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31 agosto, 2012

ATrOPhELAÇÃO

Qualquer fingimento já é um fragmento de amor que vale a pena. 
Só finge quem ama alguém, ou a si mesmo. 
Conta ponto, no programa de milhagem da vida. 

Os ligamentos estirados me tornam ainda mais inflexivel. 
Tento correr mas vacilo, e quase um atropelamento acontece. 
Sem desculpas a motorista arruma os cabelos para tras das orelhas (bom sinal). 
O diagnóstico é feito com rapidez de especialista. 
Veloz como um guepardo, ela também indica terapia: massagem! 
Massagem? Só se for tântrica, penso sem esboçar sorriso. 
Mora perto e pode fazer na casa dela mesmo. 
Meu delirio ou a habilitação da moça estava vencida?
Piorei em segundos, para não parecer presa fácil e necessitada. 

No elevador, um vizinho nos olha, incomodado pelo silencio ensurdecedor. 
A massagem do tornozelo deriva para outros membros. 
Aceito um mimo, ofertado com lábios agradecidos pela "não" ocorrência policial. 
O porteiro me deixa sair, embora com desconfiança nordestina. 
Esboça uma pergunta, contida pelo meu olhar de reprovação. 

Deslizo quase levitando pelo quarteirão. 
Logo tenho que atravessar novamente. 
Espero o carro se aproximar com intenção de repetir tudo de novo. 
(Como se tivesse fôlego!) 
Desta vez doeu. Ele não parou! Tive que morrer ali mesmo.

20 agosto, 2012

Fugindo

Triiim, triim... Não vou atender...Ele diz que sou chata...e sou.
Triiim, triim... Crise depressiva...e daí?
Triiim, triim... Revanchismo...um pouco.
Triiim, triim... Tenho outro...é para fazer ciúme temperado.
Triiim, triim... Sexo ocasional...pretencioso!
Triiim, triim... Chilique...é chique.
Triiim, triim... Doença terminal...pode ser mental!
Triiim, triim... Valorização do passe...impasse.
Triiim, triim... Sadismo...masoquista!
Triiim, triim... Preguiça...de viver.
Triiim, triim... Medo...pode ser apenas coragem às avessas.
Triiim, tr... pausa...

Ele frustrado e vencido pelo não querer.
Ela em dúvida espera não reviver uma existencia retalhada:
-Este numero de telefone não existe, por favor verifique a vida passada, ou aguarde pela reencarnação encomendada.

01 agosto, 2012

CoRaZão

Separa razão de coração,
quem não tem razão...nem coração.

Razão existe, só para quem tem coração.

Coração é uma invenção da razão,
apenas para não dar explicação,
ao interlocutor com razão.

Meu coração é que tem razão!

26 julho, 2012

Aniversário

Hoje sou mais uma transição.
O Sol já se enfadou dos meus amanheceres.
Tenho filhos, amigos, amores, inimigos e dissabores.
Todos cúmplices em nossa tournée espacial compulsória.
Deslizamos, aprisionados nesta rocha,
uma capitania hereditária na terceira órbita solar.
Quem sabe um vôo suborbital subverta o destino.
Viajar é preciso.
Viver não é preciso.

Um presente chega em dez dias.
De para-quedas e retro-foguetes.
Aterrissando muita Curiosidade, na quarta rocha do sistema solar.

No meu corpo marcado pelas coreografias de imitação da vida,
persiste a rebeldia inquieta e arredia à mesmice do cotidiano.
Mais aprendizado.
Mais um ano.

17 julho, 2012

Fome de aprendiz

Só aprendiz,
morre faminto de felicidade.
Com tanta cidade, para ser feliz.
Sereno ao relento.
O pensamento atina por um triz.
Atento no meu alento.
Eu tento.

15 julho, 2012

Para entender o BÓSON DE HIGGS

O assunto tem sido destaque na mídia e na conversa até da molecada.
Entretanto este complexo conceito só pode ser entendido, de forma simples, através de uma interessante analogia:

Primeiro é preciso entender que o LHC-Cern não passa de uma pista de corrida de prótons com maquina fotográfica gigante (ATLAS) para registrar as inúmeras colisões caóticas.

