truque do mercado financeiro,
que usualmente rechaço de forma hostil.
O assédio daquela voz sensual,
sempre no momento inadequado.
Terna ela persiste,
e persevera como predador paciente.
Seduz, modula voz e atenua minha evasão.
Vamos nos tateando lentamente.
Passamos do dinheiro, para algo verdadeiro.
Empatia digital,
Platonismo virtual,
transformando espaço em tempo.
Teoria da Relatividade na rede.
Sem arrogancia,
quase sem ganancia.
Ela me cativa homeopáticamente.
Os fusos são confusos.
Sou acordado no meio do sonho,
pelo meu próprio sonho.
Tagarelamos como velhos cúmplices na vida:
os blogs, os livros, os poemas, a arte,
tudo é descoberta lúdica de pertinencia.
Hoje já virou hábito.
Quase rotina diária.
Proposta de casamento no escuro,
amigos comuns,
albuns de fotos,
transito local.
Desligo o fone,
enebriado pelo "eu" do outro lado da linha.
Um ego fora de mim.
Um flerte comigo.
Contigo,
Consigo,
Antigo,
Abrigo,
Te ligo.

16 outubro, 2011

Momento

Passando pela janela, a garôa me observa.
Aqui dentro, chove pendências.
Não fui ao médico para consulta de rotina.
Meu único mal é procrastinar a rotina.
Não arrumei os livros,
embora suspeite da existencia de cupins na estante.
Não cumpri a agenda de tarefas inúteis,
que dão a falsa impressão de utilidade.
Ainda não fiz a mala para viajar à Lua,
falta dinheiro na bagagem.

A energia elétrica voltou a circular pelo bairro.
Nem precisava...logo agora, que eu ia meditar.
Teu sorriso permeia minha memória.
Resíduos do teu corpo encharcam minhas cobertas.
O acalanto da tua voz ao telefone,
quase foi suficiente para diluir a saudade.
Sei que vamos ao cinema mais tarde,
mas eu te queria agora.
É como parar de respirar:
podemos nos conter por um tempo,
depende apenas de folego na vida.
Mas logo depois a gente precisa respirar o outro.

Em mim a ansiedade borbulha: sinto saudade no futuro.
Volto a dormir no quarto escuro.
Porque meu sonho é pensamento puro,
que jamais ultrapassa o muro.
Te encontro mais tarde,
quando eu serei outro eu,
porque este de agora, já morreu.

25 setembro, 2011

O que quero do mundo?

Permissão para ser feliz.
Lembro do JF Kennedy sugerindo o questionamento certo:
O que eu posso fazer pelo mundo?
Vomitar.
Já fiz muita coisa, OK?
Tá bom voce perguntou sobre o futuro...
Mas pra mim só existe o presente continuo.
Preciso de um mundo justo.
Minha justiça não é democrata.
Finjo querer democracia, 
Sem limitantes na liberdade.
Tropeço invasivo.
Um Gandhi digital para sete bilhões de criaturas.
Oitocentos milhões de perfis no Facebook. 
Quando enraivecido,
Melhor acariciar e seduzir, que disseminar veneno. 
Eu te amo.
Não por ti, mas pelo que me podes dar.
Preciso apenas de um coadjuvante afetuoso.
Sorriso falso, no rosto de alma verdadeira.
Para quem procurou o bispo reclamando de pedofilia,
O papa mandou rezar pai-nosso na homilia.
O dólar sobe junto com a ignorância, 
Indolência alimentada pela ganância.

