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27 novembro, 2020

Madrugada








Prefiro meu corpo contorcido em convulsão, 

minha mente apavorada, boca retorcida, 

pele em carne viva e alma excomungada,

à fantasia de imaginar:


Os caminhos e descaminhos das tuas entranhas, 

percorridos por outras mãos,

Teus prazeres insuflados por outras bocas,

Tua alegria infiltrada por outro alguém, 

Um esbaforir de felicidade clandestina sem mim.


Que medos profundos me açoitam,

Que olhares roubam o meu viver

Que preces alimentam a minha fé

Você sem eu…


E ainda nem amanheceu...

20 novembro, 2020

Tes0uros Profundos


Um salto inadivertido 

Um mergulho em minhas profundas aguas turvas

Faço contato

Parece um baú cheio de falsos tesouros:

Um colar cheio de insegurança,

Um relógio com medo de frustração,

Um spray contra rejeição,

Uma pulseira com pavor de manipulação.


Mais no fundo vislumbro uma sereia 

fazendo anoitecer nos abissais.

e apressando o contato

no ato

sofrer para fortalecer

amar para viver

meu nucleo está trincado, 

adulterado,

remendado. 

Agora são apenas cicatrizes


Volto a tona e me livro do baú.

mergulho revelador

exorcismo atroz

Me liberta e me guia

Para além da hesitação.

Inquietude aplacada,

Falta de coragem afogada.



13 novembro, 2020

Chegada da Partida








Desperto estraçalhado. Faltando um pedaço...

Era você que já havia se levantado para viver.

Fico amedrontado,

Mas prevalece a coragem dos que não tem nada a perder.

Saio alquebrado, e sem destino,

Com dor e desatino.

Temendo amar tanto assim.

Fica um beijo confiscado em lábios selados.

Um abraço solto.

Um amor de perdição.

Um desarranjo sem muro,

Sem perspectiva no meu futuro.

Viceras expostas.

Morte em vida,

Minha alma banida.

15 outubro, 2020

Após sentado







Outrora eu sonhava...

Agora todos os dias são marasmo.

Cheio de notícias repetidas, 

e antigos protagonistas.

Mesclados na cadência de um eterno desajuste.

O mundo em catarse pandêmica me contamina.

Marte, parado me espera, enquanto ela se afasta

E se despede injuriada.

Sem consenso, sem lenço.

Isolamento social.

Agora distanciamento emocional.

Sem abraço, com orgulho, sem complacência.

O trem está partindo...também o meu coração.

Sai em busca de alento para nutrir os buracos da alma.

Sem futuro, em cima do muro,

Em catarse, eu coágulo...


07 junho, 2020

Despedida

Quando a melancolia é única esperança,
sonolência é sinal de vitalidade,
Sobrevivência é rotina.
O estado não governa e só brinca no picadeiro.

Pessoas entorpecidas de corantes, aromatizantes, 
conservantes ou conservadores.
Anarquistas disfarçados de ativistas.
Ativista dissimulados de politizados.
A única coisa que resta é polarização.
Chicote na população,
Bolinação sem sexo,
Sexo sem amor,
Amor sem calor,
Ardor sem frescor,
Frescor sem valor,
Tudo desamor.

Alguns morrem de fome.
Outros de excesso de alimento entupindo as veias.
Enquanto alguns morrem com vírus
Outros morrem em vida, 
viralizando uma catarse perene.

Depois de toda jornada, 
sobra apenas a carcaça em descompasso, descontrolado.
No leito, descansa entubada a sobrevivente retorcida pela vida,
que teima em continuar por um suspiro.
Mas segue feliz, por não ter mais a obrigação de viver o amanhã,
e confiscar a atenção dos afogados na insensatez.
Nós, que equivocadamente continuamos inertes, esperamos nossa vez.
.
Um pouco de sanidade, sempre nas lembranças. 
Amor nos tempos da pandemia.

O Sistema mantém o contemporâneo desprezo pelo humano, 
a meritocracia pelo desumano.
A mão que açoita forte durante a vida,
quer acalentar sem piedade no momento da morte,
apenas para aplacar a culpa de quem continua vivendo.
Um derradeiro Golpe de Mestre.
Sem compaixão de acomodar na UTI.
Na caminhada final tratamento VIP com morfina,
sem desconforto. 
(de quem?)
Um suspiro. 

Um aborto de quem já estava morto.

