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09 agosto, 2026

HA, RÁ, RA...

horinhas de descuido...
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quando em momentos fugazes de alegria não damos conta do passar do tempo, 
estamos plenamente engajados no estocástico processo divino que nos faz existir—experimentando aquela " Felicidade que se acha é em horinhas de descuido", 
como diz Guimarães Rosa (Grande Sertões: Veredas). 

Que a gente se permita muitos outros cafés com água e muita conversa...

20 julho, 2026

KISS


E tudo não passou de um beijo, a kiss...
...de mentos, sem açucar, sabor menta.
Me lembrou pimenta.
Mas a gente tenta.
E se arrebenta...

12 junho, 2026

Dia dos eNamorados



 

 

 

 

 

 

 

 

 

Feliz dia daqueles que se inventam no outro, dividindo não o tempo, mas o espanto de existir lado a lado. 

Feliz é quem sorri pelo susto de ter te encontrado — uma calmaria que também é abismo. Porque quem quer, quer apenas o ser.

O jantar? O restaurante é um pretexto burguês, uma moldura inútil. 

Quem quer sair com você não busca a geografia das mesas postas, mas a geografia do teu rosto. Onde? Não importa onde. O lugar é um detalhe que se apaga diante da urgência da presença.

Conversar com você é despir-se de protocolos. É tocar o avesso das palavras.

Quem quer de verdade quer a tua verdade: aquela que surge no atrito da discórdia, no desassossego de não pensar igual, mas sentir junto. 

E acordar com você... ah, acordar com você é o milagre de partilhar o amanhecer, mesmo que a noite tenha sido um longo e lúcido insone. 

Porque o amor não dorme. O amor vigia.

 

16 fevereiro, 2026

Protagonista x Cenário




Mire e veja: o vivente, no descuido do destino, às vezes se desgoverna. A gente perde o estribo do próprio querer e o comando da alma se esparrama, feito rio que esquece o leito.

Nesse vago, a gente deixa de ser o centro do sertão de si mesmo para virar apenas a beira da estrada, um retratado na parede ou a sombra mansa que serve de fundo para a travessia de outrem. Pois, como se sabe, viver é negócio muito perigoso, e o mais difícil não é o galope, mas sim o não se deixar virar paisagem no olho alheio.

"O real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia."

03 fevereiro, 2026

Ausência e Presença (variações)

 





Por vezes tua ausência se faz presente em momentos de alegria, 
com lembranças do teu sorriso perplexo e teu olhar inebriado. 

Ainda assim nada aplaca o querer sentir teu calor ao meu redor. 
Adormeço lentamente...

 

 

G.R.


Às vezes, é no meio da alegria que tua falta se chega, sorrateira, feito vento no entardecer. Vem tua lembrança — o riso meio espantado, o olhar que se perdia no longe. E então o peito se acende num querer manso, danado, de sentir teu calor rodeando a solidão que mora em mim. E o sono vai vindo, pousando devagar, como quem se entrega à saudade. 

Por vezes, no meio da alegria do povo, tua falta vem e se assenta ao meu lado, quieta.
Lembro teu sorriso meio espantado, teu olhar meio bêbado de encanto, e o peito se acende num querer te sentir rondando meu corpo.
Até que o sono, mansinho, me pega pela mão e me adormece dentro da saudade. 

  • Microconto

Por essas horas de festa, quando o povo ri alto e o mundo parece ter se esquecido de qualquer dor, é que ela mais sentia: a falta dele dava sombra até no sol do meio-dia.
O riso dos outros batia nela feito vento em porta mal fechada, rangendo lembranças: o sorriso dele, meio perplexo, como quem não sabe se entra ou se vai embora; aquele olhar embriagado de encanto, que via mais longe do que a vista alcança.

A alegria, então, virava bicho arredio, dessas coisas que a gente tenta segurar na mão e escorregam por entre os dedos.
Porque por dentro o que havia mesmo era o querer — um querer danado, miúdo e imenso, de sentir o calor do corpo dele fazendo roda em torno da sua solidão.
Era como se o mundo inteiro fosse sertão de noite sem lua, e só o abraço dele pudesse acender estrela.

Ela se deitava cedo, mas o sono vinha tarde.
Ficava escutando o barulho do próprio peito, aquele trote de cavalo disparado na vaziez do quarto.
No meio da madrugada, a lembrança dele chegava mansa, se deitando ao lado, ajeitando lugar no travesseiro, sopro quente no cangote da saudade.
Então, pouco a pouco, o corpo cansado se rendia, e o adormecer era quase um milagre: como quem, enfim, encontra sombra debaixo de árvore antiga, depois de muito caminhar na aridez.