Depois temos que nos imaginar gigantes enormes (estrelas maiores que o Sol), querendo aprender sobre um pequeníssimo objeto metálico conhecido com carro de F1.
A nosso modelo padrão seria composto de algumas peças chaves (chassi, roda, direção e motor) comprovadamente encontradas em situações de baixa energia...baixa velocidade. Entretanto uma estrela cientista chamada Kiggs propôs a existência de um elemento fundamental que da energia a todas as peças, que foi batizado de combustível de Kiggs ou partícula do demônio !!!!
Então os Estrelas-cientistas construíram uma pista de corridas para F1 e promovem colisões a cada meia hora que são fotografada e analisadas para comprovação do Modelo Padrão das Estrelas cientistas.
Comparando MILHARES de fotos vemos que a distribuição de escombros indica a existência de uma "coisa" que participa da cinética envolvida durante a colisão mas não está presente nas fotografias pós colisão, embora explique a distribuição geométricas dos escombros em relação ao centro de massa. Isto é com se houvesse uma bola de bilhar tão transparente que só podemos perceber sua existência através do desvio causado pela colisão com uma outra bola visível em movimento. 


Portanto sabemos que depois de milhares de experimentos podemos inferir com 98% de certeza que tem um pedaço do carro que é feito de um liquido transparente que não aparece nas fotografias mas que estava dentro do carro no inicio da colisão!!!
Vale a pena consultar este livro: www.atlas.ch/popupbook


07 julho, 2012

Black & White [Anderson X Sonnen]

Daqui a pouco a mais legítima expressão do cotidiano americano sobe ao ringue.
O sonho americano, branco, e semi-instruído; contra o pesadelo latino preto, educado, seguro, e maduro.
Ainda bem que a pesagem é só da massa muscular e ossadura.
Considerar o peso dos neurônios deixaria o americano na categoria peso pena.

Acho que mesmo para um eventual filho bastardo de J. Bush, que não se conforma em ser superado na Coréia, Vietnã, Camboja e Iraque, não vejo motivo para tamanha hostilidade, mesmo sendo alvo dos comentários das americanas, amigas de infância, fazendo chacota com a crença milenar sobre as dimensões do apêndice viril, que considero falsa, descabida, porém dolorida.

Criado na cultura do medo, Sonnen é um vencedor, pois ele poderia estar carregando um fuzil M-15 como franco atirador numa escola no centro-oeste americano, ou vestindo um terno num Banco usurpador.

Fora do ringue ele já perdeu, vamos ver se consegue uma vitória do lado de dentro, pega o dinheiro do prêmio e faz um implante de silicone no cérebro.

Eu, com meu pé na lama, torço para ao menos uma porrada no crânio, na área de Broca, que paralise a fala e todos saem ganhando.

Fica provado que nem sempre uma infância com tecnologia dá resultados melhores do que ser criança com pé na lama.

Às vezes o que afoga o cérebro é o excesso de bolo fecal, que sobe do intestino...


01 julho, 2012

Meia ou Inteira


Tudo indica que o meu calcanho se rendeu ao anti-inflamatório.
Volto a ser um bípede sem rumo.
Já posso correr atrás das raparigas.
Atravessar a rua entre carros descontrolados.
Um pouco de alegria, me deixa triste.
É melhor dor que sangra,
e tira o foco daquela dor mais antiga, escondida.
As vezes o coração vazio contamina a cabeça oca.
Na rotina: o emprego, a trepada, o beijo com a boca.
No hiato: fica difícil achar trabalho, vontade de beijar na boca,
e alguém para ir ao cinema sem ter que escolher o filme.
Por enquanto o viável é me engajar com um personagem do filme novo do Woody Allen.

A moça da bilheteria indaga: - Meia ou inteira?
Peço meia entrada, e logo justifico:
- Esqueci o lado esquerdo do cérebro em casa,
pois nem sempre ele é bom companheiro.
Ela sorri de forma complacente e retruca:
- Entendi, é ingresso para terceira idade.
Balanço a cabeça, esboço resposta,
e percebo que fez falta a metade esquecida.
Também faltou alguém para amparar o ego combalido.
Na próxima vez vou usar Auto-atendimento.
Escamoteia a crise de ingresso na idade preferencial.
E ainda dá tempo de tomar um Fenobarbital.

25 junho, 2012

Tempespaço

A palavra grande não cabe no olho.
Realidade imaginada.
Fragmentada pela vista.
Tempo é um pedaço.
Espaço é um laço.
Arrelia.
Arrepia.
Tempo é métrica da lembrança.
Espaço é memória no presente.
Se coubesse,
Se pudesse,
Ficava só com o presente contínuo...
Mas neste espaço, estou sem tempo.

