29 abril, 2006

Desencontro Marcado (*)

Chego na hora marcada no escritório do advogado.
A assistente automaticamente me encaminha para sala de espera.
Uma revista e duas cadeiras distraem e confortam clientes,
como aquela mulher de presença marcante,
folheando mecanicamente uma revista com noticias vencidas.
Entreolhamos-nos durante um rápido cumprimento.
Embora o rosto recorde uma paixão de adolescência,
a resposta protocolar mostra indiferença a minha chegada.


A advogada avisa que chegou minha vez.
A mulher também se encaminha para a sala de reunião,
onde embora juntos, estamos separados por mundos diferentes.

Durante a coreografia oficial, a conversa é truncada pela escrivã,
que insiste na leitura de maneira inequívoca e quase monossilábica.
No ar apenas o monótono som das palavras escritas, digitadas e conferidas.

Somos dispensados da torturante revisão da verificação documental.

Descendo no elevador, novamente sujeitos ao hiato sonoro desconcertante,
durante a viagem espacialmente curta e temporalmente longa.
Hesito, mas tento uma conversa sem palavras e não correspondida.
De súbito digo que gostaria de conhecê-la melhor,
enquanto entrego meu cartão de visitas.
Ela balança a cabeça sem entusiasmo se afastando do meu pedido.
E sem hesitar, segue o seu destino me abandonando desarticulado.

Não sei por que ela continua me recordando alguém.

.............................................................

Agora, longe do meu alcance, avaliando o trejeito percebo quem era!
Já fomos casados, tivemos filhos e nos separamos buscando ser feliz.

Hoje, com alguma maturidade, sei que:
Felicidade não existe.
O que às vezes aparece é:
Oportunidade para “ser feliz sem saber”.
Opção que às vezes descartamos por orgulho, estupidez,
ou quando o predominante cotidiano invade,
mescla e conduz nossa vontade.
Dissipando o “importante” e consolidando o “urgente”.

Ao fim de tudo não passamos de uma seqüência de tentativas de tentar ser,
aquilo que imaginamos querer ser.

(*)in≠

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15 abril, 2006

O Estrangeiro

Com tanto sol na alma, como pude apostar no absurdo?

[Albert Camus 1913-1960]
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Discernimento Antropológico

Ainda que alguém sinalize o caminho a seguir,
não se impõe caminho a ser trilhado.

Nada dirige o explorador alem do seu ímpeto pessoal curioso e sua vontade própria.

Se a descoberta não lhe agrada, ele não poderá responsabilizar outrem.

Ninguém respira por você.
Democratize seu oxigênio, sem compartilhar o pulmão tuberculoso.
Respire, sem contaminar o entorno.

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01 abril, 2006

REcuperação NATA

Só dou conta quando percebo,
que o joelho não e' foco de preocupação.
Fazer fisioterapia era mandado do coração,
planejando futuro com sabor inebriante de presente.

Não fiz sequer uma sessão de hidroterapia.
Apenas descobri o brilhante olhar da hidroterapeuta.

Um olhar, um bom dia...
De repente um encontro casual e matematicamente improvável,
quebra todo meu ceticismo, e me transforma num moleque feliz.
A linguagem verbal hesitante denuncia o interesse.
Ser tudo num só instante.
Minhas defesas são inúteis...

A linguagem corporal apenas corrobora a verbal.
Uma vontade avassaladora de tocá-la me deixa ridiculamente exposto e desprotegido.
Mas o olhar fixo confessa interesse que transcende o instinto.

O joelho!?
Creio que melhorou...
Mas espero que necessite de mais fisioterapia,
só para manter o coração saudável.

[mlfb]
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posted by mlbelem at 14:21 1 comments