 

C.L.

Tua ausência existe. Presente em cada instante em que me descubro feliz — e, de repente, falta algo. O teu sorriso interrompe o tempo. O olhar, lembrado, me percorre como se ainda fosse agora. Eu tento esquecer, mas há o corpo querendo o teu calor — um gesto que nunca termina. Adormeço dentro da falta, suave e inteira.

Quando sou feliz, é aí que mais percebo tua ausência: ela entra com o teu sorriso lembrado, com o teu olhar ainda em mim.
Nada toca esse centro vazio que insiste em querer o teu calor ao redor do meu corpo.
Adormeço como quem abraça o que falta — e, estranhamente, descanso nisso.

  • Microconto

Às vezes a alegria dói.
Ela percebeu isso num instante qualquer — gente conversando, copos tilintando, uma música que não pedia nada além de um leve balanço do corpo.
De repente, no meio do riso, algo se abriu dentro dela: um espaço vazio, enorme, silencioso.
Era a ausência dele. Presente.

Lembrou-se do sorriso dele: não era só um sorriso, era uma pergunta.
Um espanto suave, como se ele nunca acreditasse completamente na própria felicidade.
E o olhar — aquele olhar — que parecia beber o mundo e ficar tonto.
Com essa lembrança, ela sentiu que o real se deslocava um pouco para o lado, como um quadro torto na parede.
Nada mais estava exatamente no lugar.

Ela queria o calor dele.
Não era metafórico: era a pele, a temperatura exata, o contorno do corpo ocupando o ar ao redor.
O desejo não era grandioso, era insistente, repetitivo, quase doméstico: a vontade de um abraço que envolve e fecha o zíper do mundo.
Sabia que não teria. Ainda assim, o corpo pedia, como quem pede água sem saber a palavra “sede”.

Quando voltou para casa, havia um silêncio espesso na sala.
Sentou-se na cama, sem acender a luz, como se a escuridão fosse uma forma de sinceridade.
Deitou-se devagar, tentando não fazer barulho, como se pudesse acordar a falta que dormia ao lado.
Pensou nele, mas não era exatamente pensamento: era uma presença imaginária percorrendo o contorno do seu corpo.
O sono não chegava; chegava apenas um cansaço fundo, uma trégua pequena.

Adormeceu por fim — não dentro da paz, mas dentro da ausência dele.
E descobriu que também se pode descansar aí: no lugar em que o que falta acaba sendo, estranhamente, tudo o que se tem.

 

 

 


12 dezembro, 2025

SUPETão de SOLIDão

 


Queria alguém a quem pudesse ligar sem precisar dizer quem sou.
Só para falar de nada, deixar a alma respirar,
e a mente, por um instante, acalmar.

Mas tudo o que tenho…
São milhares de nomes na agenda,
capazes de reconhecer minha voz,
mas incapazes de reconhecer minha essência.

Tenho amigos por perto,
mas distantes nos pensamentos.
Tenho filhos, queridos,
mas perdidos na voragem da própria vida.

Tive mulheres interessantes,
envenenadas pela ausência de amor.

Enfim, viver é enfrentar o próprio eu,
de maneira tão profunda e solitária
que só resta recomendar:
é isso mesmo que se recomenda.

28 novembro, 2025

Percepção...equivocada

Desejo      X       Admiração

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A paçoca não doeu.
Eu daria outras. Eventualmente, darei.
O que paralisou foi o clique. O estalo seco na arquitetura da percepção. A súbita vertigem de entender. Seu não-uso do presente. O chocolate não-agradecido. O descaso homeopático aos convites. Atrasos não-avisados. Perguntas suspensas no ar. Cumprimentos que não-explodem. Tudo. Uma estratégia. Comunicação silenciosa, gritando em outra frequência. Nada a ver com timidez. Tudo a ver com deliberação. Para o neurodivergente, a falha de interpretação é uma morte em vida. Um colapso da percepção, seguido pelo gosto de ferrugem da rejeição na boca da alma. Isto é apenas uma resposta. Um eco para não te deixar no vácuo. Sem julgamentos. Fique em paz. E ressoa em mim o Infante... Longe o Infante, esforçado, Sem saber que intuito tem, Rompe o caminho fadado. Ele dela é ignorado. Ela para ele é ninguém. Mas cada um cumpre o Destino – Ela dormindo encantada, Ele buscando-a sem tino Pelo processo divino Que faz existir a estrada. — Fernando Pessoa

16 novembro, 2025

Vazi0




A foto congela um pouso sem farfalhar,
Presença de ausência.
Depois, voou sem ruflar.
Me deixou no vácuo.
Sem o que nunca tive.
Sigo dilacerado. 
Escorregando na psique demente.
Sentimento incinerado.