19 setembro, 2011

Jaula

Conforto fugaz na jaula privada móvel,
Aliciada à fila catártica pela neblina.
A procissão em desventura turva a 'rodovida'.
Sem rumo, cumprindo destino.
Esperando o "Nibiru" dar fim a vida especulada,
Esculpida pela mídia controladora, ora descontrolada.
Plano divino de vida após a copa.
Sol que invade a sala sem autorização, instiga vida.
Junto a ele o Jornal da manhã, investiga mortes.
No intervalo vende-se felicidade sem juros, eu juro!
Tem também beleza garantida para o corpo sem cérebro.
E obrigação de ser feliz imitando publicidade de automóvel.
A todo instante um sonho de consumo compulsivo.
Um 'record' a ser superado sempre:
Quem executou o maior apropriação indevida de recursos de terceiros?
Muitos ladrões disputam arduamente com um senador isolado na liderança.
Desligo a TV para 'Te Ver',
E viver minha paz,
Mesmo sem formalidades legais da felicidade compelida.
Respiro o azul mentiroso do céu que se abate sob minha fronte,
Ilusão que esconde a escuridão onipresente do universo.
Vejo o som da planta remexendo a terra.
Ouço a imagem gritante da senilidade no espelho.
Me divirto com as possibilidades reais,
Sem ter que cumprir roteiros 'prêt-à-porter'
Minha vida flui pela reserva ambiental humana,
com muita entropia.
Sem mania,
Nem telepatia,
Amena.
Em cena,
Encena.
Concatena.

11 setembro, 2011

Observador observado


Olhe lá! click, click, click
Olhe aqui !! click, click
Olhe desta vez vai aparecer a barbatana de cauda.
Já não me empolgo mais em fotografar...fico apenas observando.
Começo suspeitar que a função observadora fica se alternando:
Ora conosco, ora com elas nos obrigando sempre a redirecionar a proa.
Uma delas mostra cautelosamente o filhote.
Cara a cara com o predador, disfarçado de turista ecologicamente correto.
Um macho a boreste exibe sua nadadeira de dorso.
Na popa um esguicho sonoro rouba a cena.
Decididamente estamos sendo observados.
No painel do sonar um tradutor de som mostraria:
Filho preste atenção nestes ansiosos bípedes mamíferos empoleirados nesses flutuadores!
Eles costumam atirar flechas de ferro em nosso dorso.
Dói e dilacera.
São minuciosamente ardilosos.
Usam extensores de olhos para disfarçadamente nos observar por dias.
Então quando você se distrai emergindo no meio de uma respirada,  
surge um dardo se entranhando alem de nossas gorduras.
Esquartejam e armazenam, com jubilo de guerreiros vencedores.
Acreditando que ingerir nossa carne,
desenvolve capacidade de viver embaixo d'água.
Coitados...
Não sabem que esta crença nao tem base científica.
Por isso, cuidado quando ficarem te rondando.
Já para baixo!

25 agosto, 2011

Cotidianos

Os cotidianos se repetem organizadamente.
Existências rotuladas pela banalidade.
Repudiando e desmoronando coisas sem importância.
Atropelados pela modernidade.
"Não Fumar", "Não estacionar", "Não isso", "Não aquilo".
Bastaria uma única placa: "Respeite as outras criaturas"
Embora a justiça sentencie treze anos,
O banqueiro contrapropõe apenas quatro.
Honestidade em liquidação.
Proposta aceita e parcelada sem juros.
Tempos de crise...
Do outro lado a Primavera Árabe,
Mostra indícios de Outono,
Sem direito a Verão.
Aqui, eu caminho sem ajuda.
Penso sem auxilio da televisão.
Falo no megafone e ouço alem do telefone.
Dos meus poros, essência se esvai em suor.
Minha insistente presença causa constrangimento.
A verdade não está na moda.
Uma multidão, sem destino, segue enriquecendo.
Para meu desatino, continuo sorrindo.
Espontaneidade não conta ponto, falta branqueamento dental.
Meu seguro de vida não garante o desejo de existir.
Falo daquela existencia além do boleto bancário.
Articulada pelo comunitário.
Sem disfarce, nem ataduras sufocando feridas.
que doem, mas acendem a pirotecnia interna e dão vida.
Paz na inquietude.
Esgotado na plenitude.
Amiudado.