10 junho, 2012

Missão Pet: Cachorro louco

O cachorro mudo, late sem parar.
A fala do Tufão fica entrecortada.
- Ele nunca late! retruca o reclamante,
ao porteiro hesitante.
Um pequeno inquérito predial deduz:
Ela não é a Inês, mas seguiu o mesmo destino.
A eminente situação de óbito faz alvoroço.
Nem interfone, nem celular, nem campainha
consegue ressuscitar a dona do poddle uivante.
Sargento Garcia penetra a residência pela janela.
Depois de muito silencio proclama:
- Nenhum corpo, além de um cão obcecado e
muito contente com o visitante invasor.
Ufa! exclama o zela-dor baratinado,
pensando no corpo encharcado de sangue.
Alguém, induzido pelo caso da pipoca Yoki, que estoura até seus miolos,
pede para vasculhar as malas.
Outro lembra que a derrota de 4X3 pode ter cegado temporariamente a vigilância predial,
dando por "desapercebida" uma fortuita saída.
Mas alguém lembra que ela poderia estar num andar mais abaixo "morta" de carinho nas mãos de um praticante ferrenho da política da boa vizinhança.
Enquanto descia, pelo elevador, em meio a noite silenciosa, ouço uma voz muito parecida dizendo:
- Vem, vem amor. Não fica bisbilhotando o carro da polícia no prédio, que deve ser briga de casal à toa.
Dorme, na boa, que logo eu preciso subir!!

04 junho, 2012

Relaxando

Andando parado. 
Mecanica quântica num devaneio
mesclado com muita terapia tântrica.
Que pena.
Anoiteceu, e eu ainda era dia.
Chegou a noite escura e vadia.

03 junho, 2012

Recetáculo repleto

Não me venha com mesmices.
Minha vida, acabei de inventar.

11 maio, 2012

Parceria com Revolução e-Book

Pensando e discutindo o livro digital.

14 abril, 2012

Conserto No. 1

Tão natural era a beleza  da Fabiane
que ela não percebia, nem sentia.
Pediu baixinho, para personal,
diminuir aqui, melhorar ali.
Queria sofrer ali, manter aqui.
Entretanto bastava continuar sendo,
sem mascara, meiga e natural.
Nada artificial.

A personal compartilhada,
agora conserta meu joelho,
para não deixar a alma perneta.
Obedeço feito criança.
Mudo postura e respiração.
A voz dela mansa,
vai reformando minha cervical.
Na coreografia de revitalizacão,
nenhum movimento é vão.

05 abril, 2012

Para Entender Mídias Sociais





Livro fácil de ler e bom para se posicionar frente às Mídias Sociais.
Escrevi um pouco sobre Arte e o Mundo Digital, mas existem outras 37 abordagens diferentes. Baixe GRATUITAMENTE no seu iPad.
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30 março, 2012

Cabeça feita

Peço ao barbeiro para deixar apenas os fios pretos.
Ele arrisca a pergunta:
-Raspar careca?!?
Nem respondo, pois sinto no ar a palavra tintura.
Para retratar o vacilo e massagear meu cérebro,
a ultima edição da Playboy é colocada no meu colo,
e para dissimular o mimo vem junto um jornal diário.
Ambos fingimos que o tempo não passou. 

Depois da cabeça literalmente feita,
Perambulo pelo Shopping, envolto naquele cheiro de vida artificial.
Impressionante, como isso me animou e quase me reviveu.

Na escada rolante uma conversa entre amigas:
-Vou rezar e pedir a Deus que perdoe os pecados dele...
Sorrindo para elas, penso: quem rezaria por ela?

Na liquidação, uma maquina que lava até 10 kilos de roupa.
Exatamente o quanto preciso emagrecer!
Será que a maquina me enxugaria?
Do outro lado uma TV 3D.
Questiono a utilidade, logo esclarecida pelo vendedor, com surpresa:
-Dá para ver as coisas saltando da tela.
Eu retruco: Ahh salto !!!
Imagino o efeito 3D em noticiário econômico: Débito, Dívida e Déficit
muito convincente...
A movimentação lembra um formigueiro.
Só gente comprometendo o tempo no futuro,
um boleto, um parcelamento, um financiamento.
A felicidade parcelada com juras de fidelidade. 
Comprando o que nao vai usar,
mas que pensa precisar.
Vendendo o que nào tem,
para quem não pode pagar,
e vai presentear quem às vezes nem gosta,
que vai agradecer e não vai usar,
que vai ficar na gaveta cumprindo tabela,
na coreografia que engana quem quer viver bacana.
Sem grana.
Nem uma banana.
Neste Natal, não precisa confessar, comungar ou ver a missa do galo.
Basta prometer sozinho que nao vai repetir o inconfessável.