Pax

29 dezembro, 2019

Hiato 15@nual

Nada pode evitar…
pela segunda vez me apaixono pelo mesmo corpo, 
travestido de uma mulher diferente.
A maturidade dilui um abismo de dores que, no passado, 
reverberam entre dunas, remodeladas continuamente.
Sopra vento ardente.
A cumplicidade é testemunha acima de qualquer suspeita.
Muito empatia, para superar hábitos solitários.
Muita aspirina para sobreviver o momento de dor.
Medo, carinho e muito afago…
Concordando em discordar,
Harmonia nos opostos da mesma direção.
Muita fala, cheia de abundância de risos, risadas e piadas.
Do jeito que a vida é.
Indisfarçavelmente divertida na dor e cheia de ardor.
Eu com ela,
Ela comigo.

Um simples amor antigo.

16 dezembro, 2019

Um Ab1ação, do fundo do coração

Sobre minha estadia no Instituto dos Sentimentos (coração):

Domingo à noite antecipo meu check-in. Exatamente uma hora antes do agendado, estou pendurado no balcão de atendimento e a senhora desanimada pergunta o que estou fazendo.
Me parece esquisito, mas ninguém procura um hospital no domingo à noite para jantar ou assistir filme?
Mantive a postura e me resignei com a informação de que minha ficha não havia descido, eu entendi "caído".
O estado de saúde não faz parte do contrato a ser assinado. Vários anexos confirmam a possibilidade de cobrança futura e garante a liquidação ainda que judicial.
Por sorte meu companheiro de quarto já tem muito know-how, familiaridade com o local e pode ensinar como se muda a cama de posição, ainda que no mesmo lugar. A 1:30hrs  da manhã eu acordei e não consegui mais dormir o sono dos justos. Fiquei às voltas com meu projeto imaginando soluções mirabolantes para ter aumento nas vendas, muito mais importante do que ensinar a aprender.
O sol aparece e com ele toda esperança de uma erradicação das partes inconvenientes do meu cofre de sentimentos. Uma RF aqui, um eletrodo ali, e tudo volta ao normal sem os repiques desnecessários. Desço e me deparo com o interrogatório cujo objeto é ainda confirmar o que já está escrito na ficha médica onde não consigo explicar a diferença entre 2 e 3. Já na sala cirúrgica  alguém dá falta de uma placa metálica que parecia poder me poupar da morte por eletrocussão. Sorrateiramente a enfermeira faz um sinal indicando situação de alerta. Todos, menos eu, vão para uma sala de hermética de onde os homens comuns saem com aparência Divina. Depois de um longo conluio secreto, vem o decreto. Um deles se aproxima também sorrateiro com ar matreiro e se vangloria como portador que Novos Horizontes:  foi suspenso o churrasco dos sentimentos até segunda ordem! Minha expressão facial faz o interlocutor se esforçar em desculpas, clinicamente bem amparadas. Volto ao leito já frio e vazio de acolhimento. Já espera de outro paciente. Um outro médico fala sobre o meu futuro: uma cintilografia seguida de angioplastia ou vice-versa, terminando com uma boa Ablação. A enfermeira da noite oferece um coquetel de pílulas, em quantidades excessiva... não me  oponho apenas por solidariedade à profissional.
A nutricionista, seguindo ordens médicas serve cafeína disfarçada de café com leite. Sou desqualificado, pois na usina de decaimento de Prótons, não é permitido ter cafeína na rede sanguínea!!! As enfermeiras se mesclam com nutricionistas fisioterapeutas, médicos e vão aparecendo num transmutando caleidoscópio humano da Saúde.
Medicam, aplicam, medem, anotam, examinam, apalpam, e fazem relatórios, e relatórios sobre os relatórios. A gente melhora só  para não ter que ficar no quarto, só para não ter um infarto. Parece que tudo ruiu ou foi o muro inteiro que partiu.
 Acordo sobressaltado pela minha motorista de carreira de carteira comprada que me deixa novamente em minha sina nuclear... a Fernanda do Stress topou fazer uma animação explícita para pacientes aguardando na sala de espera, ao invés de serem torturados com as futilidades do louro da Ana Maria Braga.
À tarde a Dona Conceição nos visita e propõe um corte, não de recursos, mas de cabelo. Ela corta a juba conta história sobre outros impacientes. Tirei uma foto. Tiramos fotos para congelar o astral.
Por enquanto estou me esforçando para ser algo diferente do ID XXX225.
Começa a espera do laudo que é algo que ninguém sabe quando fica pronto, quem assina, quem acessa, mesmo sendo algo que só diz respeito ao paciente que vira impaciente. Acho que vou andar pelo hospital pois fico trabalhando móvel e remotamente, e percebendo que tanto faz local de trabalho porque a ineficiência é a mesma.
Um batráquio finge trabalhar dando notícias velhas com a retórica do ufanismo novo.
Outro, pergunta sobre o último item da lista de 30 urgências, sem se preocupar com as 29 anteriores.
Levo um tempo explicando que entupimento de 80% significa que o raio de passagem do fluxo é 50% menor que o raio original da veia, coisas da matemática...que foge da lembrança de todos.
Próximo passo é dilatar, completar, e vazar. Depois daremos atenção para indecisa Arritmia.
Yesssssss! Estou de alta provisória!!!
Mas em 05 minutos já estou de baixa… pois meu retorno está previsto somente para 2020.
Alguma alma se compadeceu da minha sina e operou o milagre do encaixe através dos Deuses lá de baixo. Vão aproveitar da minha presença no hospital, em período sabático compulsório, para dar continuidade aos procedimentos....ufa!!!!
Sigo no quarto, na cama com a RITA que MIA….
No fds tem +
Depois de uma obediente estadia, veio o Dia da Ablação @Final!
Agora em casa, posso desfrutar a minha cozinha, que parece prateleira de farmácia de bairro.
Apenas a virilha lembra o passado recente.
Infelizmente o spa hospitalar acabou, estavam todos a espreita para retomar as contas, as besteiradas do Capitão, a Greta ninfeta do Esquecimento Global, educação sem aprendizagem, inflação de egos, e outros restos humanos desqualificados, em busca de juros mais baixos, na ilusão que tudo não funciona apenas porque eles são altos demais.
Boleto pago, falsas amizades e boas companhias.
Vidas fluindo entre carcaças desumanas, estancadas, espancadas, espantadas, desnorteadas, excomungadas, quase todas de mãos atadas.
Natal feliz só precisa de rabanada, e mais nada. 