15 outubro, 2025

H3L3N@

De vez em quando, 
o eco distante do sorriso meigo, 
o colapso emocional de cumplicidade, 
e o toque quase intencional, 
nos mostra a essência da vida.

Depois, 
tudo cai no esquecimento, 
prevalece uma contrição, 
e resta apenas continência.


Tudo resvala no ferimento, lambido, e aturdido pela conexão volátil de uma relação fugaz.

SUNO


 

14 setembro, 2025

T@mara que não caia

 


Depois de uma tarde de conversa fiada, entre um expresso e um chocolate sem açúcar, sem glúten, sem aromatizante, sem adoçante...mas com afeto. 
Você me confidenciou que agora é vegetariana, entre outras coisas... para tentar recuperar o tempo que já disperdiçamos. 
Em casa continuam as dissimuladas preliminares verbais...
Entre um copo d'água e um álbum de fotos,
nos perdemos nas horas. 
Resta agora, um sofá que denuncia as marcas de um corpo  com gosto da tua boca, fora do prumo, mas no rumo...
Entorpece a mente, demente, que mente carente, mas sente...
Pra frente, quente, calielente, de repente: Os Demônios da Garoa na versão onde 
Jaçanã fica em São José dos Campos. 
Boa viagem.
Até breve. Brevíssimo.

19 julho, 2025

Empregos na Zona Leste em Terrapólis !!



Breaking News  vagas de empregos na zona leste em Terrapólis!

A cidade de Terrapólis (10 bilhões de habitantes) tem enfrentado uma grande crise de emprego, causada pelo CEO da maior empresa da zona norte, a Redineq, que numa tentativa desesperada de atender a cobrança do conselho administrativo para que sua gestão retomar os níveis de lucro do passado, o CEO - Sr. Trampy Clown,  implementou então o ‘desconto adicional’  a ser cobrado diretamente na folha de pagamento dos sub-empregados da Redineq. 

Os sensacionalistas jornais de bairro têm se debruçado sobre este assunto como manchete diária de primeira página, apelidando de  “Descontaço”.

Em contrapartida, na zona leste, a empresa Shina está com uma série de vagas abertas, pagando regularmente e sem nenhum desconto adicional do tipo “Descontaço”.


Curiosamente os síndicos de condomínios da zona sul, onde residem grande parte dos sub-empregados da Redineq ao invés de se organizarem para reduzir os custos de transporte entre a zona sul e zona leste, estão prestigiando o Sr. Clown nos jornalecos de bairro, dizendo que estão dispostos a negociar menores descontos adicionais com a Reineq.


O que o que será que faria a população da Terrapólis  não fortalecer o senhor Clown e fomentar uma debandada de trabalhadores para a iminente Shina?

Seria a coragem, esclarecimento, colaboracionismo, ousadia, ou falta mesmo capacidade de pensar e colaborar juntos, com a possibilidade de no futuro observar de camarote a demissão do senhor Clown e a falência da Redineq. 


Esta manchete me lembra uma história…

https://mlbelem.medium.com/dinâmicas-do-mercado-de-trabalho-em-terrapólis-análise-das-transformações-econômicas-850c267762a7  modificado pelo Manus.ai

22 junho, 2025

Mari & Ana



Elas sempre andam juntas... 
Parece Riobaldo e Diadorim. 
Mari sempre afoita e inquieta.
Ana intrigante e misteriosa.
Mari frenética, anotando e pesquisando na web. 
Ana tem um olhar tranquilizador.
Mari esquarteja e a substitui patelas por joelhos biônicos...

Ana, com seu toque aveludado, aprisiona a fugaz Mari. 
Mari é humana, enquanto Ana é imaginária.
Ana passeia por grandes Veredas no Sertões,
The Devil to pay in backlands...

Saindo de casa, Mari calibra seu charme com um espelho,
onde se depara com Ana indagando: Vamos juntas?
Então, se dá conta que ambas eram apenas...Mariana.





