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09 dezembro, 2020

DESNUDOS









A atração bioquímica é implacável, inegável e inevitável.

Resistiu dezenas de anos... 

A amizade leal e indestrutível, também resistiu.


A musa idealizada é desnudada para dar espaço a mulher sem filtro.

O namorado indolente se transforma em homem plácido e confiante.

Em meio a verdadeiras palavras não ditas, mas pensadas nas entrelinhas, emerge uma nova relação de amor, que pode ser de companheirismo, parceria, 

ou apenas amizade reformulada, fortalecida e genuína.

Entre o meu eu e o teu, fica o meu teu, comigo em você.


O hábito de namorar só no fim de semana, sobrecarrega e sufoca o restante da semana numa indesejável ausência.


Amantes desnudos, sem filtro em busca da plenitude sem aniquilação, 

num futuro sem presente.

Estar para sempre com a essência,

Sem carência,

Só consciência.

Transformação bilateral,

com chamego incondicional.

06 dezembro, 2020

Pizza pressentida

 

Melancolia







Tua tristeza sufoca meu fôlego,

Aniquila nossa resenha.


Voce sem meu abraço, é descompasso.


Eu sem teu rabicho, apenas um bicho.


Nós sem conosco, um enrosco.


27 novembro, 2020

Madrugada








Prefiro meu corpo contorcido em convulsão, 

minha mente apavorada, boca retorcida, 

pele em carne viva e alma excomungada,

à fantasia de imaginar:


Os caminhos e descaminhos das tuas entranhas, 

percorridos por outras mãos,

Teus prazeres insuflados por outras bocas,

Tua alegria infiltrada por outro alguém, 

Um esbaforir de felicidade clandestina sem mim.


Que medos profundos me açoitam,

Que olhares roubam o meu viver

Que preces alimentam a minha fé

Você sem eu…


E ainda nem amanheceu...

20 novembro, 2020

Tes0uros Profundos


Um salto inadivertido 

Um mergulho em minhas profundas aguas turvas

Faço contato

Parece um baú cheio de falsos tesouros:

Um colar cheio de insegurança,

Um relógio com medo de frustração,

Um spray contra rejeição,

Uma pulseira com pavor de manipulação.


Mais no fundo vislumbro uma sereia 

fazendo anoitecer nos abissais.

e apressando o contato

no ato

sofrer para fortalecer

amar para viver

meu nucleo está trincado, 

adulterado,

remendado. 

Agora são apenas cicatrizes


Volto a tona e me livro do baú.

mergulho revelador

exorcismo atroz

Me liberta e me guia

Para além da hesitação.

Inquietude aplacada,

Falta de coragem afogada.



13 novembro, 2020

Chegada da Partida








Desperto estraçalhado. Faltando um pedaço...

Era você que já havia se levantado para viver.

Fico amedrontado,

Mas prevalece a coragem dos que não tem nada a perder.

Saio alquebrado, e sem destino,

Com dor e desatino.

Temendo amar tanto assim.

Fica um beijo confiscado em lábios selados.

Um abraço solto.

Um amor de perdição.

Um desarranjo sem muro,

Sem perspectiva no meu futuro.

Viceras expostas.

Morte em vida,

Minha alma banida.

15 outubro, 2020

Após sentado







Outrora eu sonhava...

Agora todos os dias são marasmo.

Cheio de notícias repetidas, 

e antigos protagonistas.

Mesclados na cadência de um eterno desajuste.

O mundo em catarse pandêmica me contamina.

Marte, parado me espera, enquanto ela se afasta

E se despede injuriada.

Sem consenso, sem lenço.

Isolamento social.

Agora distanciamento emocional.

Sem abraço, com orgulho, sem complacência.

O trem está partindo...também o meu coração.

Sai em busca de alento para nutrir os buracos da alma.

Sem futuro, em cima do muro,

Em catarse, eu coágulo...


07 junho, 2020

Despedida

Quando a melancolia é única esperança,
sonolência é sinal de vitalidade,
Sobrevivência é rotina.
O estado não governa e só brinca no picadeiro.

Pessoas entorpecidas de corantes, aromatizantes, 
conservantes ou conservadores.
Anarquistas disfarçados de ativistas.
Ativista dissimulados de politizados.
A única coisa que resta é polarização.
Chicote na população,
Bolinação sem sexo,
Sexo sem amor,
Amor sem calor,
Ardor sem frescor,
Frescor sem valor,
Tudo desamor.

Alguns morrem de fome.
Outros de excesso de alimento entupindo as veias.
Enquanto alguns morrem com vírus
Outros morrem em vida, 
viralizando uma catarse perene.