07 setembro, 2019

REFLEXÕES

Enquanto eu, impávido, saboreava a lembrança de um simples beijo, todo resto do planeta despencava afoito pelo universo a fora, sem me conceder um momento de reflexão inerte.


10 junho, 2019

Ad n.aeternum

Corpos emaranhados entre almofadas desbotadas,
Desarrumadas pela vida clandestina.
A penumbra amarelada pela luz combalida da madrugada,
o sexo casual está vazando um pouco de amor consensual.
Os desencontros do passado são exorcizados no presente,
com risadas de cumplicidade, alegres e furtivas.
Nossos corpos desalinhados pelo tempo, desgastados pela vida,
vão se enveredando pelas entranhas, agora estranhas.
Formas que a mão esquece, mas que a mente relembra.
Tempo que avança e trai a lembrança do
sentimento que não envelhece, apenas empalidece.
Aquece, reaquece e não se esquece.
Um pouco de paz, no caos de lucidez organizada.
Resiliência impaciente...plenitude sem fulminação.

09 março, 2019

Fracos X Fortes


Homens fortes subestimam homens fracos.
Ainda assim, homens fortes aplicam golpes e truques,
para subjugar outros homens fortes.
Todos homens fracos apontam no homem forte, a culpa da fraqueza deles.
Todos procurando um homem forte e justo neste arremedo de humanidade,
codinome: Civilização.
Difícil sufocar a compulsão do vômito latente...
Que só os fracos tem força para sufocar.
Somente semente, que mente,  demente e sem noção.

19 dezembro, 2018

STEM: poesia na Aprendizagem


Salvador Nogueira fala sobre STEM, entrevistando Jaci Cruz e Manoel Belem

17 novembro, 2018

HAIKAI tropicalizado

Respira,
aspira,
transpira,
inspira,
expira,
pira!
sem ira,
só 'nóia',
paranóia,
para que?
Piraque!
com o que?
sem porque!
sem razão,
sem ração,
sem nação,
sem noção,
imitação,
limitação,
sem ação,
porque não,
em vão,
no vão,
da vida,
retorcida,
perdida,
descabida,
desnutrida,
só de ida,
com partida,
compartida,
com você,
sem sentido,
só para frente,
fazendo mais gente,
num parapente,
sem paraquedas,
estatelado,
morto, mas ressuscitado
escravizado,
estrebuchado,
desarrumado,
eu rumo,
sem rima,
sem rumo,
sem rumores,
só amores,
com dores,
mais Dolores,
meus amores...

08 outubro, 2018

Percepções

O braço que agita o chicote,
hipnotiza o açoitado tão fortemente,
Que a vítima não percebe perigo quando uma cobra solitária parada,
à espreita, está pronta para dar o bote.
Rebote,
retorce,
repete,
repetiu,
réptil...