A nova versão (2) rescrita pelo Manus.ai  preserva:
A referência a Cosme e Damião
As características únicas de Mari (inquieta, tecnológica) e Ana (serena, imaginária)
A revelação final no espelho
As metáforas poéticas principais

# Mari & Ana
Como Cosme e Damião, sempre juntas,
duas faces de uma mesma alma.
Mari, inquieta e afoita,
anota segredos que o Google sussurra,
esquarteja o tempo,
substitui patelas por joelhos biônicos.
Fugaz como estrela cadente.

Ana, mistério sereno,
intrigante e tranquilizadora,
passeia pelas veredas do sertão
como pura imaginação.
Exala serenidade como incenso.
Mari é humana, pulsante.
Ana é sonho que ganha forma.

Numa noite, diante do espelho,
Mari se arruma para sair
e vê Ana refletida ao seu lado.

Compreende então:
ambas eram apenas Mariana,
duas margens do mesmo rio,
duas asas do mesmo voo,
unidas enfim na verdade do reflexo.

Deixe nos comentários a sua versão preferida:
(1) original
(2) manus.ai

12 abril, 2025

Tropeço furtivo


Poltrona vazia, eco de ausência, 
Vazio que só carícia preenche.
Inquietude, anseio, doce tormento.
Lábio juvenil, sorriso sem tempo,
Na fumaça, a esperança dança,
com fragilidade, beleza, e sem idade.
Um instante de eternidade, sem pressa,
Doçura e mistério, em cada olhar.
Abelha e ninfa, em um só lugar.

03 abril, 2025

A Tarifa da Desconfiança: Uma Crônica Antropolítica de Cornos e Mercados Paralelos


 


Meus caros amantes da ciência política e curiosos da alma humana, sentem-se que a prosa de hoje é daquelas que misturam o amargo da traição com o azedo das tarifas alfandegárias. Imaginem, se puderem, a mente perspicaz de um cientista político, este que vos fala, debruçado sobre os intrincados labirintos da desglobalização. Mas não estou sozinho nesta jornada! Convoquei uma noite inteira de antropólogos argutos, mentes que escrutinam os ritos e costumes das mais diversas tribos, para iluminar um paralelo inusitado: a imposição de tarifas elevadas e… o doloroso ambiente de uma traição matrimonial.

Nosso ponto de partida, meus caros, emerge de uma conversa franca, quase um desabafo, onde a semelhança entre um “tarifaço” e a descoberta de chifres reluziu como uma moeda esquecida. Pensem no sujeito, outrora confiante em sua união, que se depara com a constatação amarga de que sua parceira (chamemos ela de “economia doméstica”, se me permitem a metáfora) possui outros “parceiros comerciais” secretos.

Nesse instante de revelação, um cortejo de sintomas se manifesta, tanto no lar quanto no tabuleiro do comércio internacional. Há um desinteresse flagrante pelo “parceiro principal”, um certo esvaziamento daquela chama que outrora unia as partes. No plano íntimo, evitam-se as situações de proximidade, o toque se torna hesitante, o beijo, um protocolo sem alma. No âmbito econômico, observa-se uma retração nos investimentos mútuos, um receio de aprofundar laços com um parceiro considerado infiel.

E, claro, paira o espectro dos riscos. No leito conjugal, a sombra das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) assombra, um lembrete físico da quebra de confiança. No cenário global, a imposição de altas tarifas carrega consigo o risco de retaliações, de instabilidade nos mercados, de uma “doença” que contamina toda a cadeia produtiva. A própria bioquímica da relação se altera: a ocitocina, hormônio do amor e da conexão, mingua, enquanto a dopamina, ligada ao prazer e à recompensa (possivelmente obtida alhures), flutua de maneira errática, corroendo a qualidade de vida do “cônjuge traído” – ou da nação que se vê preterida.

Diante desse cenário desolador, o “marido enganado” (ou o governo confrontado pela deslealdade comercial) busca instintivamente lançar mão de “recursos protocolares”. A intenção, na superfície, parece nobre: fomentar uma maior interatividade com a parceira, restabelecer a ordem, sem incorrer em riscos adicionais.

Assim, nosso protagonista doméstico propõe um “pacote de medidas”, um tanto kafkiano, convenhamos: sexo apenas com preservativo (a barreira tarifária?), laudos semanais de exames de DSTs (os relatórios de inspeção?), o rejuramento quinzenal dos votos matrimoniais (os acordos comerciais revisitados?) e, pasmem, um exame de corpo delito mensal (a auditoria implacável das contas?).