Depois de toda jornada, 
sobra apenas a carcaça em descompasso, descontrolado.
No leito, descansa entubada a sobrevivente retorcida pela vida,
que teima em continuar por um suspiro.
Mas segue feliz, por não ter mais a obrigação de viver o amanhã,
e confiscar a atenção dos afogados na insensatez.
Nós, que equivocadamente continuamos inertes, esperamos nossa vez.
.
Um pouco de sanidade, sempre nas lembranças. 
Amor nos tempos da pandemia.

O Sistema mantém o contemporâneo desprezo pelo humano, 
a meritocracia pelo desumano.
A mão que açoita forte durante a vida,
quer acalentar sem piedade no momento da morte,
apenas para aplacar a culpa de quem continua vivendo.
Um derradeiro Golpe de Mestre.
Sem compaixão de acomodar na UTI.
Na caminhada final tratamento VIP com morfina,
sem desconforto. 
(de quem?)
Um suspiro. 

Um aborto de quem já estava morto.

Pax

29 dezembro, 2019

Hiato 15@nual

Nada pode evitar…
pela segunda vez me apaixono pelo mesmo corpo, 
travestido de uma mulher diferente.
A maturidade dilui um abismo de dores que, no passado, 
reverberam entre dunas, remodeladas continuamente.
Sopra vento ardente.
A cumplicidade é testemunha acima de qualquer suspeita.
Muito empatia, para superar hábitos solitários.
Muita aspirina para sobreviver o momento de dor.
Medo, carinho e muito afago…
Concordando em discordar,
Harmonia nos opostos da mesma direção.
Muita fala, cheia de abundância de risos, risadas e piadas.
Do jeito que a vida é.
Indisfarçavelmente divertida na dor e cheia de ardor.
Eu com ela,
Ela comigo.

Um simples amor antigo.

16 dezembro, 2019

Um Ab1ação, do fundo do coração

Sobre minha estadia no Instituto dos Sentimentos (coração):