10 agosto, 2011

Companhia de viagem

Seis horas de monotonia, espremido e sacolejando, na melhor das hipóteses.
Todos assentos ocupados, menos aquele ao meu lado.
Era uma versão tupiniquim da Whitney Houston.
Sorri e logo dilacera minha inquietude.
Meu sorriso exagerado revela que já fui cativado.
Mais um olhar daqueles, me faria escravizado.
A paisagem dos primeiros quilômetros faz da prosa um pretexto para o carinho.
Sem saber o nome ou sobrenome, a idade ou seriedade.
Experimentamos a textura da pele, como tateando livro em braile.
Os arfares ocupam espaço na mudez entrecortada.
Ela alerta que vai colocar silicone onde a natureza já caprichou...
Num esforço de recompostura mostra fotos do ultimo desfile.
Eu aparento me interessar pelo que ela finge me mostrar.
Anoitece, esfria e o cobertor esconde o nosso calor.
Pequenos gritos sufocados denunciam bulinações sorrateiras.
A viagem de caricia desvia rumo pela malícia.
A luz da cabine acende, e apaga nosso fogo.
Chegamos ao meu destino, apenas uma escala para ela.
Promete que liga?
Me chama que eu vou...
Tem que ter pousada.
Comida da boa.
Presente para patroa.
Ser bem comida.
Que justifique mudar de vida.
Cicatriza ferida.
Me liga.
Desliga.
Despedida.

09 agosto, 2011

Sem resposta

Não estava fora da área de cobertura.
Nem faltava de crédito telefônico.
Aquela mudez me ensurdeceu.
Era eu em 10crédito.

31 julho, 2011

Digestão cerebral

Forjando realidade com o pensamento martelando a percepção.
Pensar tinha que ser como digestão:
dura enquanto tem alimento recém mastigado.
Depois de um pensar apenas sentimento.
Sesta cerebral.
Nova fisiologia emocional.
Sem julgar ou comentar.
Pausa rudimentar.
Sem interpretar.
Descansar.
Meditar.
Parar.

24 julho, 2011

Bipo lar, doce lar

Por vezes destino remove nossa venda.
Euforia logo ofuscada por contraste com o imaginado.
A venda reutilizada no coração, quase sufoca.
Só a mente para desfazer este nó.
Usa-la para aquecer no frio.
Abrigar da garoa,
e fazer sombra no verão.
Depois vira rede para embalar corpo inteiro.
Que cansado adormece.
Balança e entorpece.

Desperto vendado.
Tateio apaixonado outra protagonista,
disfarçada de coadjuvante.
Ajuda levar vida adiante.

10 julho, 2011

Ferida

Às vezes dói mais que quando dói mesmo...
Precisa untar de carinho.
E degustar com vinho.

08 julho, 2011

Travessia

Falta abraço,
Falta laço,
Talvez um amasso.
Num coração de aço.
Temperado pela falta de lembrança.
Em descompasso.
Apressa o passo.
Estardalhaço, sem estilhaço.
Tempo concede vida em momentos e ventos.
Destempero que precipita gestos sedentos.
Carentes de vida e vontade.
Buscando existir.
Fluir, ir e vir.

01 julho, 2011

Esculitera

Pausa na conversa mesquinha,
financeira e usurpadora.
Uma presença me atropela.
Um olhar sorridente me interpela.
Se conhecemos ou reconhecemos; não importa.
Na galeria seguimos roteirizando conversa e vida.
Outra pausa no "Fóssil Celeste" da Denise Milan.
Um intercambio de ideias e telefones.
Uma janela de vontade,
No inerte e na saudade.

30 junho, 2011

20 junho, 2011

Vi...vendo

A vida não ensina;  acontece...
A gente não aprende;  sobrevive...
Às vezes adormece.
Dá carona clandestina,
para quem nos segue em devaneio.
Outras vezes se equilibra em sonho alheio.
Descarrilha no caminho do meio.
Experimenta sabedoria com receio.

06 junho, 2011

Tr@ns Mutações

A lembrança por vezes atola
e rebola, na conjunção animal.
Esfrega visceral, numa simbiose letal,
que levanta tropega do leito e sempre cai.
Patina na rotina e desola a menina,
que emerge em mulher peregrina.

Outrora escravos no ato,
viciados no olfato.
Agora libertos pelo sensato.
Elo que permanece.
Em coração que adormece, esquece...
Burla a mente e enlouquece...

