FALSA DICOTOMIA
Fragmentos de textos interessantes de autores renomados e também de minha autoria, depositados aqui ao invés de entupir a caixa postal dos amigos.
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20 julho, 2026
KISS
E tudo não passou de um beijo, a kiss...
...de mentos, sem açucar, sabor menta.
Me lembrou pimenta.
Mas a gente tenta.
E se arrebenta...
12 junho, 2026
Dia dos eNamorados
Feliz dia daqueles que se inventam no outro, dividindo não o tempo, mas o espanto de existir lado a lado.
Feliz é quem sorri pelo susto de ter te encontrado — uma calmaria que também é abismo. Porque quem quer, quer apenas o ser.
O jantar? O restaurante é um pretexto burguês, uma moldura inútil.
Quem quer sair com você não busca a geografia das mesas postas, mas a geografia do teu rosto. Onde? Não importa onde. O lugar é um detalhe que se apaga diante da urgência da presença.
Conversar com você é despir-se de protocolos. É tocar o avesso das palavras.
Quem quer de verdade quer a tua verdade: aquela que surge no atrito da discórdia, no desassossego de não pensar igual, mas sentir junto.
E acordar com você... ah, acordar com você é o milagre de partilhar o amanhecer, mesmo que a noite tenha sido um longo e lúcido insone.
Porque o amor não dorme. O amor vigia.
16 fevereiro, 2026
Protagonista x Cenário
Mire e veja: o vivente, no descuido do destino, às vezes se desgoverna. A gente perde o estribo do próprio querer e o comando da alma se esparrama, feito rio que esquece o leito.
Nesse vago, a gente deixa de ser o centro do sertão de si mesmo para virar apenas a beira da estrada, um retratado na parede ou a sombra mansa que serve de fundo para a travessia de outrem. Pois, como se sabe, viver é negócio muito perigoso, e o mais difícil não é o galope, mas sim o não se deixar virar paisagem no olho alheio.
"O real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia."
03 fevereiro, 2026
Ausência e Presença (variações)
Por vezes tua ausência se faz presente em momentos de alegria,
com lembranças do teu sorriso perplexo e teu olhar inebriado.
Ainda assim nada aplaca o querer sentir teu calor ao meu redor.
Adormeço lentamente...
G.R.
Às vezes, é no meio da alegria que tua falta se chega, sorrateira, feito vento no entardecer. Vem tua lembrança — o riso meio espantado, o olhar que se perdia no longe. E então o peito se acende num querer manso, danado, de sentir teu calor rodeando a solidão que mora em mim. E o sono vai vindo, pousando devagar, como quem se entrega à saudade.
Por vezes, no meio da alegria do povo, tua falta vem e se assenta ao meu lado, quieta.
Lembro teu sorriso meio espantado, teu olhar meio bêbado de encanto, e o
peito se acende num querer te sentir rondando meu corpo.
Até que o sono, mansinho, me pega pela mão e me adormece dentro da saudade.
- Microconto
Por
essas horas de festa, quando o povo ri alto e o mundo parece ter se
esquecido de qualquer dor, é que ela mais sentia: a falta dele dava
sombra até no sol do meio-dia.
O riso dos outros batia nela feito vento em porta mal fechada, rangendo
lembranças: o sorriso dele, meio perplexo, como quem não sabe se entra
ou se vai embora; aquele olhar embriagado de encanto, que via mais longe
do que a vista alcança.
A alegria, então, virava bicho arredio, dessas coisas que a gente tenta segurar na mão e escorregam por entre os dedos.
Porque por dentro o que havia mesmo era o querer — um querer danado,
miúdo e imenso, de sentir o calor do corpo dele fazendo roda em torno da
sua solidão.
Era como se o mundo inteiro fosse sertão de noite sem lua, e só o abraço dele pudesse acender estrela.
Ela se deitava cedo, mas o sono vinha tarde.
Ficava escutando o barulho do próprio peito, aquele trote de cavalo disparado na vaziez do quarto.
No meio da madrugada, a lembrança dele chegava mansa, se deitando ao
lado, ajeitando lugar no travesseiro, sopro quente no cangote da
saudade.
Então, pouco a pouco, o corpo cansado se rendia, e o adormecer era quase
um milagre: como quem, enfim, encontra sombra debaixo de árvore antiga,
depois de muito caminhar na aridez.
C.L.