Domingo à noite antecipo meu check-in. Exatamente uma hora antes do agendado, estou pendurado no balcão de atendimento e a senhora desanimada pergunta o que estou fazendo.
Me parece esquisito, mas ninguém procura um hospital no domingo à noite para jantar ou assistir filme?
Mantive a postura e me resignei com a informação de que minha ficha não havia descido, eu entendi "caído".
O estado de saúde não faz parte do contrato a ser assinado. Vários anexos confirmam a possibilidade de cobrança futura e garante a liquidação ainda que judicial.
Por sorte meu companheiro de quarto já tem muito know-how, familiaridade com o local e pode ensinar como se muda a cama de posição, ainda que no mesmo lugar. A 1:30hrs  da manhã eu acordei e não consegui mais dormir o sono dos justos. Fiquei às voltas com meu projeto imaginando soluções mirabolantes para ter aumento nas vendas, muito mais importante do que ensinar a aprender.
O sol aparece e com ele toda esperança de uma erradicação das partes inconvenientes do meu cofre de sentimentos. Uma RF aqui, um eletrodo ali, e tudo volta ao normal sem os repiques desnecessários. Desço e me deparo com o interrogatório cujo objeto é ainda confirmar o que já está escrito na ficha médica onde não consigo explicar a diferença entre 2 e 3. Já na sala cirúrgica  alguém dá falta de uma placa metálica que parecia poder me poupar da morte por eletrocussão. Sorrateiramente a enfermeira faz um sinal indicando situação de alerta. Todos, menos eu, vão para uma sala de hermética de onde os homens comuns saem com aparência Divina. Depois de um longo conluio secreto, vem o decreto. Um deles se aproxima também sorrateiro com ar matreiro e se vangloria como portador que Novos Horizontes:  foi suspenso o churrasco dos sentimentos até segunda ordem! Minha expressão facial faz o interlocutor se esforçar em desculpas, clinicamente bem amparadas. Volto ao leito já frio e vazio de acolhimento. Já espera de outro paciente. Um outro médico fala sobre o meu futuro: uma cintilografia seguida de angioplastia ou vice-versa, terminando com uma boa Ablação. A enfermeira da noite oferece um coquetel de pílulas, em quantidades excessiva... não me  oponho apenas por solidariedade à profissional.
A nutricionista, seguindo ordens médicas serve cafeína disfarçada de café com leite. Sou desqualificado, pois na usina de decaimento de Prótons, não é permitido ter cafeína na rede sanguínea!!! As enfermeiras se mesclam com nutricionistas fisioterapeutas, médicos e vão aparecendo num transmutando caleidoscópio humano da Saúde.
Medicam, aplicam, medem, anotam, examinam, apalpam, e fazem relatórios, e relatórios sobre os relatórios. A gente melhora só  para não ter que ficar no quarto, só para não ter um infarto. Parece que tudo ruiu ou foi o muro inteiro que partiu.
 Acordo sobressaltado pela minha motorista de carreira de carteira comprada que me deixa novamente em minha sina nuclear... a Fernanda do Stress topou fazer uma animação explícita para pacientes aguardando na sala de espera, ao invés de serem torturados com as futilidades do louro da Ana Maria Braga.
À tarde a Dona Conceição nos visita e propõe um corte, não de recursos, mas de cabelo. Ela corta a juba conta história sobre outros impacientes. Tirei uma foto. Tiramos fotos para congelar o astral.
Por enquanto estou me esforçando para ser algo diferente do ID XXX225.
Começa a espera do laudo que é algo que ninguém sabe quando fica pronto, quem assina, quem acessa, mesmo sendo algo que só diz respeito ao paciente que vira impaciente. Acho que vou andar pelo hospital pois fico trabalhando móvel e remotamente, e percebendo que tanto faz local de trabalho porque a ineficiência é a mesma.
Um batráquio finge trabalhar dando notícias velhas com a retórica do ufanismo novo.
Outro, pergunta sobre o último item da lista de 30 urgências, sem se preocupar com as 29 anteriores.
Levo um tempo explicando que entupimento de 80% significa que o raio de passagem do fluxo é 50% menor que o raio original da veia, coisas da matemática...que foge da lembrança de todos.
Próximo passo é dilatar, completar, e vazar. Depois daremos atenção para indecisa Arritmia.
Yesssssss! Estou de alta provisória!!!
Mas em 05 minutos já estou de baixa… pois meu retorno está previsto somente para 2020.
Alguma alma se compadeceu da minha sina e operou o milagre do encaixe através dos Deuses lá de baixo. Vão aproveitar da minha presença no hospital, em período sabático compulsório, para dar continuidade aos procedimentos....ufa!!!!
Sigo no quarto, na cama com a RITA que MIA….
No fds tem +
Depois de uma obediente estadia, veio o Dia da Ablação @Final!
Agora em casa, posso desfrutar a minha cozinha, que parece prateleira de farmácia de bairro.
Apenas a virilha lembra o passado recente.
Infelizmente o spa hospitalar acabou, estavam todos a espreita para retomar as contas, as besteiradas do Capitão, a Greta ninfeta do Esquecimento Global, educação sem aprendizagem, inflação de egos, e outros restos humanos desqualificados, em busca de juros mais baixos, na ilusão que tudo não funciona apenas porque eles são altos demais.
Boleto pago, falsas amizades e boas companhias.
Vidas fluindo entre carcaças desumanas, estancadas, espancadas, espantadas, desnorteadas, excomungadas, quase todas de mãos atadas.
Natal feliz só precisa de rabanada, e mais nada. 

07 setembro, 2019

REFLEXÕES

Enquanto eu, impávido, saboreava a lembrança de um simples beijo, todo resto do planeta despencava afoito pelo universo a fora, sem me conceder um momento de reflexão inerte.


10 junho, 2019

Ad n.aeternum

Corpos emaranhados entre almofadas desbotadas,
Desarrumadas pela vida clandestina.
A penumbra amarelada pela luz combalida da madrugada,
o sexo casual está vazando um pouco de amor consensual.
Os desencontros do passado são exorcizados no presente,
com risadas de cumplicidade, alegres e furtivas.
Nossos corpos desalinhados pelo tempo, desgastados pela vida,
vão se enveredando pelas entranhas, agora estranhas.
Formas que a mão esquece, mas que a mente relembra.
Tempo que avança e trai a lembrança do
sentimento que não envelhece, apenas empalidece.
Aquece, reaquece e não se esquece.
Um pouco de paz, no caos de lucidez organizada.
Resiliência impaciente...plenitude sem fulminação.

09 março, 2019

Fracos X Fortes


Homens fortes subestimam homens fracos.
Ainda assim, homens fortes aplicam golpes e truques,
para subjugar outros homens fortes.
Todos homens fracos apontam no homem forte, a culpa da fraqueza deles.
Todos procurando um homem forte e justo neste arremedo de humanidade,
codinome: Civilização.
Difícil sufocar a compulsão do vômito latente...
Que só os fracos tem força para sufocar.
Somente semente, que mente,  demente e sem noção.