30 maio, 2011

Amanhã é sendo

Hoje, não queria o dia amanhecendo.
Ainda que tivesse insônia,
todos os outros estariam dormindo.

Amanhã, só uma poesia me ressuscitaria.

22 maio, 2011

Quarentena

Expira quarentena,
Quando a vida entra em cena.
Um hiato na abstinência.
Um sopro de afeto,
que aquece corpo alheio.
Desejo aferido com hesitação.
Eterna cumplicidade num beijo,
que penetra armadura corroída.
Proximidade com carinho.
Futuro incerto.
Sedução e vinho.
Coracão aberto.

21 maio, 2011

10 casamento.

Um conservador com outro experimentador,
quando intransigentes não se combinam.
Se casar, um sufoca o outro.
E o outro desnorteia o um.

Nada no patamar pessoal, apenas um cacoete em vida.
Não suportar, ou tolerar um apego emocional?
Maldita dissidência recorrente !!
Um obriga verdades inventadas e consistentes,
outro evita promessas duvidosas.

Não adianta gostar,
nem fazer sexo simbiótico.
Um pensa que ama,
outro acredita que não ama.
A gente vai se falando...
100 constrangimentos,
100 sofrimento,
10 casamento...

11 maio, 2011

Convivência Serena

É um arranjo de concessões, sem direito a reclamações.

10 maio, 2011

Aprendendo 100 você

Ao acordar, mantenho olhos fechados até,
que o lado vazio da cama fique fora do alcance da vista.
Escovo os dentes sem olhar para sua escova ressequida.
Enxugo o rosto sem fitar a piranha roxa esquecida na pia.
Tomo banho só no box, nunca mais na banheira.
Joguei fora o imã de geladeira da nossa pizzaria.
Nunca mais como polenta, ou lentilha.
Tirei pinhão do meu cardápio.
Tua caneca joguei no fundo do armário.
Dei o teu ovo de Páscoa para uma criança de rua.
Também dei os vídeos que assistimos debaixo do cobertor,
agora higienizado para não sentir mais teu cheiro.
Cancelei o curso de vinho e a viagem para Toronto.
Distribui entre amigos todos teus presentes.
Tua foto não rasguei, mas coloquei outra no porta-retrato.
Vou sozinho ao próximo show da Maria Rita.
Removi teu travesseiro do meu leito.
Deletei teu msn, orkut, skype & facebook junto com todos teus amigos.
Apaguei nossas musicas no iPod.
Bloqueei teu usuário no meu e-mail.
Todas nossa fotos arrastadas em um só clique para a lixeira.
Quando sonho com você, chamo de pesadelo.
Fechei minha conta na floricultura.
Não bebo mais água da fonte Petrópolis.
Não peço mais fritas com alho e alecrim.

Me sinto milagrosamente quase curado:
Agora, só lembro de você, quando penso em você...

Para concluir o ritual de desapego, com total sucesso,
vou agendar duas ultimas recomendações:
o transplante do coração enamorado;
e uma derradeira psicocirurgia:  lobotomia frontal .

Sem rejeição e controlando a catatonia,
vou sobreviver muito bem sem alguém...
Obrigado!!


10 troços:
goo.gl/RwiRxgoo.gl/l4LKi, goo.gl/03Ne2, goo.gl/7xowogoo.gl/YuTh4,  
goo.gl/8KnHf, goo.gl/wOV4v, goo.gl/sTvobgoo.gl/gxjn2,  goo.gl/npMAC 

07 maio, 2011

Esperando

Espera,
ex-dela,
exala,
esmera,
quisera,
quem era.
quimera,
lacera,
manera,
sem era.
Sem ela.
Na dela,
espera.
Desespera.
Desmonta,
aponta.
Apronta,
afronta.
A hora,
demora,
enrola,
não cola.
Marola.
Má hora.
Agora.

