30 dezembro, 2011

Feliz Ano Seguinte


Parece um dia comum.
É um dia comum.
A Terra em rotação, continua em translação a correr atrás do Sol;
que mergulha para dentro da Via Láctea.
Não existe motivo para comemorar, nada a recomeçar.
Nem nova era, nem novo tempo.
O trajeto continua na mesma infindável espiral.

Soltar fogos, é como desejar bom apetite sempre antes da próxima garfada numa refeição em andamento.
É sem sentido, ou pelo menos é artificial.
Parece bom ter algo para fazer, ter algo para gostar, ter algo para desejar.
Às vezes o presente é verdadeiro, o dar que é falso.
Um documentário solto na TV ligada ao acaso.
permite experimentar uma vida emprestada.
Esqueço tudo ao redor.
Ela não tem aquilo que satisfaz, mas satisfaz aquele que a tem.
Quem empresta uma vida, paga com seu tempo.
Empréstimo sem quitação, seja ela bandida ou perdida.
Só não vale ser pacata e parada.
Onde nem o burburinho ilumina a catarse mental.
Sem sombra eu me esqueço. (mais ainda...)
Agora vem Ano Novo,
Devia chamar Ano Seguinte.
Só poderia ser novo, se tivesse forma.
Ninguém diz: Feliz Carro Novo! sem ver o carro.
Se pudesse eu queria ficar com o Ano Velho.
Tanto faz...
São apenas invenções toscas numa história de contínuo movimento sem fim.

Escoa o tempo, que quando pára, se disfarça de espaço.
No céu vejo estrelas que ainda não foram subtraídas pela fumaça dos homens.
Daqueles homens que ainda não foram subtraídos pela Guerra.
Que não para.
Nem mostra a cara.
Destino e bala.
Acorda na poeira, sem horizonte na esteira.
Sem vontade de dignidade.
Se alimenta da brutalidade.
Mente perdida, aturdida.
Não sabe o que é vida.
A realidade acontece só na TV.
A mentira, fica por conta da verdade.
A rede asséptica, conecta sem tocar.
Você sem ética, me ama sem gostar.
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27 dezembro, 2011

Subatomic world | Visual.ly

Link: http://visual.ly/subatomic-world (sent via Shareaholic)

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05 dezembro, 2011

Sufoco lancinante














No almoço surpresa, não pedimos sobremesa.
Uma rápida carona,
Eu preferia fosse viagem demorada.
Uma despedida sem vontade de partida.
Um abraço.
Preferia um laço.
Um sonho, quando precisava de uma vida.
Um beijo, um desejo, um lampejo.
Uma história que dura um átimo.
Teus olhos me aquecem.
Quase esqueço ferimento que arde.
Calculo o risco de remanejar o futuro.
Temo errar, acertando.
Nossa cumplicidade não cabia naquela tarde.
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