19 dezembro, 2018

STEM: poesia na Aprendizagem


Salvador Nogueira fala sobre STEM, entrevistando Jaci Cruz e Manoel Belem

17 novembro, 2018

HAIKAI tropicalizado

Respira,
aspira,
transpira,
inspira,
expira,
pira!
sem ira,
só 'nóia',
paranóia,
para que?
Piraque!
com o que?
sem porque!
sem razão,
sem ração,
sem nação,
sem noção,
imitação,
limitação,
sem ação,
porque não,
em vão,
no vão,
da vida,
retorcida,
perdida,
descabida,
desnutrida,
só de ida,
com partida,
compartida,
com você,
sem sentido,
só para frente,
fazendo mais gente,
num parapente,
sem paraquedas,
estatelado,
morto, mas ressuscitado
escravizado,
estrebuchado,
desarrumado,
eu rumo,
sem rima,
sem rumo,
sem rumores,
só amores,
com dores,
mais Dolores,
meus amores...

08 outubro, 2018

Percepções

O braço que agita o chicote,
hipnotiza o açoitado tão fortemente,
Que a vítima não percebe perigo quando uma cobra solitária parada,
à espreita, está pronta para dar o bote.
Rebote,
retorce,
repete,
repetiu,
réptil...

27 agosto, 2018

Vivendo sem querer

Uma tarde ao léu,
cheia de trabalho forçado.
Sem lenço, porem com documento.
Amarrado no vazio da padaria,
que preenche meu estômago
e alimenta minha mente,
com Sonhos e Carolinas.

03 junho, 2018

MORTE conVIDA

Procuro minha mãe no antigo corpo dela.
Mas sinto falta:
Da teimosia, que tanto me irritava,
Da religiosidade irracional.
Do chamar afetuoso do meu nome composto.

Forma dolorosa de perceber a irreversibilidade temporal.

Fica a lembrança forte do antigo habitante daquele corpo.
Que parece ter viajado e esquecido a carcaça para traz,
perambulando entre um cochilo e a próxima refeição.

Dormir e vegetar.
Dormir e a vida ejetar.
Ausencia com presença.
Morte com vida que insiste em continuar mesmo sem vontade.
Velório onde o defunto por vezes balbucia e fala sem sentido.

Durmo com esperança de que talvez amanhã
O aleatório conecte as antigas sinapses,
Ainda que seja apenas para lhe dizer:
Adeus

04 abril, 2018

reVir@Volt@ 10concertante

Desconcertante tentar se aconchegar com quem precisa apenas de um intérprete para seu próprio script de felicidade controlada. Resta apenas uma história fugaz, contada no happy hour da empresa...

19 fevereiro, 2018

Pós CARNAVAL 2018


Fantasia veste a pele, mas não sacia.
Carnaval continua com o Bloco da Interdição na rua.
Já tem fila de espera para o abadá de 2019.
Blocos das Hienas está em alta.
Mas o destaque é a Mocidade Dependente.
Ala dos Presidentes está com escassez de integrantes.
Perde até para Ala das Baianas, muito rodadas.

De repente uma incauta criança emerge dançando...literalmente…
Sem escola, vida, ou futuro.
Todos em cima do muro.

Nos homens afloram as mulheres enrustidas.
Já as mulheres calibram o sensor de Cantada-Assédio.
Na rua a cara do Brasil sai da toca.
Não dá mais tempo de maquiar,
Pois a vida tem pressa.

Uma voz extraviada, cantando com paixão.
Sem contaminação, nem coreografia.
Sem cenografia. Apenas a voz sem trejeitos ensaiados.
Braços retorcidos escondendo olhos fechados.
Uma oportunidade para verdade da essência
superar a mentira da aparência.

Ainda sobra pouco para liturgia da existência.
Esperamos indulgência na demência.
Adultos brincando de Banco Imobiliário em Brasília,
Enquanto as crianças brincam de “aviãozinho”.

A humanidade subjugada pelo pensamento, além da conta.
Todos escravos da mente. Parte mais preguiçosa do corpo.
Como podemos confiar num cérebro,
que qualquer mágico de 5a. categoria consegue enganar…?!?!?!?

Mas logo vem as eleições…
E tudo vai ser diferente, do mesmo jeito.
Sem jeito.

Folião contumaz brinca no Bloco dos Palhaços o ano todo...

28 janeiro, 2018

19 Industries The Blockchain Will Disrupt

Direitos autorais para escritores e poetas...

