07 junho, 2020

Despedida

Quando a melancolia é única esperança,
sonolência é sinal de vitalidade,
Sobrevivência é rotina.
O estado não governa e só brinca no picadeiro.

Pessoas entorpecidas de corantes, aromatizantes, 
conservantes ou conservadores.
Anarquistas disfarçados de ativistas.
Ativista dissimulados de politizados.
A única coisa que resta é polarização.
Chicote na população,
Bolinação sem sexo,
Sexo sem amor,
Amor sem calor,
Ardor sem frescor,
Frescor sem valor,
Tudo desamor.

Alguns morrem de fome.
Outros de excesso de alimento entupindo as veias.
Enquanto alguns morrem com vírus
Outros morrem em vida, 
viralizando uma catarse perene.

Depois de toda jornada, 
sobra apenas a carcaça em descompasso, descontrolado.
No leito, descansa entubada a sobrevivente retorcida pela vida,
que teima em continuar por um suspiro.
Mas segue feliz, por não ter mais a obrigação de viver o amanhã,
e confiscar a atenção dos afogados na insensatez.
Nós, que equivocadamente continuamos inertes, esperamos nossa vez.
.
Um pouco de sanidade, sempre nas lembranças. 
Amor nos tempos da pandemia.

O Sistema mantém o contemporâneo desprezo pelo humano, 
a meritocracia pelo desumano.
A mão que açoita forte durante a vida,
quer acalentar sem piedade no momento da morte,
apenas para aplacar a culpa de quem continua vivendo.
Um derradeiro Golpe de Mestre.
Sem compaixão de acomodar na UTI.
Na caminhada final tratamento VIP com morfina,
sem desconforto. 
(de quem?)
Um suspiro. 

Um aborto de quem já estava morto.

Pax

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