como diz Guimarães Rosa (Grande Sertões: Veredas).
Que a gente se permita muitos outros cafés com água e muita conversa...
Fragmentos de textos interessantes de autores renomados e também de minha autoria, depositados aqui ao invés de entupir a caixa postal dos amigos.
Feliz dia daqueles que se inventam no outro, dividindo não o tempo, mas o espanto de existir lado a lado.
Feliz é quem sorri pelo susto de ter te encontrado — uma calmaria que também é abismo. Porque quem quer, quer apenas o ser.
O jantar? O restaurante é um pretexto burguês, uma moldura inútil.
Quem quer sair com você não busca a geografia das mesas postas, mas a geografia do teu rosto. Onde? Não importa onde. O lugar é um detalhe que se apaga diante da urgência da presença.
Conversar com você é despir-se de protocolos. É tocar o avesso das palavras.
Quem quer de verdade quer a tua verdade: aquela que surge no atrito da discórdia, no desassossego de não pensar igual, mas sentir junto.
E acordar com você... ah, acordar com você é o milagre de partilhar o amanhecer, mesmo que a noite tenha sido um longo e lúcido insone.
Porque o amor não dorme. O amor vigia.
Nesse vago, a gente deixa de ser o centro do sertão de si mesmo para virar apenas a beira da estrada, um retratado na parede ou a sombra mansa que serve de fundo para a travessia de outrem. Pois, como se sabe, viver é negócio muito perigoso, e o mais difícil não é o galope, mas sim o não se deixar virar paisagem no olho alheio.
"O real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia."
Por vezes tua ausência se faz presente em momentos de alegria,
com lembranças do teu sorriso perplexo e teu olhar inebriado.
Ainda assim nada aplaca o querer sentir teu calor ao meu redor.
Adormeço lentamente...
G.R.
Às vezes, é no meio da alegria que tua falta se chega, sorrateira, feito vento no entardecer. Vem tua lembrança — o riso meio espantado, o olhar que se perdia no longe. E então o peito se acende num querer manso, danado, de sentir teu calor rodeando a solidão que mora em mim. E o sono vai vindo, pousando devagar, como quem se entrega à saudade.
Por vezes, no meio da alegria do povo, tua falta vem e se assenta ao meu lado, quieta.
Lembro teu sorriso meio espantado, teu olhar meio bêbado de encanto, e o
peito se acende num querer te sentir rondando meu corpo.
Até que o sono, mansinho, me pega pela mão e me adormece dentro da saudade.
Por
essas horas de festa, quando o povo ri alto e o mundo parece ter se
esquecido de qualquer dor, é que ela mais sentia: a falta dele dava
sombra até no sol do meio-dia.
O riso dos outros batia nela feito vento em porta mal fechada, rangendo
lembranças: o sorriso dele, meio perplexo, como quem não sabe se entra
ou se vai embora; aquele olhar embriagado de encanto, que via mais longe
do que a vista alcança.
A alegria, então, virava bicho arredio, dessas coisas que a gente tenta segurar na mão e escorregam por entre os dedos.
Porque por dentro o que havia mesmo era o querer — um querer danado,
miúdo e imenso, de sentir o calor do corpo dele fazendo roda em torno da
sua solidão.
Era como se o mundo inteiro fosse sertão de noite sem lua, e só o abraço dele pudesse acender estrela.
Ela se deitava cedo, mas o sono vinha tarde.
Ficava escutando o barulho do próprio peito, aquele trote de cavalo disparado na vaziez do quarto.
No meio da madrugada, a lembrança dele chegava mansa, se deitando ao
lado, ajeitando lugar no travesseiro, sopro quente no cangote da
saudade.
Então, pouco a pouco, o corpo cansado se rendia, e o adormecer era quase
um milagre: como quem, enfim, encontra sombra debaixo de árvore antiga,
depois de muito caminhar na aridez.
C.L.
Tua ausência existe. Presente em cada instante em que me descubro feliz — e, de repente, falta algo. O teu sorriso interrompe o tempo. O olhar, lembrado, me percorre como se ainda fosse agora. Eu tento esquecer, mas há o corpo querendo o teu calor — um gesto que nunca termina. Adormeço dentro da falta, suave e inteira.