07 janeiro, 2018

24 dezembro, 2017

Natal 2017 (antecipado)

ChristmasSelfie














A experiência de ser objeto de cuidado, me faz hesitar.
Puro orgulho.
Logo tudo sucumbe ao carinho de cada gesto,
ao aconchego de cada fresta,
e à sincronia dos talheres e guardanapos alinhados à mesa.
Meu coração hesita entre arritmia e taquicardia,
Ignorando placidamente o bloqueador de canal de cálcio.
Fico entorpecido e dilacerado pelo ambiente translúcido,
onde a Felicidade tem indulto de Natal,
sem precisar de habeas corpus do Ministro Gilmar.

Uma conversa sem compromisso aqui,
outra tagarelice sobre o frio sem chuva, alí.
Olhares cúmplices e sorrisos maliciosamente desviados.
Gin tônica elaborado com Fever Tree,
Para entorpecer apenas nossa insensível dureza,
e deixa fluir a fraterna humanidade.
Gratitude, por estar vivo sem perceber,
e alegre sem conceber.
Entre mãe, irmã, filhos, sobrinha, genro e nora,
tudo vai se mesclando confusamente,
como devem ser todos os almoços em família.
Sem acidentes, nem percurso...
Desengonçados e fugazes,
mas profundamente repletos de alegria marginal.


Gestos sedentos de significado,
vão sufocando a distancia do espaço-tempo,
que nos une implacavelmente.
Sensação de dever cumprido,
vendo filhos humanamente imponentes.
Claro que o phablet com leitor de íris,
sensível a intenção de pensamento,
me inebria e acalenta o sonho de consumo resiliente…


Ao fim de tudo permanecemos vivos, ao relento, e
com a mente embriagada pelo presente.
Pela presença espontânea do outro no roteiro da sua vida,
ainda que você seja apenas coadjuvante principal.

Bora juntos e enfrentar 2018 !

05 novembro, 2017

Domingo dormindo

Acordo, envolto pelo domingo de céu nublado.
Não é chuvoso, ensolarado, frio ou engaroado.
Apenas nublado e cinza,
como vida sem cor,
inodora e sem sabor.
Meu gato, ignorando a própria existência,
dorme e sonha colorido...

30 setembro, 2017

Fim de semana

Parecia anos 80, indo para ilha velejar.
Todos juntos, embora separados.
Cintos apertados, joelhos colados.
O velho Jaguar quase flanando por dutos congestionados.
Minhas narinas também constipadas acompanham o fluxo.
São Paulo vai virando lembrança.
Só aparece no retrovisor do motorista, que evita exibir suas habilidades de piloto.
Teme compartilhar compulsoriamente, do conteúdo estomacal da passageira quase enjoada
Atrás, os cotovelos se tocam e o rola coxa vai se estreitando
Pois sem radar moralista,
o limite da intimidade é facilmente ultrapassado.
A conversa começa falando dos ausentes,
Troca de rumo e tripudia os presentes.
Na platéia, com maioria esmagadora masculina
Vem a tona, uma torpe analogia sobre pilotar um bólido no simulador,
Ser equivalente a namorar uma selvagem no leito.
Com algumas vantagens para a pista simulada:
Reset imediato frente a um malabarismo mal sucedido...
E a vantagem fundamental: não precisa achar desculpas para brochada...
Passam duas horas, que parecem apenas 30 minutos.
Chegamos!
Agora basta seguir o Manual dos Ritos de Felicidade:
Jacuzzi ao relento.
churrasco opulento,
e lancha ao vento.
Os mais idosos relutam...
Os audazes gritam frases motivadoras:
- A bichona não quer molhar o bacalhau?
Logo, os idosos com brio, acabam cedendo...
Muito euforia, espumantes no copo, fumantes ao fundo,
Tudo, expandindo sem limites, o imaginário coletivo.
Confidências, inferências, fuxicos.
A chuva aperta, e catalisa a libidinagem.
Pés entrelaçados, mas olhos camuflados.
Até que alguém sai cambaleante,
Como se houvera saído de uma luta de MMA,
Bunda a mostra, e a cabeça em maresia.
O corpo desacostumado a relaxar,
Pede arrego,
Pede repouso,
Finalmente,  eu ouso.
Procuro uma Casa de Repouso...

15 setembro, 2017

Desolation . (by Bot Poet)

The frozen waters that are dead are now
black as the rain to freeze a boundless sky,
and frozen ode of our terrors with
the grisly lady shall be free to cry

07 setembro, 2017

APRENDIZAGEM

O aluno faz, o professor perfaz.
O aluno age, o professor reage.
O aluno posta, o professor reposta.
O aluno protagoniza, o professor é coadjuvante.
O aluno é o Aprendiz, o professor é o Mentor.
O conhecimento é construído coletivamente, e de maneira colaborativa.
TODOS aprendem, porque todos se rendem...



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