27 agosto, 2018

Vivendo sem querer

Uma tarde ao léu,
cheia de trabalho forçado.
Sem lenço, porem com documento.
Amarrado no vazio da padaria,
que preenche meu estômago
e alimenta minha mente,
com Sonhos e Carolinas.

03 junho, 2018

MORTE conVIDA

Procuro minha mãe no antigo corpo dela.
Mas sinto falta:
Da teimosia, que tanto me irritava,
Da religiosidade irracional.
Do chamar afetuoso do meu nome composto.

Forma dolorosa de perceber a irreversibilidade temporal.

Fica a lembrança forte do antigo habitante daquele corpo.
Que parece ter viajado e esquecido a carcaça para traz,
perambulando entre um cochilo e a próxima refeição.

Dormir e vegetar.
Dormir e a vida ejetar.
Ausencia com presença.
Morte com vida que insiste em continuar mesmo sem vontade.
Velório onde o defunto por vezes balbucia e fala sem sentido.

Durmo com esperança de que talvez amanhã
O aleatório conecte as antigas sinapses,
Ainda que seja apenas para lhe dizer:
Adeus

04 abril, 2018

reVir@Volt@ 10concertante

Desconcertante tentar se aconchegar com quem precisa apenas de um intérprete para seu próprio script de felicidade controlada. Resta apenas uma história fugaz, contada no happy hour da empresa...

19 fevereiro, 2018

Pós CARNAVAL 2018


Fantasia veste a pele, mas não sacia.
Carnaval continua com o Bloco da Interdição na rua.
Já tem fila de espera para o abadá de 2019.
Blocos das Hienas está em alta.
Mas o destaque é a Mocidade Dependente.
Ala dos Presidentes está com escassez de integrantes.
Perde até para Ala das Baianas, muito rodadas.

De repente uma incauta criança emerge dançando...literalmente…
Sem escola, vida, ou futuro.
Todos em cima do muro.

Nos homens afloram as mulheres enrustidas.
Já as mulheres calibram o sensor de Cantada-Assédio.
Na rua a cara do Brasil sai da toca.
Não dá mais tempo de maquiar,
Pois a vida tem pressa.

Uma voz extraviada, cantando com paixão.
Sem contaminação, nem coreografia.
Sem cenografia. Apenas a voz sem trejeitos ensaiados.
Braços retorcidos escondendo olhos fechados.
Uma oportunidade para verdade da essência
superar a mentira da aparência.

Ainda sobra pouco para liturgia da existência.
Esperamos indulgência na demência.
Adultos brincando de Banco Imobiliário em Brasília,
Enquanto as crianças brincam de “aviãozinho”.

A humanidade subjugada pelo pensamento, além da conta.
Todos escravos da mente. Parte mais preguiçosa do corpo.
Como podemos confiar num cérebro,
que qualquer mágico de 5a. categoria consegue enganar…?!?!?!?

Mas logo vem as eleições…
E tudo vai ser diferente, do mesmo jeito.
Sem jeito.

Folião contumaz brinca no Bloco dos Palhaços o ano todo...

28 janeiro, 2018

19 Industries The Blockchain Will Disrupt

Direitos autorais para escritores e poetas...

07 janeiro, 2018

24 dezembro, 2017

Natal 2017 (antecipado)

ChristmasSelfie














A experiência de ser objeto de cuidado, me faz hesitar.
Puro orgulho.
Logo tudo sucumbe ao carinho de cada gesto,
ao aconchego de cada fresta,
e à sincronia dos talheres e guardanapos alinhados à mesa.
Meu coração hesita entre arritmia e taquicardia,
Ignorando placidamente o bloqueador de canal de cálcio.
Fico entorpecido e dilacerado pelo ambiente translúcido,
onde a Felicidade tem indulto de Natal,
sem precisar de habeas corpus do Ministro Gilmar.

Uma conversa sem compromisso aqui,
outra tagarelice sobre o frio sem chuva, alí.
Olhares cúmplices e sorrisos maliciosamente desviados.
Gin tônica elaborado com Fever Tree,
Para entorpecer apenas nossa insensível dureza,
e deixa fluir a fraterna humanidade.
Gratitude, por estar vivo sem perceber,
e alegre sem conceber.
Entre mãe, irmã, filhos, sobrinha, genro e nora,
tudo vai se mesclando confusamente,
como devem ser todos os almoços em família.
Sem acidentes, nem percurso...
Desengonçados e fugazes,
mas profundamente repletos de alegria marginal.


