31 agosto, 2012

ATrOPhELAÇÃO

Qualquer fingimento já é um fragmento de amor que vale a pena. 
Só finge quem ama alguém, ou a si mesmo. 
Conta ponto, no programa de milhagem da vida. 

Os ligamentos estirados me tornam ainda mais inflexivel. 
Tento correr mas vacilo, e quase um atropelamento acontece. 
Sem desculpas a motorista arruma os cabelos para tras das orelhas (bom sinal). 
O diagnóstico é feito com rapidez de especialista. 
Veloz como um guepardo, ela também indica terapia: massagem! 
Massagem? Só se for tântrica, penso sem esboçar sorriso. 
Mora perto e pode fazer na casa dela mesmo. 
Meu delirio ou a habilitação da moça estava vencida?
Piorei em segundos, para não parecer presa fácil e necessitada. 

No elevador, um vizinho nos olha, incomodado pelo silencio ensurdecedor. 
A massagem do tornozelo deriva para outros membros. 
Aceito um mimo, ofertado com lábios agradecidos pela "não" ocorrência policial. 
O porteiro me deixa sair, embora com desconfiança nordestina. 
Esboça uma pergunta, contida pelo meu olhar de reprovação. 

Deslizo quase levitando pelo quarteirão. 
Logo tenho que atravessar novamente. 
Espero o carro se aproximar com intenção de repetir tudo de novo. 
(Como se tivesse fôlego!) 
Desta vez doeu. Ele não parou! Tive que morrer ali mesmo.

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