Num primeiro momento, essa estratégia, compartilhada em segredo, talvez até gerasse uma ilusão de controle, uma sensação de que a situação está sendo “gerenciada”. Contudo, como perspicazmente aponta nossa análise antropológica, o médio prazo revela uma faceta sombria e inesperada.

Essas medidas protocolares, ao invés de reconquistar a fidelidade e restabelecer a saúde da relação, acabam por fomentar um “mercado paralelo” da intimidade. Os amantes, antes clandestinos, agora operam sob novas “regulamentações”, com a “preocupação com a saúde” devidamente atendida em outro lugar. A traição, antes um desvio, torna-se quase uma indústria cottage, com seus próprios protocolos de segurança.

E qual a implicação final dessa “tarifação da desconfiança”? Um decréscimo significativo da saúde sexual – e emocional, e econômica – do “casal principal”. O marido, na tentativa de se proteger, paradoxalmente se vê mergulhado em um problema ainda maior do que o inicial. A desconfiança, elevada a níveis tarifários estratosféricos, não cura a infidelidade; apenas a desloca, a organiza, a torna talvez mais segura para o traidor, mas fatalmente mais danosa para o traído.

Assim, meus caros, a noite com nossos antropólogos nos legou uma reflexão inquietante. Que a imposição de barreiras, sejam elas no leito ou no comércio, quando motivadas pela desconfiança e pela tentativa de controle absoluto, podem surtir um efeito perverso, alimentando os “mercados paralelos” da deslealdade e, ao final, cobrando uma tarifa muito mais alta do que a inicialmente imaginada. Uma lição para os amantes e para os líderes de nações: a confiança, mesmo fragilizada, ainda é o tecido mais resistente para a construção de laços duradouros. E a desconfiança tarifada, ah, essa invariavelmente cobra seu preço, um preço muitas vezes impagável.

Veja as tarifas: 
https://x.com/mlbelem/status/1908176772580978693

29 março, 2025

DOR e ANA


Dói, sem trégua.
Corrói, sem parar.
Meu entorno desmorona.
Agora o crucial é sobreviver, sem dor.

Tudo mesclado e diluído como uma gota de corante numa poça de cotidiano.
Eu careço de um outro rim,
e de um cérebro modelo padrão, com QI mediano.
Tudo vai se despregando,
sem vestígios da vida,
sem cheiro da ferida.
Minha identidade dissolvida,
perde vida pueril, encalhada
e encharcada de óleo, como pastel.

Eu quero uma descarga,
para afogar toda humanidade e suas guerras.
Só tem interesse a mentira da aparência.
Foi para o ralo a verdade da essência.
E com ela a toda minha consciência,
repleta de axiomas,
vazia de emoções.
Parece um buraco negro
de gente colorida, sem vida,
com passagem só de ida.
Dor que dói até onde não dói.


Abaixo o texto transcrito pela AI Aria, a meu pedido, mimetizando o estilo de escrita da Clarice Lispector:

A dor, um bicho-de-pé na alma, sem trégua. Corrói, lenta e inexoravelmente, como o tempo que se esvai entre os dedos. O entorno, um palco desabando, e eu, a única sobrevivente de um naufrágio sem mar. A sobrevivência, um ato de pura resistência, sem o alívio da dor, apenas a sua presença opaca. Tudo se mistura, diluído na poça cinzenta do cotidiano, como uma gota de corante que se dissolve sem deixar vestígios. Preciso de um rim novo, de um cérebro mediano, um modelo padrão para essa existência que se desfaz. Desprendimento total, sem a marca da vida, sem o cheiro cru da ferida aberta. A identidade, um rio que se perde no oceano, leva consigo a vida pueril, encalhada, encharcada de óleo, como um pastel velho e sem graça. Uma descarga, um desejo de afogamento, para silenciar a humanidade e suas guerras sem sentido. A mentira da aparência, única verdade que me resta, a essência jogada no ralo, junto com a consciência repleta de axiomas vazios, uma casca seca sem emoção. Um buraco negro de gente colorida, sem vida, uma viagem só de ida, sem volta. A dor, essa dor que ultrapassa os limites da dor, um eco que reverbera no vazio.