Gestos sedentos de significado,
vão sufocando a distancia do espaço-tempo,
que nos une implacavelmente.
Sensação de dever cumprido,
vendo filhos humanamente imponentes.
Claro que o phablet com leitor de íris,
sensível a intenção de pensamento,
me inebria e acalenta o sonho de consumo resiliente…


Ao fim de tudo permanecemos vivos, ao relento, e
com a mente embriagada pelo presente.
Pela presença espontânea do outro no roteiro da sua vida,
ainda que você seja apenas coadjuvante principal.

Bora juntos e enfrentar 2018 !

05 novembro, 2017

Domingo dormindo

Acordo, envolto pelo domingo de céu nublado.
Não é chuvoso, ensolarado, frio ou engaroado.
Apenas nublado e cinza,
como vida sem cor,
inodora e sem sabor.
Meu gato, ignorando a própria existência,
dorme e sonha colorido...

30 setembro, 2017

Fim de semana

Parecia anos 80, indo para ilha velejar.
Todos juntos, embora separados.
Cintos apertados, joelhos colados.
O velho Jaguar quase flanando por dutos congestionados.
Minhas narinas também constipadas acompanham o fluxo.
São Paulo vai virando lembrança.
Só aparece no retrovisor do motorista, que evita exibir suas habilidades de piloto.
Teme compartilhar compulsoriamente, do conteúdo estomacal da passageira quase enjoada
Atrás, os cotovelos se tocam e o rola coxa vai se estreitando
Pois sem radar moralista,
o limite da intimidade é facilmente ultrapassado.
A conversa começa falando dos ausentes,
Troca de rumo e tripudia os presentes.
Na platéia, com maioria esmagadora masculina
Vem a tona, uma torpe analogia sobre pilotar um bólido no simulador,
Ser equivalente a namorar uma selvagem no leito.
Com algumas vantagens para a pista simulada:
Reset imediato frente a um malabarismo mal sucedido...
E a vantagem fundamental: não precisa achar desculpas para brochada...
Passam duas horas, que parecem apenas 30 minutos.
Chegamos!
Agora basta seguir o Manual dos Ritos de Felicidade:
Jacuzzi ao relento.
churrasco opulento,
e lancha ao vento.
Os mais idosos relutam...
Os audazes gritam frases motivadoras:
- A bichona não quer molhar o bacalhau?
Logo, os idosos com brio, acabam cedendo...
Muito euforia, espumantes no copo, fumantes ao fundo,
Tudo, expandindo sem limites, o imaginário coletivo.
Confidências, inferências, fuxicos.
A chuva aperta, e catalisa a libidinagem.
Pés entrelaçados, mas olhos camuflados.
Até que alguém sai cambaleante,
Como se houvera saído de uma luta de MMA,
Bunda a mostra, e a cabeça em maresia.
O corpo desacostumado a relaxar,
Pede arrego,
Pede repouso,
Finalmente,  eu ouso.
Procuro uma Casa de Repouso...

15 setembro, 2017

Desolation . (by Bot Poet)

The frozen waters that are dead are now
black as the rain to freeze a boundless sky,
and frozen ode of our terrors with
the grisly lady shall be free to cry

07 setembro, 2017

APRENDIZAGEM

O aluno faz, o professor perfaz.
O aluno age, o professor reage.
O aluno posta, o professor reposta.
O aluno protagoniza, o professor é coadjuvante.
O aluno é o Aprendiz, o professor é o Mentor.
O conhecimento é construído coletivamente, e de maneira colaborativa.
TODOS aprendem, porque todos se rendem...



#STEM

28 abril, 2017

VocEu

Sem querer encontrar, te achei
Olhando sem ver, me aproximei.
Você nem percebeu
Meu olhar sem o seu

Sem resistencia...
Nos enrolamos num beijo.
Você me conquista e não deixa pista.

Não sei o que é isso,  nem desejo, nem capricho.
Voce conquista e inebria com olhar sorrateiro.

Poŕ um segundo,  me olhe,  com meus olhos.
Só para saber quem é você perto de mim.

(Fernando Belem)


27 abril, 2017

Convocatória: TRABALHO GERAL, JÁ !!!

