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29 dezembro, 2019

Hiato 15@nual

Nada pode evitar…
pela segunda vez me apaixono pelo mesmo corpo, 
travestido de uma mulher diferente.
A maturidade dilui um abismo de dores que, no passado, 
reverberam entre dunas, remodeladas continuamente.
Sopra vento ardente.
A cumplicidade é testemunha acima de qualquer suspeita.
Muito empatia, para superar hábitos solitários.
Muita aspirina para sobreviver o momento de dor.
Medo, carinho e muito afago…
Concordando em discordar,
Harmonia nos opostos da mesma direção.
Muita fala, cheia de abundância de risos, risadas e piadas.
Do jeito que a vida é.
Indisfarçavelmente divertida na dor e cheia de ardor.
Eu com ela,
Ela comigo.

Um simples amor antigo.

10 junho, 2019

Ad n.aeternum

Corpos emaranhados entre almofadas desbotadas,
Desarrumadas pela vida clandestina.
A penumbra amarelada pela luz combalida da madrugada,
o sexo casual está vazando um pouco de amor consensual.
Os desencontros do passado são exorcizados no presente,
com risadas de cumplicidade, alegres e furtivas.
Nossos corpos desalinhados pelo tempo, desgastados pela vida,
vão se enveredando pelas entranhas, agora estranhas.
Formas que a mão esquece, mas que a mente relembra.
Tempo que avança e trai a lembrança do
sentimento que não envelhece, apenas empalidece.
Aquece, reaquece e não se esquece.
Um pouco de paz, no caos de lucidez organizada.
Resiliência impaciente...plenitude sem fulminação.

18 agosto, 2016

Encontros Clandestinos II

um abraço,
um laço,
as bocas se entreolharam,
num só compasso,
que repasso,
sem cansaço.

tateando a realidade,
sem idade.
nos becos,
raspando até doer,
cheio de verdade informais.
inebriado de pura vontade,
que parecia adormecida.
Só eu e Clarice experimentando
- Plenitude, sem fulminação!
um torpor que me habita assustado,
na inquietude das falsas alegrias,
resgatando a paz,
fugaz.

Mais tarde, na saída do mercado,
um pedinte quase me usurpa a euforia inventada.
Passei sorrateiramente, disfarçado de sombra...

foi por um triz…

07 abril, 2013

Felicidade Camuflada

Salto alto.
Potoc, Potoc, Potoc, Potoc, Potoc, Potoc, Potoc.

Agora parada a garota emperequetada pensa:
O que voces estão olhando !!!!
Será que nunca viram?!?!?!?!
Que culpa tenho eu, se quem projetou esta espelunca não pensou em colocar um tapete (vermelho, é claro!!) para aveludar minha desfilada?
Puxa vida gente, porque vocês não aproveitam o privilégio para idolatrar a minha beleza, elegância e muita finesse!
Que culpa tenho eu se minha sensualidade apetece e minha estética seduz!
Nossa quan-ta gen-te!!!! Se soubesse teria vindo com uma roupa simples, sem luxo, tipo carismática...
Mas onde está o homem que me interessa?
Espero que não seja um destes caras com olhar "maniaco do parque"!
Perto dali, a 10 metros, ele todo sarado (bombado e abobado) desce lentamente o vidro peliculado, sob pretexto de enxergar melhor...em realidade, ser melhor percebido.
O carro é branco, numa tentativa de emular um "taxi" em busca de passageiro que paga com sexo fácil, mal feito, mas invejável.
De óculos Rayban, perfume, pulseira e relógio que sai na revista "Caras", ele pensa (sic!!!):
Mas onde está esta mulher que eu vou pegar para contar aos amigos?
Espero que não seja uma dessas alpinistas sociais, equipada com seios anti-colisão, voz anasalada e olhar de atração fatal !!!
Ele chega e avalia cada bunda.
Pena que ela não era privilegiada na área lombar, passou despercebida.

Ainda desfilando cumprimenta uma amiga melhor vestida, e lança um olhar falante:
-Essa periguete sem classe !!!!!!
O sentimento de humilhação, percorre as vísceras e deflagra uma retirada.
Já em casa, ao celular com outra amiga:
- Táva um saco!! Não tinha ninguem interessante.
Só aqueles caras bobos olhando para minha perseguida, escondida de soslaio dentro da mini-saia justa.
Todos com apetite de prisioneiro em dia de indulto.

Depois de uma rodada solitária de drinks,
ele também volta para casa, bêbado.
Conversa com um amigo no elevador:
- Não tinha uma mulher gostosa!! Só dragão...
Mas tem uma festa de arrebentar amanha.
Vamos pegar todas?

E assim, o processo de busca encantado vai se repetindo desarticulado, prestigiando a mentira da aparência,
Sem enxergar a verdade da essência de cada ator.