Feliz dia daqueles que se inventam no outro, dividindo não o tempo, mas o espanto de existir lado a lado.
Feliz é quem sorri pelo susto de ter te encontrado — uma calmaria que também é abismo. Porque quem quer, quer apenas o ser.
O jantar? O restaurante é um pretexto burguês, uma moldura inútil.
Quem quer sair com você não busca a geografia das mesas postas, mas a geografia do teu rosto. Onde? Não importa onde. O lugar é um detalhe que se apaga diante da urgência da presença.
Conversar com você é despir-se de protocolos. É tocar o avesso das palavras.
Quem quer de verdade quer a tua verdade: aquela que surge no atrito da discórdia, no desassossego de não pensar igual, mas sentir junto.
E acordar com você... ah, acordar com você é o milagre de partilhar o amanhecer, mesmo que a noite tenha sido um longo e lúcido insone.
Porque o amor não dorme. O amor vigia.

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