Pessoal estou querendo fazer uma convocatória : TRABALHO GERAL.
Todos em casa, na rua, ou no trabalho, nesse dia vão trabalhar duro sem enganar o próximo, cobrando preço justo, clamando por mais eficiência, e desenvoltura, praticando preços justos, sem margens de lucro maior que 5%, desde que não ultrapasse um teto de limite para ganho "por hora", comprando apenas o que precisa, com distribuição equânime de rendimentos, sem malandragem, sem moleza, sem desculpa de feriadão, Páscoa, semana da pátria, eleição, natal e o Karalho a 4, lendo e-mail, clicando no link, atendendo telefone, honrando o combinado, consumindo apenas o necessário, inventando apenas um passado falso, sem papel passado.
Vamos mostrar que somos todos machos alfa, nem que seja por um dia.  
O que vocês acham? Vai ter adesão?... segundo a Folha de São Paulo 198 milhões de brasileiros? segundo a PM 20 milhões.
Para participar basta baixar um aplicativo AppLUCIDEZ.
Todos clamando por moeda digital para meio de pagamento, como a Croácia.  
Vai ser um Movimento pela Resgate da Condição Humana de vagar nômade pela Via Láctea, de graça, comendo comida gratuita fabricada pelas eficientes plantas, dormindo e fornicando, assumindo a condição de uma ligeira evolução barata dos símios.
Semelhante aos robots que não podem negar seus ascendentes: as maquinas calculadoras....hehehehehe
Previdência só a Mental
Sem escravidão, seja com algemas ou com boletos.
Sem prestadores de serviço vindos da senzala ou da favela,
Fundamentalismo só se for Hedonista.
Sem temer pelo dia de amanhã...e mudar o tom: Fora o temer !
Sem manifestação, só ação...

02 abril, 2017

A vida não tem cura !!!

A vida descansa na pressa da morte.
Dilacerando aversões descabidas,
nas tardes de domingo,
Regurgitando a semana lambujada de gritos contidos,
Reverberando no silencio enclausurado.
O tempo que aprisiona o sopro de vida,
numa caixa existencial desnutrida e pretensiosa.
O batuque cardiaco interrompe a morte a cada batida
O entorno tangível fica desprezível, quando a mente tem musica, arte e poesia.
Fico embalado no sorriso, que mastiga as lagrimas de volta as origens,
apenas para chorar novamente.
Antagonista do meu querer,
nunca pesquei,
nunca fui a um estádio,
nunca surubei,
nunca saí da gaveta,
nunca passei fome,
nunca morri,
vontades abortadas,
causas abotoadas.
Interlocutores batráquios,
Conversas em monólogo.
Contagem de curtidas acima de 90.000,
nos garante privilégios.
Refeições preenchem os tempos desocupados,
Esperanças nutrem estômagos vazios.
E quem não tem caviar, come bottarga*
transforma a vida amarga em doce e falsificada.
Trocamos a procrastinação, pela predestinação.
Conversas vazias me afogam de sabedoria
Vontades se foram, ficaram apenas rituais.
Somos todos uns boçais!
Cultivando doenças com remédios que não curam, mas reajustam.
O Ministério da Saúde adverte:
A vida não tem cura, então endoideça na sanidade.
O sedentarismo incapacita as mentes
E o planeta das "besteiradas" vai rodando...
Despencando no vazio,
Repleto de bestas iradas...


(*) Produzida a partir de ovas de tainha salgadas e desidratadas, a bottarga é uma iguaria milenar muito apreciada e valorizada na Europa e na Ásia, sendo conhecida como o “Caviar do Mediterrâneo.

01 janeiro, 2017

Velhas Reflexões no Ano Novo de 2017

Chega o final do ano e todos estão em suspensão criogênica, sob desculpa de que as festas estão chegando.
Sem considerar que, o que está ruim, só piora quando não se trabalha...
Deus, que além de não ser brasileiro, também não existe, deu a ordem do dia:
- Ninguém atende telefone, ou responde email !
Só se pode investir tempo para enviar aqueles textos inúteis escritos por especialistas em mensagens sem conteúdo original...copy & paste adoidado...
Me amedronta não termos coragem de assumir a responsabilidade colaborativa da criação do mendigo que pede ajuda. Na melhor das hipóteses, longe de respeitá-lo, eu dou dinheiro, para aplacar minha culpa e vaporizá-lo da minha consciência... 

Na feira, pastéis com caldo de cana aliciam os futuros diabéticos, cardiopatas incautos e desinformados hedonistas gastronômicos.
A conversa desinteressante é prenuncio da eutanásia do bate-papo pseudo-social. Cria um débito mental na débil mente que desmente, e desmonta a mente.
A falta de algo importante para fazer, nos impulsiona em rituais referendados, sem questionamentos ou dúvidas básicas.

