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15 outubro, 2020

Após sentado







Outrora eu sonhava...

Agora todos os dias são marasmo.

Cheio de notícias repetidas, 

e antigos protagonistas.

Mesclados na cadência de um eterno desajuste.

O mundo em catarse pandêmica me contamina.

Marte, parado me espera, enquanto ela se afasta

E se despede injuriada.

Sem consenso, sem lenço.

Isolamento social.

Agora distanciamento emocional.

Sem abraço, com orgulho, sem complacência.

O trem está partindo...também o meu coração.

Sai em busca de alento para nutrir os buracos da alma.

Sem futuro, em cima do muro,

Em catarse, eu coágulo...


03 junho, 2018

MORTE conVIDA

Procuro minha mãe no antigo corpo dela.
Mas sinto falta:
Da teimosia, que tanto me irritava,
Da religiosidade irracional.
Do chamar afetuoso do meu nome composto.

Forma dolorosa de perceber a irreversibilidade temporal.

Fica a lembrança forte do antigo habitante daquele corpo.
Que parece ter viajado e esquecido a carcaça para traz,
perambulando entre um cochilo e a próxima refeição.

Dormir e vegetar.
Dormir e a vida ejetar.
Ausencia com presença.
Morte com vida que insiste em continuar mesmo sem vontade.
Velório onde o defunto por vezes balbucia e fala sem sentido.

Durmo com esperança de que talvez amanhã
O aleatório conecte as antigas sinapses,
Ainda que seja apenas para lhe dizer:
Adeus

18 agosto, 2016

Encontros Clandestinos II

um abraço,
um laço,
as bocas se entreolharam,
num só compasso,
que repasso,
sem cansaço.

tateando a realidade,
sem idade.
nos becos,
raspando até doer,
cheio de verdade informais.
inebriado de pura vontade,
que parecia adormecida.
Só eu e Clarice experimentando
- Plenitude, sem fulminação!
um torpor que me habita assustado,
na inquietude das falsas alegrias,
resgatando a paz,
fugaz.

Mais tarde, na saída do mercado,
um pedinte quase me usurpa a euforia inventada.
Passei sorrateiramente, disfarçado de sombra...

foi por um triz…

30 dezembro, 2015

Encontros Clandestinos

Gostaria de ter dito para ela ficar um pouco mais.
Cade a desenvoltura, o jogo de cintura?
Tudo desnorteado pela implosão tegmental.

Um enxame de gente desorientada pelo chuvisco,
Despencando pela escada-rolante,
Esfolando alma que não tenho.
Paralisia na catarse, congelando o tempo.
Novo roteiro, com gosto de passado sufocado.
Assustado, permaneço desconfortavelmente feliz.
Atormentado por sentimentos clandestinos…
Diante deste olhar pertubador.
Com pupilas dilatadas, sorrindo sem parar.
Avalanche de pensamentos libidinosos.
Inicio de uma viagem sem mala, nem passaporte.
Percorrendo artérias, oxigenando vida agonizante.

Voltei meu olhar para resgata-la ainda no horizonte.
Aflita, ela já tinha se mesclado na multidão caótica.

Fico só com a vontade de ter ficado para sempre.
Como nada é eterno,
Melhor ficar interinamente, só até a próxima encarnação.
Inquietude desestabilizada pela existência além do cotidiano.
Um lento perambular.
Vou encarar?