Tua ausência existe. Presente em cada instante em que me descubro feliz — e, de repente, falta algo. O teu sorriso interrompe o tempo. O olhar, lembrado, me percorre como se ainda fosse agora. Eu tento esquecer, mas há o corpo querendo o teu calor — um gesto que nunca termina. Adormeço dentro da falta, suave e inteira.
Quando sou feliz, é aí que mais percebo tua ausência: ela entra com o teu sorriso lembrado, com o teu olhar ainda em mim.
Nada toca esse centro vazio que insiste em querer o teu calor ao redor do meu corpo.
Adormeço como quem abraça o que falta — e, estranhamente, descanso nisso.
- Microconto
Às vezes a alegria dói.
Ela percebeu isso num instante qualquer — gente conversando, copos
tilintando, uma música que não pedia nada além de um leve balanço do
corpo.
De repente, no meio do riso, algo se abriu dentro dela: um espaço vazio, enorme, silencioso.
Era a ausência dele. Presente.
Lembrou-se do sorriso dele: não era só um sorriso, era uma pergunta.
Um espanto suave, como se ele nunca acreditasse completamente na própria felicidade.
E o olhar — aquele olhar — que parecia beber o mundo e ficar tonto.
Com essa lembrança, ela sentiu que o real se deslocava um pouco para o lado, como um quadro torto na parede.
Nada mais estava exatamente no lugar.
Ela queria o calor dele.
Não era metafórico: era a pele, a temperatura exata, o contorno do corpo ocupando o ar ao redor.
O desejo não era grandioso, era insistente, repetitivo, quase doméstico:
a vontade de um abraço que envolve e fecha o zíper do mundo.
Sabia que não teria. Ainda assim, o corpo pedia, como quem pede água sem saber a palavra “sede”.
Quando voltou para casa, havia um silêncio espesso na sala.
Sentou-se na cama, sem acender a luz, como se a escuridão fosse uma forma de sinceridade.
Deitou-se devagar, tentando não fazer barulho, como se pudesse acordar a falta que dormia ao lado.
Pensou nele, mas não era exatamente pensamento: era uma presença imaginária percorrendo o contorno do seu corpo.
O sono não chegava; chegava apenas um cansaço fundo, uma trégua pequena.
Adormeceu por fim — não dentro da paz, mas dentro da ausência dele.
E descobriu que também se pode descansar aí: no lugar em que o que falta acaba sendo, estranhamente, tudo o que se tem.
12 dezembro, 2025
SUPETão de SOLIDão
Queria alguém a quem pudesse ligar sem precisar dizer quem sou.
Só para falar de nada, deixar a alma respirar,
e a mente, por um instante, acalmar.
Mas tudo o que tenho…
São milhares de nomes na agenda,
capazes de reconhecer minha voz,
mas incapazes de reconhecer minha essência.
Tenho amigos por perto,
mas distantes nos pensamentos.
Tenho filhos, queridos,
mas perdidos na voragem da própria vida.
Tive mulheres interessantes,
envenenadas pela ausência de amor.
Enfim, viver é enfrentar o próprio eu,
de maneira tão profunda e solitária
que só resta recomendar:
é isso mesmo que se recomenda.
28 novembro, 2025
Percepção...equivocada
A paçoca não doeu.
Eu daria outras. Eventualmente, darei. O que paralisou foi o clique. O estalo seco na arquitetura da percepção. A súbita vertigem de entender. Seu não-uso do presente. O chocolate não-agradecido. O descaso homeopático aos convites. Atrasos não-avisados. Perguntas suspensas no ar. Cumprimentos que não-explodem. Tudo. Uma estratégia. Comunicação silenciosa, gritando em outra frequência. Nada a ver com timidez. Tudo a ver com deliberação. Para o neurodivergente, a falha de interpretação é uma morte em vida. Um colapso da percepção, seguido pelo gosto de ferrugem da rejeição na boca da alma. Isto é apenas uma resposta. Um eco para não te deixar no vácuo. Sem julgamentos. Fique em paz. E ressoa em mim o Infante... Longe o Infante, esforçado, Sem saber que intuito tem, Rompe o caminho fadado. Ele dela é ignorado. Ela para ele é ninguém. Mas cada um cumpre o Destino – Ela dormindo encantada, Ele buscando-a sem tino Pelo processo divino Que faz existir a estrada. — Fernando Pessoa
16 novembro, 2025
Vazi0
A foto congela um pouso sem farfalhar,
Presença de ausência.