Alguém diz: "Chegou o Natal!", com tanto ímpeto que até parece que não tem data marcada. "Feliz Ano Novo" como se pudéssemos continuar no Ano Velho para sempre, e apenas os 'iniciados' fossem capaz de mudar de ano....
Então me pergunto: o que nos faz humanos? São essas tolas invenções? É por isso que nos sentimos superiores aos animais que não comemoram, não frequentam shopping centers, não fingem estar ocupados trabalhando em algo sem sentido na vida? E o leão que não frequenta missa, será redimido do pecado de espreitar a corsa?
Porque estamos sempre na contra-mão da Entropia?
Quem governa nossas vidas? Quem conduz nossas escolhas?

Porque alguns só sentirão fome e miséria, sentados no sofá assistindo o noticiário asséptico e parcial, enquanto os infiéis (90% dos terráqueos) devem vivenciar esta experiência na própria carne? Acreditamos de fato que tudo não passa de uma irresponsabilidade de qualquer governo corrupto?
Acreditamos em governo não corruptos, Papai Noel e Fada Madrinha?
Sempre o velho truque de terceirizar nossa parte ruim, e postar self da nossa parte boa no Facebook...a escravidão dos bem sucedidos na mídia implacável.

Como é possível brindar com champanhe, sabendo que o desfrute deste falso momento de felicidade precisa matar, humilhar, explorar centenas de milhares no limiar da miséria... Quem nos legítima como privilegiados da modernidade?

O vento passa mais rápido que o tempo. Deixa rastro de nostalgia, refresca a pele frágil que falsamente nos separa do cosmo. Tantas vontades sufocadas pelas falsas obrigações. Só me reconheço através das memórias implacáveis de mim mesmo. Só te reconheço pelos padrões de ti em mim, arquivados em forma de referentes sinápticos. O que certamente não é voce!

Minha aparência mentirosa...camuflando a essência verdadeira...
Somos nada além de um conglomerado de proteínas desesperadas em realizar sua função físico-química de cada dia, a serviço de uma ardilosa combinação de lembranças e sinapses, que nos limitam e impedem e tirar o melhor desta combinação momentânea.
Estas separações e compartilhamentos somente tem sentido para outro ser humano , também treinado pelos mesmos criadores de sinapses pre-estabelecidas, causando assim um profundo conforto as nossas mentes desajustadas.

Da Estação Espacial vemos que a Terra não passa de um enorme ser vivo, com uma porção de miríades membros, divididos em dias classes:
1) Ar-nadadores - (reversores de entropia)
2) Terra-verdes - (fotosintetizadores)

 Isso permite entender a mediocridade cósmica da chamada humanidade.

Por enquanto, antecipo Carnaval e visto a fantasia de Ser Humano para inventar o próximo ano, juntos...para azar de vocês.....abro a janela e grito: Chupa Brazil, que é Tetra!!!  hahahahahahaha

20 outubro, 2016

Conversa de Bar

Palavras recortadas,
Estórias desconjuntadas.
Encontro fugaz, com tempo marcado.
Quase sou atropelado...
pela vida que vinha no sentido errado.
Transtornado, meio que ressuscitado.
Trem, taxi, metro e avião.
A saudade viajando sentada.
Vontade de ter ficado mais,
Empatia demasiada,
Traz alivio passageiro.
Pensamento transparente.
Para mente,
Ausente.

08 outubro, 2016

Saudades

Não sabia que meu tórax não definido, iria atraí-la novamente...
Sorrateira ela me seguiu pelos túneis em Nova Iorque,
e finalmente na madrugada de hoje, toma de assalto meu corpo.
Interrompe meu sono e mergulha debaixo do cobertor,
provocando espasmos convulsivos.
Mesmo no escuro reconheço aquele abraço.
Tremendo de frio, busco ajuda para reconhecer,
e me livrar desta serial-widow.
Chego ao Pronto Socorro as 3 horas da manhã.
Depois de muito esforço, os medicos identificam a antiga Pneumonia com saudades.
Peço divorcio imediatamente através de um mandado de segurança anti-microbiano.
Me deixa respirar, sozinho, quieto, hidratado e descansado...


02 outubro, 2016

Dica para votar, após apuração !!!

Meu voto foi para o candidato da Aprendizagem,
Voce também vote em mim!
Nem candidato a prefeito, nem vereador,
Candidato a Educador.
Não tem partido...nem para a ignorância.
Nao prometeu, mas fez nos últimos 5 anos,
Muita educação, para pouca gente em Sao Paulo.
Vale voto nulo, que eu mesmo anulo.
Vale voto em branco, que eu preencho
Qualquer voto para Aprendizagem,
que mitiga a evasão,
sem investimento do planalto.
E não terceiriza educação.
Aprimora desenvoltura,
Junta alunos, pais e professores em força-tarefa.
Constrói conhecimento coletivo
Inventa futuro no presente sustentável.
Participe desta intervenção.