27 março, 2012

Deus

Existe para quem crê.
Não existe para quem não crê.
Simples assim.
Meu medo são os cruzados antagônicos:

Quando ele se apresenta para quem não crê,
Não haverá castigo, pois o semblante estupefacto do incrédulo,
Suscita uma condescendencia desmedida no criador emocionado.

O pior dos casos é quando crente descobre,
que ele mesmo criou o Deus.
Um cômodo devaneio.
Que autoriza terceirizar a responsabilidade,
Sem maldade, sem vontade, nem maior idade.
Tudo; porque Deus quis assim!
Procriando só para fazer sexo sem pecar.
Confiscando a mente.
Demente
Não sente.
Vida aparente.

Acredite.
Ainda que nao exista.
Insista.
Permaneça na lista.

14 março, 2012

M0n1c@

E meio a tanta vida falsa...
Um sorriso destoa.
Quase à toa.
Sem dar conta ela insiste em ser criança.
alegra nossa lembrança.
Será tesoura, papel ou pedra?
Talvez apenas uma alegria,
que não tropeça,
ninguém corta,
e falta papel para enrolar.
Quase esqueci o joelho que doía, dói.
Me remói e corrói.
Parado.
Mas sonhando acordado.

12 fevereiro, 2012

Ui Tinei Riustom

Um intervalo na loucura,
Me dá fôlego para viver, novamente.
A TV zapeada empresta movimento à vida estagnada pela rotina.
Fere o corpo inquilino, residente na alma inquieta.
Rouba espaço da mente complacente.
Nem alegoria de Carnaval me contamina.
Whitney, achei que voce  sempre iria me amar.
Justo eu, seu leal "backing vocalist" anonimo.
Resta apenas desassossego.
Que drena sangue como morcego. 

06 janeiro, 2012

Tempo de ser feliz

Viver feliz é não perceber o passar do tempo.
Encenar felicidade é apenas desperdiçá-lo.

30 dezembro, 2011

Feliz Ano Seguinte


Parece um dia comum.
É um dia comum.
A Terra em rotação, continua em translação a correr atrás do Sol;
que mergulha para dentro da Via Láctea.
Não existe motivo para comemorar, nada a recomeçar.
Nem nova era, nem novo tempo.
O trajeto continua na mesma infindável espiral.

Soltar fogos, é como desejar bom apetite sempre antes da próxima garfada numa refeição em andamento.
É sem sentido, ou pelo menos é artificial.
Parece bom ter algo para fazer, ter algo para gostar, ter algo para desejar.
Às vezes o presente é verdadeiro, o dar que é falso.
Um documentário solto na TV ligada ao acaso.
permite experimentar uma vida emprestada.
Esqueço tudo ao redor.
Ela não tem aquilo que satisfaz, mas satisfaz aquele que a tem.
Quem empresta uma vida, paga com seu tempo.
Empréstimo sem quitação, seja ela bandida ou perdida.
Só não vale ser pacata e parada.
Onde nem o burburinho ilumina a catarse mental.
Sem sombra eu me esqueço. (mais ainda...)
Agora vem Ano Novo,
Devia chamar Ano Seguinte.
Só poderia ser novo, se tivesse forma.
Ninguém diz: Feliz Carro Novo! sem ver o carro.
Se pudesse eu queria ficar com o Ano Velho.
Tanto faz...
São apenas invenções toscas numa história de contínuo movimento sem fim.

Escoa o tempo, que quando pára, se disfarça de espaço.
No céu vejo estrelas que ainda não foram subtraídas pela fumaça dos homens.
Daqueles homens que ainda não foram subtraídos pela Guerra.
Que não para.
Nem mostra a cara.
Destino e bala.
Acorda na poeira, sem horizonte na esteira.
Sem vontade de dignidade.
Se alimenta da brutalidade.
Mente perdida, aturdida.
Não sabe o que é vida.
A realidade acontece só na TV.
A mentira, fica por conta da verdade.
A rede asséptica, conecta sem tocar.
Você sem ética, me ama sem gostar.