05 maio, 2011

Esqueci de lembrar de esquecer

Se esquecer fosse possível, tudo era fácil resolver.
Mas esquecer é irrealizável e contra a natureza da mente.
Porque não se esquece o que tem vida na memória,
e virou lembrança.
Memória não se mata,  porque temos que morrer juntos.
Lembramos com saudades do que foi bom,
e com vontade de esquecer o que não gostamos.
Portanto não me peça para te esquecer.
Porque para te esquecer também desapareço.
A gente consegue subtrair da rotina,
surrupiar a presença,
acostumar com ausência.
Mas esquecer, ora tenha paciência !!!

Uma lembrança não foi feita para esquecer.
Um sentimento é invariante às transformações de amor e ódio.
Resta a nós escolher.
Esqueça de pedir para te esquecer.
Porque quem esquece, apenas lembra quando não pode.
Tenho o direito de querer lembrar sempre.
Lembrança, é continuar o convívio com o outro,
sem o direito de renovar a existência.
Lembrança é viver sozinho, com alguém.
Lembrança é plural no singular.
É cada um no seu lugar.

02 maio, 2011

Por um fio

Pego o cobertor para estancar o frio nublado.
Permeio por um fio de cabelo dela, languido e enrolado.
Já não basta memoria renitente...me perseverando.
Talvez ela tenha deixado o desgarrado de propósito.
Para me atacar de saudades,
como uma vingança retroativa.
O fio se emaranha e me tortura.
Cheira à shampoo para cabelos teimosos.
Corro para jogar água fria no rosto,
e livrar-me do pau-de-arara emocional.
Aperto sofregamente o tubo dental,
num movimento mecânico de higiene compulsiva.
Esfrego os dentes até clarear o pensamento.
Usava a escova dela, que se infiltrava na minha boca,
como um beijo espinhoso.
Um corretivo naquela que deveria ter ficado calada.
Ao invés de sufocar a amada com tanta verborreia descontrolada.
Não faltou amor, faltou silencio.

24 abril, 2011

Desvanecendo

Frio nebuloso, garoa,
Sopa, depois um sorvete.
Saudade oca.
Teu gosto me vem à boca.
Esquecendo lembrando,
vai passando.

Tempo

Tempo passa, sem trégua.
Mantendo ritmo inalterado:
quando lento, menospreza ansiedade.
quando fugidio, não repara felicidade.
Segue seu compasso avesso a qualquer cadencia.
escoando por veias continuamente inundadas.
Apressadas e cansadas.
Fico ouvindo os segundos se transformando em anos.
A bem-aventurança democraticamente espalhada no ar.
Inspire fundo, retenha o quanto puder,
seu intervalo para ser feliz.

Não querendo querer

Eu disse que não queria mais
Mas ela insistia como sempre.
Embora eu explicasse, se é que tem explicação....
Argumentasse, retrucasse, enfim me esgoelasse.
Ela sempre arrumava uma forma de me seduzir.
Parecia que eu não tinha importância.
Manda em nós o coração dela.
Eu disse que até a cartomante falou que não dava certo.
Combinações zodiacais, e nada.
Acho que no fundo eu dizia não querer,
porque eu gostava dela me querendo.
Esta era a única forma de eu saber como era querer.
Porque eu sempre não queria querer,
E querendo não querer, eu queria apenas através do querer dela.
Ao menos eu podia imaginar com seria bom viver o querer,
Querendo querer, sem querer.

19 abril, 2011

TaquiEncefalia

Arritmia emocional:
quero, NÃO quero, NÃO quero, quero,
NÃO quero, quero, quero, quero, quero,
NÃO quero, NÃO quero, quero SIM,
quero SIM, querubim...
Um mar no jardim.
É você efervescendo em mim.
Uma taquicardia sem fim.

13 abril, 2011

Dia do Beijo

Ela me convida para jantar.
Barba feita, porque a bochecha dela não suporta arranhões.
Fui pontual para não atrasar a nossa felicidade.
Ela chegou tarde, mas a culpa foi do transito.
Cabelo preso e beijo oficial. 
Tinha pressa e logo fez o seu pedido:
- Não quero mais!  Você pode respeitar ?
Surpresa com minha mudez, continua:
- Tenho certeza que podemos ser bons amigos !!! 
Ganhei um despejo no dia que esperava um beijo.
Eu nunca gostei deste momento na relação.
A liberdade me aprisiona no labirinto da ausência de submissão.