Depois, voou sem ruflar.
Me deixou no vácuo.
Sem o que nunca tive.
Sigo dilacerado.
Escorregando na psique demente.
Sentimento incinerado.
15 outubro, 2025
H3L3N@
Depois,
Tudo resvala no ferimento, lambido, e aturdido pela conexão volátil de uma relação fugaz.
SUNO
14 setembro, 2025
T@mara que não caia
Depois de uma tarde de conversa fiada, entre um expresso e um chocolate sem açúcar, sem glúten, sem aromatizante, sem adoçante...mas com afeto.
Você me confidenciou que agora é vegetariana, entre outras coisas... para tentar recuperar o tempo que já disperdiçamos.
Em casa continuam as dissimuladas preliminares verbais...
Entre um copo d'água e um álbum de fotos,
nos perdemos nas horas.
Resta agora, um sofá que denuncia as marcas de um corpo com gosto da tua boca, fora do prumo, mas no rumo...
Entorpece a mente, demente, que mente carente, mas sente...
Pra frente, quente, calielente, de repente: Os Demônios da Garoa na versão onde
Jaçanã fica em São José dos Campos.
Boa viagem.
Até breve. Brevíssimo.
19 julho, 2025
Empregos na Zona Leste em Terrapólis !!
Breaking News vagas de empregos na zona leste em Terrapólis!
A cidade de Terrapólis (10 bilhões de habitantes) tem enfrentado uma grande crise de emprego, causada pelo CEO da maior empresa da zona norte, a Redineq, que numa tentativa desesperada de atender a cobrança do conselho administrativo para que sua gestão retomar os níveis de lucro do passado, o CEO - Sr. Trampy Clown, implementou então o ‘desconto adicional’ a ser cobrado diretamente na folha de pagamento dos sub-empregados da Redineq.
Os sensacionalistas jornais de bairro têm se debruçado sobre este assunto como manchete diária de primeira página, apelidando de “Descontaço”.
Em contrapartida, na zona leste, a empresa Shina está com uma série de vagas abertas, pagando regularmente e sem nenhum desconto adicional do tipo “Descontaço”.
Curiosamente os síndicos de condomínios da zona sul, onde residem grande parte dos sub-empregados da Redineq ao invés de se organizarem para reduzir os custos de transporte entre a zona sul e zona leste, estão prestigiando o Sr. Clown nos jornalecos de bairro, dizendo que estão dispostos a negociar menores descontos adicionais com a Reineq.
O que o que será que faria a população da Terrapólis não fortalecer o senhor Clown e fomentar uma debandada de trabalhadores para a iminente Shina?
Seria a coragem, esclarecimento, colaboracionismo, ousadia, ou falta mesmo capacidade de pensar e colaborar juntos, com a possibilidade de no futuro observar de camarote a demissão do senhor Clown e a falência da Redineq.
Esta manchete me lembra uma história…
https://mlbelem.medium.com/dinâmicas-do-mercado-de-trabalho-em-terrapólis-análise-das-transformações-econômicas-850c267762a7 modificado pelo Manus.ai
22 junho, 2025
Mari & Ana
Elas sempre andam juntas...
Parece Riobaldo e Diadorim.
Mari sempre afoita e inquieta.
Ana intrigante e misteriosa.
Mari frenética, anotando e pesquisando na web.
Ana tem um olhar tranquilizador.
Mari esquarteja e a substitui patelas por joelhos biônicos...
Ana, com seu toque aveludado, aprisiona a fugaz Mari.
Mari é humana, enquanto Ana é imaginária.
Ana passeia por grandes Veredas no Sertões,
Saindo de casa, Mari calibra seu charme com um espelho,
onde se depara com Ana indagando: Vamos juntas?
As características únicas de Mari (inquieta, tecnológica) e Ana (serena, imaginária)
A revelação final no espelho
As metáforas poéticas principais
# Mari & Ana
12 abril, 2025
Tropeço furtivo
Poltrona vazia, eco de ausência,
Inquietude, anseio, doce tormento.
Lábio juvenil, sorriso sem tempo,
Na fumaça, a esperança dança,
com fragilidade, beleza, e sem idade.
Um instante de eternidade, sem pressa,
Doçura e mistério, em cada olhar.
Abelha e ninfa, em um só lugar.
