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24 dezembro, 2017

Natal 2017 (antecipado)

ChristmasSelfie














A experiência de ser objeto de cuidado, me faz hesitar.
Puro orgulho.
Logo tudo sucumbe ao carinho de cada gesto,
ao aconchego de cada fresta,
e à sincronia dos talheres e guardanapos alinhados à mesa.
Meu coração hesita entre arritmia e taquicardia,
Ignorando placidamente o bloqueador de canal de cálcio.
Fico entorpecido e dilacerado pelo ambiente translúcido,
onde a Felicidade tem indulto de Natal,
sem precisar de habeas corpus do Ministro Gilmar.

Uma conversa sem compromisso aqui,
outra tagarelice sobre o frio sem chuva, alí.
Olhares cúmplices e sorrisos maliciosamente desviados.
Gin tônica elaborado com Fever Tree,
Para entorpecer apenas nossa insensível dureza,
e deixa fluir a fraterna humanidade.
Gratitude, por estar vivo sem perceber,
e alegre sem conceber.
Entre mãe, irmã, filhos, sobrinha, genro e nora,
tudo vai se mesclando confusamente,
como devem ser todos os almoços em família.
Sem acidentes, nem percurso...
Desengonçados e fugazes,
mas profundamente repletos de alegria marginal.


Gestos sedentos de significado,
vão sufocando a distancia do espaço-tempo,
que nos une implacavelmente.
Sensação de dever cumprido,
vendo filhos humanamente imponentes.
Claro que o phablet com leitor de íris,
sensível a intenção de pensamento,
me inebria e acalenta o sonho de consumo resiliente…


Ao fim de tudo permanecemos vivos, ao relento, e
com a mente embriagada pelo presente.
Pela presença espontânea do outro no roteiro da sua vida,
ainda que você seja apenas coadjuvante principal.

Bora juntos e enfrentar 2018 !

30 setembro, 2017

Fim de semana

Parecia anos 80, indo para ilha velejar.
Todos juntos, embora separados.
Cintos apertados, joelhos colados.
O velho Jaguar quase flanando por dutos congestionados.
Minhas narinas também constipadas acompanham o fluxo.
São Paulo vai virando lembrança.
Só aparece no retrovisor do motorista, que evita exibir suas habilidades de piloto.
Teme compartilhar compulsoriamente, do conteúdo estomacal da passageira quase enjoada
Atrás, os cotovelos se tocam e o rola coxa vai se estreitando
Pois sem radar moralista,
o limite da intimidade é facilmente ultrapassado.
A conversa começa falando dos ausentes,
Troca de rumo e tripudia os presentes.
Na platéia, com maioria esmagadora masculina
Vem a tona, uma torpe analogia sobre pilotar um bólido no simulador,
Ser equivalente a namorar uma selvagem no leito.
Com algumas vantagens para a pista simulada:
Reset imediato frente a um malabarismo mal sucedido...
E a vantagem fundamental: não precisa achar desculpas para brochada...
Passam duas horas, que parecem apenas 30 minutos.
Chegamos!
Agora basta seguir o Manual dos Ritos de Felicidade:
Jacuzzi ao relento.
churrasco opulento,
e lancha ao vento.
Os mais idosos relutam...
Os audazes gritam frases motivadoras:
- A bichona não quer molhar o bacalhau?
Logo, os idosos com brio, acabam cedendo...
Muito euforia, espumantes no copo, fumantes ao fundo,
Tudo, expandindo sem limites, o imaginário coletivo.
Confidências, inferências, fuxicos.
A chuva aperta, e catalisa a libidinagem.
Pés entrelaçados, mas olhos camuflados.
Até que alguém sai cambaleante,
Como se houvera saído de uma luta de MMA,
Bunda a mostra, e a cabeça em maresia.
O corpo desacostumado a relaxar,
Pede arrego,
Pede repouso,
Finalmente,  eu ouso.
Procuro uma Casa de Repouso...