Agora podia flertar livremente com a garçonete disponível.
Podia aceitar convites femininos para sair ou ficar.
Podia desistir da felicidade dela.
Podia ser ateu espiritualizado.
Podia assistir qualquer filme.
Podia dirigir como sempre, rápido e tenso.
Podia poder.
Podia querer.
Podia ser solitário.
Podia ser, sem ter horário.
Era REI !!
Podia tudo. Sem limites.
Só uma coisa não podia:
Fazer amor com quem eu queria!
Minúscula restrição,
para tanta emoção.

11 abril, 2011

Festa de família

O cinema programado ficou para outro dia.
Fomos à festa da família dela.
Queria sair logo ao entrar...
Mas fui ficando...fui sentando...fui sorrindo.
Chamei minha sogra de "mãe˜.
Dei conselho médico para a tia Gertrude.
Ouvi, sem reagir, opinião politica do irmão comunista.
Servi meu sogro repetidas vezes, num sorrateiro coluio de machos.
Vibrei com futebol na TV e até torci para o time da maioria.
Repeti o bacalhau que pensei não gostar.

Já era noite, quando ofereci carona ao primo.
Junto com ele aparecerem três filhos ,
Gritando endiabrados no banco de trás.
Tive vontade de ser pai novamente.
Pegamos estrada, e fomos poupados do  pedágio,
por uma placa sinalizando Vila dos Genéricos a 500m.

No caminho de volta, sozinhos no carro,
Ela me orienta e eu dirijo.
Mãos entrelaçadas como convêm a um casal enamorado.
Paro no semáforo fechado e, com saudades,  pergunto:
Podemos voltar para festa e tomar mais um café?
Estava loucamente apaixonado pela Gertrude.

08 abril, 2011

AMINEUZA

Não sei quantas vezes já havia seduzido aquela mulher.
Não que não tivesse sucesso, ao contrário sempre acabávamos na cama.
Mas no dia seguinte o usual olhar intrigado e a resposta desconcertante:
Desculpe, acho que não te conheço. Como você sabe meu nome?
Isto tem perdurado por semanas...
um reset mental diário após o sono noturno...
Enquanto a minha paixão evolui crescendo em quatro dimensões,
o interesse dela nunca passa do impacto do primeiro encontro.

Mas hoje vai ser diferente.
Durante o jantar tomamos um suco amargo de Cranberry no lugar do usual vinho,
onde sorrateiramente no copo dela misturei um fármaco-estimulante.
Na cama a transa pareceu mais frenética,
dando indícios da competência do química do acorda Maria Bonita.
Depois de muita sexo, já exaustos e satisfeitos, enveredamos por uma interminável conversa de DR que foi avançando madrugada adentro. Nosso leito foi visitado por ex-maridos, ex-mulheres, ex-namorados, pais, trabalho, infância, esquisitices, histórias, desconhecidos, amigos,....
Minha fala foi ficando lenta, meu pensamento desarticulado, o som mais baixo...Êpa!! lembrei que não tinha colocado nem um pouco no meu copo....Zzzzzzzzzz

Acordei com o barulho do chuveiro elétrico.
Levantando em zigz-zag entro no banheiro.
Ela me olha sem o espanto tridimensional e diz:
- Finalmente voce acordou!! Que sono pesado hein? Passei a noite toda tentando te acordar!
- AMINEUZA !!! Meu amor!!
- Como você sabe meu nome?!?!?!

27 março, 2011

enSiMESMadO

Me espanta esta manada humana.
Sentada indolente e afoita no carrossel sideral.
Um conglomerado de proteínas organizadas e retorcidas.
Perseverantes em criar sentido para uma vida enlouquecida,
e tonta de tanto rodopiar, sem parar.

Nesta busca desmedida de entendimento,
daquilo que é só pensamento.
Penso sobre o que penso,
Valendo me do encéfalo, que penso que pensa.

Preciso dispensar este pensamento,
"despensar" este momento.
Percorrer um mantra meditativo.
Entoando sóbrio, sem pesar e vegetativo.