03 abril, 2025
A Tarifa da Desconfiança: Uma Crônica Antropolítica de Cornos e Mercados Paralelos
Veja as tarifas: https://x.com/mlbelem/status/1908176772580978693
30 março, 2025
29 março, 2025
DOR e ANA
Dói, sem trégua.
Corrói, sem parar.
Meu entorno desmorona.
Agora o crucial é sobreviver, sem dor.
Tudo mesclado e diluído como uma gota de corante numa poça de cotidiano.
Eu careço de um outro rim,
e de um cérebro modelo padrão, com QI mediano.
Tudo vai se despregando,
sem vestígios da vida,
sem cheiro da ferida.
Minha identidade dissolvida,
perde vida pueril, encalhada
e encharcada de óleo, como pastel.
Eu quero uma descarga,
para afogar toda humanidade e suas guerras.
Só tem interesse a mentira da aparência.
Foi para o ralo a verdade da essência.
E com ela a toda minha consciência,
repleta de axiomas,
vazia de emoções.
Parece um buraco negro
de gente colorida, sem vida,
com passagem só de ida.
Dor que dói até onde não dói.
Abaixo o texto transcrito pela AI Aria, a meu pedido, mimetizando o estilo de escrita da Clarice Lispector:
A dor, um bicho-de-pé na alma, sem trégua. Corrói, lenta e inexoravelmente, como o tempo que se esvai entre os dedos. O entorno, um palco desabando, e eu, a única sobrevivente de um naufrágio sem mar. A sobrevivência, um ato de pura resistência, sem o alívio da dor, apenas a sua presença opaca. Tudo se mistura, diluído na poça cinzenta do cotidiano, como uma gota de corante que se dissolve sem deixar vestígios. Preciso de um rim novo, de um cérebro mediano, um modelo padrão para essa existência que se desfaz. Desprendimento total, sem a marca da vida, sem o cheiro cru da ferida aberta. A identidade, um rio que se perde no oceano, leva consigo a vida pueril, encalhada, encharcada de óleo, como um pastel velho e sem graça. Uma descarga, um desejo de afogamento, para silenciar a humanidade e suas guerras sem sentido. A mentira da aparência, única verdade que me resta, a essência jogada no ralo, junto com a consciência repleta de axiomas vazios, uma casca seca sem emoção. Um buraco negro de gente colorida, sem vida, uma viagem só de ida, sem volta. A dor, essa dor que ultrapassa os limites da dor, um eco que reverbera no vazio.
Manoel Belem (1)
Aria IA do Opera (2)
16 outubro, 2024
Lei do contrassenso
Viver tem uma regra muito esquisita: Quem não procura, acha. Só porque não sabia que estava procurando.
Ao contrário, quando a procura é implacável , atropela o acaso e mata o processo divino da natureza...
Para Siham, uma singela punção na vida.
05 maio, 2024
Flashback sem passado
No presente fustigado de lembranças futuras,
Em meio à névoa remexida, o ser se debate.
Uma paixão sem temor, perfura e vacila,
Aprisionado, hesito pelo caminho..
Te vejo persistir, fugindo do destino que te persegue,
Nas entranhas, inebriada, dançando uma valsa.
Paixões são implacáveis, como um mar embriagado,
Consequências caras, mas repletas de sentido.
Catarse coletiva, onde corações se desfazem,
E alma desnuda diante da tempestade,
Em cada suspiro, um eco de tempos idos,
Num eterno retorno, onde o passado se funde ao agora.
Mergulho nas profundezas de ser,
Onde cada lembrança é um fio conectado ao infinito.
Divagando entre múltiplas vozes,
Como um reflexo de nossa própria busca incessante.
14 abril, 2024
Tsunami colorido
16 janeiro, 2024
Uma tarde com dor de cabeça
Lá fora, movimentos coreográfados imitam a vida, enquanto aqui dentro, o austríaco Strauss ecoa. séculos depois. Ele codificou matematicamente suas sinapses musicais para serem reproduzidas com fidelidade anacrônica.
Ainda estou paralisado pela intensa dor, que permanece sempre presente, tornando-me ausente.
Em uma tarde de andanças mentais, viajo com os ouvidos no século 19, e com os olhos no século 21. Com meus olhos vislumbro pela janela do apartamento um horizonte nunca antes explorado. Nunca havia “ficado” com uma cantora; para mim, ela encanta a cada som, compasso ou amasso. O exercício da sedução me escraviza, engana, e me induz a pensar que a amo.