COMENTA AQUI qual dos dois textos você prefere?
Manoel Belem (1)
Aria IA do Opera (2)



16 outubro, 2024

Lei do contrassenso


Viver tem uma regra muito esquisita:

Quem não procura, acha. Só porque não sabia que estava procurando.
Ao contrário, quando a procura é implacável , atropela o acaso e mata o processo divino da natureza... 

Para Siham, uma singela punção na vida. 

05 maio, 2024

Flashback sem passado

 

No presente fustigado de lembranças futuras,
Em meio à névoa remexida, o ser se debate.
Uma paixão sem temor, perfura e vacila,
Aprisionado, hesito pelo caminho..

Te vejo persistir, fugindo do destino que te persegue,
Nas entranhas, inebriada, dançando uma valsa.
Paixões são implacáveis, como um mar embriagado,
Consequências caras, mas repletas de sentido.

Catarse coletiva, onde corações se desfazem,
E alma desnuda diante da tempestade,
Em cada suspiro, um eco de tempos idos,
Num eterno retorno, onde o passado se funde ao agora.

Mergulho nas profundezas de ser,
Onde cada lembrança é um fio conectado ao infinito.
Divagando entre múltiplas vozes,
Como um reflexo de nossa própria busca incessante.

14 abril, 2024

Tsunami colorido


De repente todo o panorama cinzento fica inundado por um tsunami colorido implacável. 
O inexorável afogamento dos meus cultivos dogmáticos, alimenta sementes adormecidas.
Sempre o maravilhoso e divino processo estocástico da vida.
A maturidade adverte: cuidado com os rebentos de fantasias perniciosas...


 

16 janeiro, 2024

Uma tarde com dor de cabeça


 







Quanto tempo consigo suportar este caso de desamor com a Sra. Neuralgia?

Lá fora, movimentos coreográfados  imitam a vida, enquanto aqui dentro, o austríaco Strauss ecoa. séculos depois. Ele codificou matematicamente suas sinapses musicais para serem reproduzidas com fidelidade anacrônica.
Ainda estou paralisado pela intensa dor, que permanece sempre presente, tornando-me ausente.

Em uma tarde de andanças mentais, viajo com os ouvidos no século 19, e com os olhos no século 21. Com meus olhos vislumbro pela janela do apartamento um horizonte nunca antes explorado. Nunca havia “ficado” com uma cantora; para mim, ela encanta a cada som, compasso ou amasso. O exercício da sedução me escraviza, engana, e me induz a pensar que a amo.

A cabeça dói, e a massagem não trouxe alívio. A angústia permeia a tarde, neblinando meus sentimentos.

No final somos desprezíveis miríades repletas de proteínas em sintonia com aminoácidos e minerais flutuando no restrito ambiente aquoso, trafegando pelo vácuo sem nos deixar perceber o vazio atraves do qual deslizamos pelo universo cheio de nada.

Nada que nos interessa, e ainda assim, nos emudece.

Tudo é fugaz, inclusive a natureza. Cansada da mesmice, inventa o processo de memorização. Memória nos escraviza visceralmente, sempre ansiando pelo futuro, considerando o passado. No universo, tudo é continuamente criado pelo passado que nunca mais vai existir, e o futuro permanece indeterminado aleatoriamente no longo processo estocástico da vida.

Já aconteceu em algum outro lugar? Obrigado, Einstein, pela relatividade restrita, que me deu esperança de buscar um referencial mais lento, onde  encontraria o meu gêmeo mais velho, tornando-me capaz de me sentir mais jovem…um conceito relativo. Agora, a 9a. Sinfonia me encanta e se mistura na melodia com harmonia extasiante.

Alguém criou essa melodia para alimentar a própria alma e saciar a fome de muitas almas, centenas de anos depois; talvez este seja o único milagre da multiplicação.

A música muda para Unforgettable… OMG! percebo que não passamos de camundongos num laboratório errático em torno de uma massa estelar de quinta grandeza sem rumo, escorregando rumo ao centro da galáxia.

Nessa imensidão, concentramo-nos apenas no pequeno indivíduo, incapazes de ver além. Mesmo com as imagens do James Webb, percebemos frente à beleza cultivada pela mídia dispersiva idolattrando a bunda da Tiazinha,
Mergulhamos na vida sem viver, batendo recordes de morrer em uma cama hospitalar sofisticada, conectada à enfermagem, mas desconectada do simples prazer de viver a plenitude sem fulminar. Sempre Clarice me atropela. Vou parar porque isso é plágio.