14 março, 2011

Escombros

Minha leitura segue lenta, em Seis Passos.
Copo d'agua na cabeceira para irrigar os sonhos,
Óleo relaxante para massagear o ego,
escova de dente, sem tua boca para beijar.
desodorante feminino.
E na pia do banheiro,
piranha de cabelo que não morde,
mas abocanha com saudade.
No ar, uma teimosa veneração pela vivencia solitária.
Na mesa, um envelope intacto com minhas entrevistas.
Na conversa, uma proposta:
de-morar juntos...
Sem resposta.
Uma relação sem planos,
mesmo assim perdura anos. 

10 março, 2011

Compartilhando

Vida que vai me esculpindo em cada encontro.
E cada conversa vai tingindo colorido com palavras.
Fatos que me experimentam como cobaia desprotegida.
Emoções que desconstroem meu arcabouço cartesiano.
E confundem o futuro que me norteia.
Espalho minha alma em cerebro alheio.
A cada semeada,
sou menos em mim, e mais nos outros.

Uma simbiose sem fim.
Sem crepúsculo para meditar.
Só alegria e tristeza para compartilhar.

02 março, 2011

Engodos Matinais

Me deparo com minha versão levógera no espelho do banheiro.
De perto, desperto sem saber que dia é hoje.
Na pia, um gesto singelo: a escova de dentes já abastecida.
Com certeza ela quer me agradar...
Procuro-a em vão.
Encontro apenas um doce aroma perfumado,
que entremeia a cartesiana monotonia dos azulejos brancos,
enfileirados lado a lado, suportando o teto embolorado.
Reconheco tudo, menos em que dia estou.
Parece segunda-feira pela manhã, com cara de sexta-feira à tarde.
Da cozinha, uma voz de familiar me surpreende:
- Amor!! vamos logo que hoje é quarta-feira, é meu rodízio,
e já deixei tudo pronto, para voce não me atrasar...

25 fevereiro, 2011

Pequena Morena

Imerso na penumbra em desvalia,
onde nada poderia me iluminar.
Um olhar meigo, contundente,  atravessa a sala,
e me designa com saraivada tracejante.
Sua colant ressalta forma em pele morena
Classe com vivacidade, quieta sem timidez,
inteligente,  comedida,  chique sem sofisticação.
Senhora do seu eu, e de muitos outros destinos.
Uma vigor intenso sem fatalidade.
Juntos, percorremos dois pequenos quarteirões,
No meu anseio, o desejo de uma estrada para vida inteira.
Aquelas pernas roliças e reluzentes.
Me incitam, instigam tegumentar .
Enfim me ressuscita, sem hesitação.

22 fevereiro, 2011

Sacerdotisa

Despertei antes de acordar.
Estava completamente enfelicidado.
Sono entorpecido pela noite de paz,
Antecedida por séculos de guerra.
Água na banheira mescla nossos corpos.
Café com leite.
Que parte minha tateio em você? Nunca sei.
Deite.
Olhares de cumplicidade e descompromisso,
Percorrem um interminável domingo de férias.
Nas veredas do teu dorso,
um destino sem chegada.
Nos meus braços tua vontade.
Na tua boca um afago.
Um carinho.
Um jorro indômito.
Deixa vestígios de felicidade clandestina.

Voa pássaro rebelde à espreita do amor divino.
Ultrapassando atmosfera,
em metamorfose compulsória.
Sufoca, e se desespera.

Amar sem culpa, nem multa.
Sem medo.
Sem apego.
Urgente.
Num átimo de segundo.
Numa ode complacente.

Teimosia insiste em não querer.
Persistência arriscando a vida, até morrer.

21 fevereiro, 2011

Incidente

As carícias são roubadas.
O sexo é sagrado.
Na pele,  carinho incrustado.
Às vezes amar é leviano.
Coisa de otário.
Um pensamento solitário,
Sem culpa e sem horário.

Afeto

Ninguém se afasta por decreto.
A gente só se vai por desafeto.