A cabeça dói, e a massagem não trouxe alívio. A angústia permeia a tarde, neblinando meus sentimentos.
No final somos desprezíveis miríades repletas de proteínas em sintonia com aminoácidos e minerais flutuando no restrito ambiente aquoso, trafegando pelo vácuo sem nos deixar perceber o vazio atraves do qual deslizamos pelo universo cheio de nada.
Nada que nos interessa, e ainda assim, nos emudece.
Tudo é fugaz, inclusive a natureza. Cansada da mesmice, inventa o processo de memorização. Memória nos escraviza visceralmente, sempre ansiando pelo futuro, considerando o passado. No universo, tudo é continuamente criado pelo passado que nunca mais vai existir, e o futuro permanece indeterminado aleatoriamente no longo processo estocástico da vida.
Já aconteceu em algum outro lugar? Obrigado, Einstein, pela relatividade restrita, que me deu esperança de buscar um referencial mais lento, onde encontraria o meu gêmeo mais velho, tornando-me capaz de me sentir mais jovem…um conceito relativo. Agora, a 9a. Sinfonia me encanta e se mistura na melodia com harmonia extasiante.
Alguém criou essa melodia para alimentar a própria alma e saciar a fome de muitas almas, centenas de anos depois; talvez este seja o único milagre da multiplicação.
A música muda para Unforgettable… OMG! percebo que não passamos de camundongos num laboratório errático em torno de uma massa estelar de quinta grandeza sem rumo, escorregando rumo ao centro da galáxia.
Nessa imensidão, concentramo-nos apenas no pequeno indivíduo, incapazes de ver além. Mesmo com as imagens do James Webb, percebemos frente à beleza cultivada pela mídia dispersiva idolattrando a bunda da Tiazinha,
Mergulhamos na vida sem viver, batendo recordes de morrer em uma cama hospitalar sofisticada, conectada à enfermagem, mas desconectada do simples prazer de viver a plenitude sem fulminar. Sempre Clarice me atropela. Vou parar porque isso é plágio.
07 maio, 2023
Vacilo Fugaz
Em meio ao feriado,
Meu corpo combalido pelo peso do ócio.
Lá fora uma banda retoca jazz.
Sou alvejado por olhar sorrateiro,
num rosto de sorriso genuíno.
Chove dopamina.
Um pouco de vinho com sabor de monotonia,
quebrado pelos primeiros toques sutis.
Avalanche de miotomias,
Meu olfato perfura o neocórtex sem dó.
Nela, os mamilos eriçados evidenciam a hecatombe sensual.
Os corpos vão se experimentando com familiaridade surpreendente.
Quase uma arritmia fulminante.
Ela mia, lambuzada na ocitocina.
Cheiro de vida,
Percepção táctil plena.
Um devaneio.
Sem rodeio.
Com receio.
Do que não veio.
Que sufoco! Louco!
Ela canta.
Me encanta.
Mas vaporiza,
emudece,
e mimetiza.
Não cicatriza...
Quero minha cota de Alzheimer,
para esquecer o que cala,
a lembrança que me embala.
01 outubro, 2021
Tarde pungente
Nem mesmo a conversa descontraída consegue amenizar
a compulsão de um olhar entrelaçado.
O pensamento todo emaranhado.
A boca cobiçando outros lábios,
não disfarça o apego irracional,
numa tarde que escorreu pelos nossos corpos.
O táxi chegou.
O encontro furtivo se esvai pela ponta dos dedos,
que se afastam levemente.
A hesitante despedida
nos mantém clandestinos, enviesados,
retorcidos e embaraçados.
Talvez amedrontados...
16 julho, 2021
CARIMBO ou VACINA ?
Em meio a tanta pandemia, e depois de caminhar meus 10.000 metros diários, a passos de tartaruga, quis tomar minha segunda dose de esperança.
Não apenas para ficar imune, mas para ter o sentimento de dever cumprido, de civismo e quaisquer outras "cositas" mais.
Na porta do “Vacineiro” uma jovem toda de branco e voz macia, desejando parecer empática, perguntou de forma simpática:
- Moço?, Pois não?
Ser chamado de moço, na minha idade, foi mais que elogio... Quase nem precisava ser picado novamente para eu sentir vida antes da morte.