Quando sou feliz, é aí que mais percebo tua ausência: ela entra com o teu sorriso lembrado, com o teu olhar ainda em mim.
Nada toca esse centro vazio que insiste em querer o teu calor ao redor do meu corpo.
Adormeço como quem abraça o que falta — e, estranhamente, descanso nisso.
Às vezes a alegria dói.
Ela percebeu isso num instante qualquer — gente conversando, copos
tilintando, uma música que não pedia nada além de um leve balanço do
corpo.
De repente, no meio do riso, algo se abriu dentro dela: um espaço vazio, enorme, silencioso.
Era a ausência dele. Presente.
Lembrou-se do sorriso dele: não era só um sorriso, era uma pergunta.
Um espanto suave, como se ele nunca acreditasse completamente na própria felicidade.
E o olhar — aquele olhar — que parecia beber o mundo e ficar tonto.
Com essa lembrança, ela sentiu que o real se deslocava um pouco para o lado, como um quadro torto na parede.
Nada mais estava exatamente no lugar.
Ela queria o calor dele.
Não era metafórico: era a pele, a temperatura exata, o contorno do corpo ocupando o ar ao redor.
O desejo não era grandioso, era insistente, repetitivo, quase doméstico:
a vontade de um abraço que envolve e fecha o zíper do mundo.
Sabia que não teria. Ainda assim, o corpo pedia, como quem pede água sem saber a palavra “sede”.
Quando voltou para casa, havia um silêncio espesso na sala.
Sentou-se na cama, sem acender a luz, como se a escuridão fosse uma forma de sinceridade.
Deitou-se devagar, tentando não fazer barulho, como se pudesse acordar a falta que dormia ao lado.
Pensou nele, mas não era exatamente pensamento: era uma presença imaginária percorrendo o contorno do seu corpo.
O sono não chegava; chegava apenas um cansaço fundo, uma trégua pequena.
Adormeceu por fim — não dentro da paz, mas dentro da ausência dele.
E descobriu que também se pode descansar aí: no lugar em que o que falta acaba sendo, estranhamente, tudo o que se tem.
Mas tudo o que tenho…
São milhares de nomes na agenda,
capazes de reconhecer minha voz,
mas incapazes de reconhecer minha essência.
Tenho amigos por perto,
mas distantes nos pensamentos.
Tenho filhos, queridos,
mas perdidos na voragem da própria vida.
Tive mulheres interessantes,
envenenadas pela ausência de amor.
Enfim, viver é enfrentar o próprio eu,
de maneira tão profunda e solitária
que só resta recomendar:
é isso mesmo que se recomenda.
A paçoca não doeu.
Eu daria outras. Eventualmente, darei. O que paralisou foi o clique. O estalo seco na arquitetura da percepção. A súbita vertigem de entender. Seu não-uso do presente. O chocolate não-agradecido. O descaso homeopático aos convites. Atrasos não-avisados. Perguntas suspensas no ar. Cumprimentos que não-explodem. Tudo. Uma estratégia. Comunicação silenciosa, gritando em outra frequência. Nada a ver com timidez. Tudo a ver com deliberação. Para o neurodivergente, a falha de interpretação é uma morte em vida. Um colapso da percepção, seguido pelo gosto de ferrugem da rejeição na boca da alma. Isto é apenas uma resposta. Um eco para não te deixar no vácuo. Sem julgamentos. Fique em paz. E ressoa em mim o Infante... Longe o Infante, esforçado, Sem saber que intuito tem, Rompe o caminho fadado. Ele dela é ignorado. Ela para ele é ninguém. Mas cada um cumpre o Destino – Ela dormindo encantada, Ele buscando-a sem tino Pelo processo divino Que faz existir a estrada. — Fernando Pessoa
Breaking News vagas de empregos na zona leste em Terrapólis!
A cidade de Terrapólis (10 bilhões de habitantes) tem enfrentado uma grande crise de emprego, causada pelo CEO da maior empresa da zona norte, a Redineq, que numa tentativa desesperada de atender a cobrança do conselho administrativo para que sua gestão retomar os níveis de lucro do passado, o CEO - Sr. Trampy Clown, implementou então o ‘desconto adicional’ a ser cobrado diretamente na folha de pagamento dos sub-empregados da Redineq.