Vote no Belem,
para sua escola ter mais STEM !

28 setembro, 2016

Embaralhado

Na boca, uma secura.
Só cachoeira pode saciar.
Na vida madura, sem cura.

Enfurecida.
Casca dura,
que dura,
e não fura.

30 agosto, 2016

História do Brasil

Cansada do primeiro marido, traidor e alcoólatra, a mulher desiludida se separa para casar com a promessa de total felicidade do novo pretendente, ao menos nos 4 primeiros anos.
Passado algum tempo, ele se mostra igual ou pior que o antigo companheiro.
A mulher, novamente traída, tira o sofá da sala, difama o segundo marido, ridiculariza seu vestir, menospreza sua fala, e o rotula de "troglodita semi-analfabeto".
Como ele não aceita separação antes do decurso de prazo, ela pede divórcio alegando que o atual marido usava as economias da família para comprar escondido mensalmente um exemplar da revista Playboy e fazer um "fézinha" no jogo do do bicho, que inexoravelmente levou a família a banca rota.
O juiz acata o procedimento legal e dá andamento ao ritual processual.
Divórcio homologado, é comemorado.
O que ela não contou é que vai voltar para o primeiro marido que acaba de sair de uma clinica de recuperação de alcoólatras e prometeu que não vai traí-la com QUALQUER uma...
Relatando a história, ela se vangloria que NUNCA fez terapia e conseguiu resolver TUDO sozinha....

Niilismo* da madrugada

Em meio a noite,
Desperto aniquilado.
Leito frio.
Vazio.
Apenas o barulho essencial,
do humano animal.
Vagando no vazio,  condenado em órbita solar
Preso com "sintos" de segurança à solitária existência.
Decodificando o passageiro ao lado,
que pensa sem querer, o que não quer pensar.

A sobrevivência nos camufla e protege.
A todos.
Sem carência.

Na crença,
Desavença.
Que cativando,
nos adestra, sem pressa.


(*) goo.gl/gC14CN

18 agosto, 2016

Encontros Clandestinos II

um abraço,
um laço,
as bocas se entreolharam,
num só compasso,
que repasso,
sem cansaço.

tateando a realidade,
sem idade.
nos becos,
raspando até doer,
cheio de verdade informais.
inebriado de pura vontade,
que parecia adormecida.
Só eu e Clarice experimentando
- Plenitude, sem fulminação!
um torpor que me habita assustado,
na inquietude das falsas alegrias,
resgatando a paz,
fugaz.

Mais tarde, na saída do mercado,
um pedinte quase me usurpa a euforia inventada.
Passei sorrateiramente, disfarçado de sombra...

foi por um triz…

09 agosto, 2016

Apropriação indébita...Ufanismo de Ouro

A medalha de Rafaela é da Rafaela.
Somente dela e das poucas pessoas que acreditaram, apostaram nela. 
São poucos. Sem a cor, o padrão de beleza ou interesse da moda, foi difícil virar gente. 
Onde todos veem um olhar desafiador, eu só consigo enxergar olhar assustado, triste e acuado. 
Esses entrevistadores pós-evento, além de não darem a minima para a Rafaela, são apenas caronistas do rastro da medalha da Rafaela. 

O que fica desta medalha para todos? 
Nem mesmo a pessoa mais abastada do mundo, pode comprar a sensação, e sentir o gosto, que esta menina está sentindo para o que resta da vida.

Parabéns! Rafaela ! 
Com admiração e sinceridade de quem apenas está sentado na poltrona, sem sair na foto... ᐧ
Sem ufanismo barato.
Nato.
Sem tato.
Estelionato.

07 maio, 2016

Passado

A gente não esquece o passado, vai é se perdendo dele...

17 abril, 2016

uni LI teral

A exuberância quase faz esquecer o par de horas de atraso.
Mesmo sem pupilas dilatadas, nem carinhos roubados,
fico enebriado pelo sorriso alvejado com bicarbonato.
Arrisco uma proposta de convívio conjugal sorrateiro,
compartilhando espaço sem fiador, e nem conversa fiada.
Acareado com a matilha, fui  preterido.
Depois de muito riso, ergue-se placa de aviso: No trespassing !
Para jantar pedimos "Fiori de mussarela de búfala al limone" ao sugo,
Uma delícia...
Faltou um sorvete de sobremesa, para congelar meu desejo,
e um beijo de despedida, para dar sentido à vida,
sem paixão desmedida.
Aparente tentativa de escambo corporal.
Um desejo quase unilateral...