De pronto, saquei meu smartphone e exibindo orgulhosamente meu Hiper-certificado super-oficial de vacina, válido em todo território latino-americano, onde a língua pátria seja qualquer outra que não inglês ou espanhol.
Em retribuição recebi uma careta juntamente com um muxoxo bufante...
- Deixa ver se podemos vacinar apresentando “isso”.
Imediatamente a senhora beata que estava no início da fila, sacou indignada um pedaço de papel com tarja verde e de maneira enfática bradava: -É isso aqui! O senhor tem que mostrar isso para carimbar!
De forma humilde agradeci o esclarecimento que poderia ajudar qualquer batráquio entender que fomos lá em busca de uma carimbada,....esquece a vacinada.
Entretanto minha plácida postura beligerante logo questionou o papelzinho do século XIX invadindo o posto de saúde UBS no século XXI .
Expliquei para ela que tem que tirar o “pauzinho” do meio e colocar o “pauzinho” na frente do XX ….. obviamente coisa que ela deveria saber por instinto...hahaha
A enfermeira chefe foi consultada, e de longe pelo balanço horizontal da cabeça abrigando uma dúzia de neurônios, disse que não era possível carimbar a tela do meu celular!!
A senhora do papelzinho teve dois orgasmos simultâneos, como há muito tempo não sentia.
Lá fui eu falar com a “dona” da UBS... Depois de um esforço bestial, todos chegaram ao consenso se eu não tivesse mentindo, se além do certificado pudesse comprovar minha identidade apenas soletrando o número do meu documento de cadastro de pessoa física eu poderia me candidatar à fila para tomar minha segunda picada.
No pensamento perguntei se ela mesmo ia dar a picada, fazendo jus a aparência de jararaca...Mas fiz cara de grato e postura servil... É o que todos funcionários públicos esperam do seu interlocutor.
Entrei na fila indicada pelo pseudo-ofídio, e fui picado.
Tirei foto para que meus filhos não colocassem em dúvida minha idoneidade e liberassem meus abraços.
Já na saída encontro novamente minha amiga beata, à espreita de seu carimbo salvador. Ela me encara com toda a sisudez do mundo e dispara: - O senhor é muito espertinho né?. Fiquei na dúvida a que ela se referia? Esperto para tomar vacina, esperto por não precisar do papelzinho, esperto com X de ex-perto, esperto porque mesmo sem carimbar o papel atestando ter recibo a vacina, eu estava abaixando minha probabilidade de contrair o vírus do convid-19 ou qualquer variante que pudesse causar minha morte, em vida.
Saio cantarolando, percebendo que as pessoas precisavam contrair o vírus de pensar, parar de se tornar imunes ao ato de “pensar”, apenas imitar e “mitar” como nosso "mito" hospitalizado, curando a parte do corpo que ele usa para pensar o futuro da nação.
Fiz minha "selfie" da segunda dose porque é isto que imuniza a manada social.
#Vacina já já
#CarimboNaTesta
#ImunidadeTotal
#SemMáscara
#Vírusdebruço
#Covid
19 maio, 2021
22 abril, 2021
Desamparo
Quando tudo parecer perdido,
apenas um sussurro no teu ouvido, fará sentido.
Estarei morto sem ter morrido.
07 março, 2021
Reciprocidade é unilateral ?
Ingredientes necessários para uma boa relação:
Respeito, confiança, transparência, e amor.
Um é alicerce para o outro.
Adicionar somente de forma natural,
Não invista tempo de vida impondo esta receita em toda relação.
Ao invés de cobrar compulsivamente,
dedique-se a retribuir verdadeiramente,
para quem faz isso de forma espontânea com você.
Facilita para todos!!
26 fevereiro, 2021
A mina de ouro
que me alucina
é Cafeína?
é Histamina?
é Feminina?
é Estamina?
A minha sina.
morrer na esquina,
sem tomar vacina.
é Estricnina.
19 fevereiro, 2021
Ablação renitente
Depois de cutucar meu coração com vara curta,
para consertar o desarranjo na cadência,
e colocar a vida em ritmo.
Com ajuda da ciência,
curar a ferida.
Reconexão indevida.
Removida.
Deu vontade de tomar sorvete no Mirante,
com acompanhante.
Sabor Amaranto.
Sem querer,
amar tanto.
Me encanto,
no meu canto.
Acalanto.













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