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09 agosto, 2026

HA, RÁ, RA...

horinhas de descuido...
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quando em momentos fugazes de alegria não damos conta do passar do tempo, 
estamos plenamente engajados no estocástico processo divino que nos faz existir—experimentando aquela " Felicidade que se acha é em horinhas de descuido", 
como diz Guimarães Rosa (Grande Sertões: Veredas). 

Que a gente se permita muitos outros cafés com água e muita conversa...

27 novembro, 2020

Madrugada








Prefiro meu corpo contorcido em convulsão, 

minha mente apavorada, boca retorcida, 

pele em carne viva e alma excomungada,

à fantasia de imaginar:


Os caminhos e descaminhos das tuas entranhas, 

percorridos por outras mãos,

Teus prazeres insuflados por outras bocas,

Tua alegria infiltrada por outro alguém, 

Um esbaforir de felicidade clandestina sem mim.


Que medos profundos me açoitam,

Que olhares roubam o meu viver

Que preces alimentam a minha fé

Você sem eu…


E ainda nem amanheceu...

29 dezembro, 2019

Hiato 15@nual

Nada pode evitar…
pela segunda vez me apaixono pelo mesmo corpo, 
travestido de uma mulher diferente.
A maturidade dilui um abismo de dores que, no passado, 
reverberam entre dunas, remodeladas continuamente.
Sopra vento ardente.
A cumplicidade é testemunha acima de qualquer suspeita.
Muito empatia, para superar hábitos solitários.
Muita aspirina para sobreviver o momento de dor.
Medo, carinho e muito afago…
Concordando em discordar,
Harmonia nos opostos da mesma direção.
Muita fala, cheia de abundância de risos, risadas e piadas.
Do jeito que a vida é.
Indisfarçavelmente divertida na dor e cheia de ardor.
Eu com ela,
Ela comigo.

Um simples amor antigo.

10 junho, 2019

Ad n.aeternum

Corpos emaranhados entre almofadas desbotadas,
Desarrumadas pela vida clandestina.
A penumbra amarelada pela luz combalida da madrugada,
o sexo casual está vazando um pouco de amor consensual.
Os desencontros do passado são exorcizados no presente,
com risadas de cumplicidade, alegres e furtivas.
Nossos corpos desalinhados pelo tempo, desgastados pela vida,
vão se enveredando pelas entranhas, agora estranhas.
Formas que a mão esquece, mas que a mente relembra.
Tempo que avança e trai a lembrança do
sentimento que não envelhece, apenas empalidece.
Aquece, reaquece e não se esquece.
Um pouco de paz, no caos de lucidez organizada.
Resiliência impaciente...plenitude sem fulminação.

17 abril, 2016

uni LI teral

A exuberância quase faz esquecer o par de horas de atraso.
Mesmo sem pupilas dilatadas, nem carinhos roubados,
fico enebriado pelo sorriso alvejado com bicarbonato.
Arrisco uma proposta de convívio conjugal sorrateiro,
compartilhando espaço sem fiador, e nem conversa fiada.
Acareado com a matilha, fui  preterido.
Depois de muito riso, ergue-se placa de aviso: No trespassing !
Para jantar pedimos "Fiori de mussarela de búfala al limone" ao sugo,
Uma delícia...
Faltou um sorvete de sobremesa, para congelar meu desejo,
e um beijo de despedida, para dar sentido à vida,
sem paixão desmedida.
Aparente tentativa de escambo corporal.
Um desejo quase unilateral...



30 dezembro, 2015

Encontros Clandestinos

Gostaria de ter dito para ela ficar um pouco mais.
Cade a desenvoltura, o jogo de cintura?
Tudo desnorteado pela implosão tegmental.

Um enxame de gente desorientada pelo chuvisco,
Despencando pela escada-rolante,
Esfolando alma que não tenho.
Paralisia na catarse, congelando o tempo.
Novo roteiro, com gosto de passado sufocado.
Assustado, permaneço desconfortavelmente feliz.
Atormentado por sentimentos clandestinos…
Diante deste olhar pertubador.
Com pupilas dilatadas, sorrindo sem parar.
Avalanche de pensamentos libidinosos.
Inicio de uma viagem sem mala, nem passaporte.
Percorrendo artérias, oxigenando vida agonizante.

Voltei meu olhar para resgata-la ainda no horizonte.
Aflita, ela já tinha se mesclado na multidão caótica.

Fico só com a vontade de ter ficado para sempre.
Como nada é eterno,
Melhor ficar interinamente, só até a próxima encarnação.
Inquietude desestabilizada pela existência além do cotidiano.
Um lento perambular.
Vou encarar?