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30 agosto, 2016

Niilismo* da madrugada

Em meio a noite,
Desperto aniquilado.
Leito frio.
Vazio.
Apenas o barulho essencial,
do humano animal.
Vagando no vazio,  condenado em órbita solar
Preso com "sintos" de segurança à solitária existência.
Decodificando o passageiro ao lado,
que pensa sem querer, o que não quer pensar.

A sobrevivência nos camufla e protege.
A todos.
Sem carência.

Na crença,
Desavença.
Que cativando,
nos adestra, sem pressa.


(*) goo.gl/gC14CN

18 agosto, 2016

Encontros Clandestinos II

um abraço,
um laço,
as bocas se entreolharam,
num só compasso,
que repasso,
sem cansaço.

tateando a realidade,
sem idade.
nos becos,
raspando até doer,
cheio de verdade informais.
inebriado de pura vontade,
que parecia adormecida.
Só eu e Clarice experimentando
- Plenitude, sem fulminação!
um torpor que me habita assustado,
na inquietude das falsas alegrias,
resgatando a paz,
fugaz.

Mais tarde, na saída do mercado,
um pedinte quase me usurpa a euforia inventada.
Passei sorrateiramente, disfarçado de sombra...

foi por um triz…

20 setembro, 2015

Passa...tempo entre olhares

Um olhar flutua repleto de desejo entre olhares saciados.
Ela também me olha...ou me encara com desprezo e convicção de que bastaria correr para se livrar do assedio de lobo mau, das minhas garras envelhecidas morosas e preguiçosas, porem famintas de tecido conjuntivo rígido e debutante.
Nem a truculência do meu olhar perverso, cheio de maldade 'boa', consegue mobiliza-la.
Ela já esta imobilizada pela vida...

Mais tarde, fui comprar um pouco de felicidade temporária.
Mas nem a sala escura sustentou as pálpebras abertas, cheias de falta de vontade.
Me surpreendo com alguem sentado ao lado, na montanha russa existencial.
Espero que não encene um grito apavorado, como orgasmo fabricado.
Mas que pegue na mão apertado e mostre no rosto um sorriso esbanjado.

Lufadas de vento me lambendo, vão resfriando minha carcaça oxidada.
Minhas ideias se espalham caóticas, como poeira de grãos cósmicos.
Dançando sem trégua em torno de um buraco negro,
Num cansativo ritual de sobrevivencia, quase sempre imortal.
Só a morte nos liberta da implacável vida, que autoritária, nos escraviza a viver.
Temos que ser no plural.
Temo ser no plural, apenas parte de uma manada.
Que nada...