13 fevereiro, 2011

Ilhabela

Racionalmente feliz.
Encaro a decisão, com mudez e convicção.
Submetido ao desapego em solidão.
Piso firme em solo pastoso.
Deixando pegada profunda.
Me descubro passageiro compulsório,
em minha própria viagem.
Inexplicável entendimento sem ensinamento.
Olhar de moleque travesso.
Sem nariz escorrendo,
Sem medo espremendo.
Arremessado na areia a cada onda reptada.
Fugindo da sereia, que me espera mergulhada em teia.
Encharca pulmão e veia.

11 fevereiro, 2011

Fila da escassez

A mãe adoeceu por escassez de afeto,
que o filho não dá.
O filho enlouqueceu pela falta da amante.
que não o quer mais.
Amante espera isso de outro alguem,
que não quer ninguem.
Mas namora a Maria do Ramalho,
e se diverte pulando de galho em galho.  

31 janeiro, 2011

Angústias Impensáveis

Chego às 15:00hs conforme combinado.
Aterriso na poltrona aconchegante.
Nem isso entorpece meu desamparo latente.
Vou falando sem parar,
sobre sentimentos cartesianos,
Imersos em tecido organicos.
A Personal-emotional Trainer sugere alongamento,
para mente sem alento.
Aquecimento.
Esquecimento.
- um, dois e tres!!
aumentar massa de vínculos!
- um, dois e tres!!
reduzir as gorduras de ansiedade!
- um, dois e tres!!
tudo dilacerado nas ruínas do meu ser.
16:00hs paramos e continuo raquítico,
com coração paralítico.

29 janeiro, 2011

Nuances

Na cama alegria.
No cotidiano alergia.
Nas crenças dicotomia.
Vida que ia.
Busca que tudo esvazia.

Cansei

Cansei da tua labilidade,
Descabida na melhor idade.
Cansei dos teus caprichos,
Agora prefiro bichos.
Cansei dos teus problemas,
Fico livre com algemas.
Cansei da descrença em nossa crença.
Cansei.
Combalido, amei.
Me dei...
Tambem te cansei.

(Bem X Mal) me quer

Um abismo nos separa:
Ora descompromisso.
Ora seu não querer,
Ora sede de viver,
Ora outrem,
Ora ninguem,
Ora falta de vintem,
Ora isso,
Ora aquilo,
Iô-Iô emocional,
na vertiginosa cratera abissal.
Sobe e desce.
Entra e sai.
Nunca anoitece,
E tambem não amanhece.

Mudança

Ninguem separa o que não está adjacente.
Só mudamos para um lugar diferente,
aquilo que fica do mesmo jeito:
longe da gente...

(Rela X Separa) ação

Durante a relação:
quanto tem de verdadeiro na mentira contada.
Na separação:
quanto de mentira tem na razão apresentada.

14 janeiro, 2011

Vida 100 rrrrisco

Desaba terra.
Natureza em guerra.
Homem se ferra.
Diluído em desespero
Resta lama,
e talvez 5 minutos de fama,
No jornal ou notícia na TV,
Fala contigo sem te ver.
Eu?
Continuo alienado, parado.
Catárticamente parado.
Descontaminado.
Vida sem desabamento,
Sem alento,
Sem estória, nem tragédia.
Uma vida sem memória.
Inodora, incolor.
Vazia de sabor.

13 janeiro, 2011

Zeitgeist Moving Forward



Estréia dia 20 de janeiro 2011. (divulgue!!)

01 janeiro, 2011

Andarilho eXistencial

Tantos caminhos, e trilhei este aqui.
Esburacado e tortuoso, porem reto.
As margens sempre cercadas,
nos faz desejar o proibido espaço alheio.
Não pela beleza percebida,
mas pela impressão de intangível.
Um sopro magnífico esfria minha fronte.
Traz poeira e não me importuna.
É como passear parado,
sem esforço, permear dimensões,
caminhando no tempo.
Quero ter uma falsa sensação de vida.
Ser verdadeiro cansa.
Enfadonha os transeuntes...
Acabou meu tempo.
Chegou sua vez de jogar.
De novo começa.
Daqui a pouco termina.