Os sensacionalistas jornais de bairro têm se debruçado sobre este assunto como manchete diária de primeira página, apelidando de “Descontaço”.
Em contrapartida, na zona leste, a empresa Shina está com uma série de vagas abertas, pagando regularmente e sem nenhum desconto adicional do tipo “Descontaço”.
Curiosamente os síndicos de condomínios da zona sul, onde residem grande parte dos sub-empregados da Redineq ao invés de se organizarem para reduzir os custos de transporte entre a zona sul e zona leste, estão prestigiando o Sr. Clown nos jornalecos de bairro, dizendo que estão dispostos a negociar menores descontos adicionais com a Reineq.
O que o que será que faria a população da Terrapólis não fortalecer o senhor Clown e fomentar uma debandada de trabalhadores para a iminente Shina?
Seria a coragem, esclarecimento, colaboracionismo, ousadia, ou falta mesmo capacidade de pensar e colaborar juntos, com a possibilidade de no futuro observar de camarote a demissão do senhor Clown e a falência da Redineq.
Esta manchete me lembra uma história…
https://mlbelem.medium.com/dinâmicas-do-mercado-de-trabalho-em-terrapólis-análise-das-transformações-econômicas-850c267762a7 modificado pelo Manus.ai
Veja as tarifas: https://x.com/mlbelem/status/1908176772580978693
No presente fustigado de lembranças futuras,
Em meio à névoa remexida, o ser se debate.
Uma paixão sem temor, perfura e vacila,
Aprisionado, hesito pelo caminho..
Te vejo persistir, fugindo do destino que te persegue,
Nas entranhas, inebriada, dançando uma valsa.
Paixões são implacáveis, como um mar embriagado,
Consequências caras, mas repletas de sentido.
Catarse coletiva, onde corações se desfazem,
E alma desnuda diante da tempestade,
Em cada suspiro, um eco de tempos idos,
Num eterno retorno, onde o passado se funde ao agora.
Mergulho nas profundezas de ser,
Onde cada lembrança é um fio conectado ao infinito.
Divagando entre múltiplas vozes,
Como um reflexo de nossa própria busca incessante.
Lá fora uma banda retoca jazz.
Sou alvejado por olhar sorrateiro,
num rosto de sorriso genuíno.
Chove dopamina.
Um pouco de vinho com sabor de monotonia,
quebrado pelos primeiros toques sutis.
Avalanche de miotomias,
Meu olfato perfura o neocórtex sem dó.
Nela, os mamilos eriçados evidenciam a hecatombe sensual.
Os corpos vão se experimentando com familiaridade surpreendente.
Quase uma arritmia fulminante.
Ela mia, lambuzada na ocitocina.
Cheiro de vida,
Percepção táctil plena.
Um devaneio.
Sem rodeio.
Com receio.
Do que não veio.
Que sufoco! Louco!
Ela canta.
Me encanta.
Mas vaporiza,
emudece,
e mimetiza.
Não cicatriza...
Quero minha cota de Alzheimer,
para esquecer o que cala,
a lembrança que me embala.
Nem mesmo a conversa descontraída consegue amenizar
a compulsão de um olhar entrelaçado.
O pensamento todo emaranhado.
A boca cobiçando outros lábios,
não disfarça o apego irracional,
numa tarde que escorreu pelos nossos corpos.
O táxi chegou.
O encontro furtivo se esvai pela ponta dos dedos,
que se afastam levemente.
A hesitante despedida
nos mantém clandestinos, enviesados,
retorcidos e embaraçados.
Talvez amedrontados...
Em meio a tanta pandemia, e depois de caminhar meus 10.000 metros diários, a passos de tartaruga, quis tomar minha segunda dose de esperança.
Quando tudo parecer perdido,
apenas um sussurro no teu ouvido, fará sentido.
Estarei morto sem ter morrido.
Ingredientes necessários para uma boa relação:
Respeito, confiança, transparência, e amor.
Um é alicerce para o outro.
Adicionar somente de forma natural,
Não invista tempo de vida impondo esta receita em toda relação.
Ao invés de cobrar compulsivamente,
dedique-se a retribuir verdadeiramente,
para quem faz isso de forma espontânea com você.
Facilita para todos!!