27 dezembro, 2011

05 dezembro, 2011

Sufoco lancinante














No almoço surpresa, não pedimos sobremesa.
Uma rápida carona,
Eu preferia fosse viagem demorada.
Uma despedida sem vontade de partida.
Um abraço.
Preferia um laço.
Um sonho, quando precisava de uma vida.
Um beijo, um desejo, um lampejo.
Uma história que dura um átimo.
Teus olhos me aquecem.
Quase esqueço ferimento que arde.
Calculo o risco de remanejar o futuro.
Temo errar, acertando.
Nossa cumplicidade não cabia naquela tarde.

05 novembro, 2011

Indulgências










Intrusos.
Porém sem estranhesas...
Corremos mais que o tempo
O futuro desprezado pelo passado.
No presente só a mente embaralhada.
Teu corpo me avilta.
Escorrego por sulcos molhados.
Meu desejo transpaçado,
Sangro em pecados aliciados.
Hemorragia nas artérias.
Onde voce milita.

23 outubro, 2011

Encontros clandestinos

Telefonema internacional vendendo fortuna fácil.
Um velho truque do mercado financeiro,
que usualmente rechaço de forma hostil.
O assédio daquela voz sensual,
sempre no momento inadequado.
Terna ela persiste,
e persevera como predador paciente.
Seduz, modula voz e atenua minha evasão.
Vamos nos tateando lentamente.
Passamos do dinheiro, para algo verdadeiro.
Empatia digital,
Platonismo virtual,
transformando espaço em tempo.
Teoria da Relatividade na rede.
Sem arrogancia,
quase sem ganancia.
Ela me cativa homeopáticamente.
Os fusos são confusos.
Sou acordado no meio do sonho,
pelo meu próprio sonho.
Tagarelamos como velhos cúmplices na vida:
os blogs, os livros, os poemas, a arte,
tudo é descoberta lúdica de pertinencia.
Hoje já virou hábito.
Quase rotina diária.
Proposta de casamento no escuro,
amigos comuns,
albuns de fotos,
transito local.
Desligo o fone,
enebriado pelo "eu" do outro lado da linha.
Um ego fora de mim.
Um flerte comigo.
Contigo,
Consigo,
Antigo,
Abrigo,
Te ligo.

16 outubro, 2011

Momento

Passando pela janela, a garôa me observa.
Aqui dentro, chove pendências.
Não fui ao médico para consulta de rotina.
Meu único mal é procrastinar a rotina.
Não arrumei os livros,
embora suspeite da existencia de cupins na estante.
Não cumpri a agenda de tarefas inúteis,
que dão a falsa impressão de utilidade.
Ainda não fiz a mala para viajar à Lua,
falta dinheiro na bagagem.

A energia elétrica voltou a circular pelo bairro.
Nem precisava...logo agora, que eu ia meditar.
Teu sorriso permeia minha memória.
Resíduos do teu corpo encharcam minhas cobertas.
O acalanto da tua voz ao telefone,
quase foi suficiente para diluir a saudade.
Sei que vamos ao cinema mais tarde,
mas eu te queria agora.
É como parar de respirar:
podemos nos conter por um tempo,
depende apenas de folego na vida.
Mas logo depois a gente precisa respirar o outro.

Em mim a ansiedade borbulha: sinto saudade no futuro.
Volto a dormir no quarto escuro.
Porque meu sonho é pensamento puro,
que jamais ultrapassa o muro.
Te encontro mais tarde,
quando eu serei outro eu,
porque este de agora, já morreu.

25 setembro, 2011

O que quero do mundo?

Permissão para ser feliz.
Lembro do JF Kennedy sugerindo o questionamento certo:
O que eu posso fazer pelo mundo?
Vomitar.
Já fiz muita coisa, OK?
Tá bom voce perguntou sobre o futuro...
Mas pra mim só existe o presente continuo.
Preciso de um mundo justo.
Minha justiça não é democrata.
Finjo querer democracia, 
Sem limitantes na liberdade.
Tropeço invasivo.
Um Gandhi digital para sete bilhões de criaturas.
Oitocentos milhões de perfis no Facebook. 
Quando enraivecido,
Melhor acariciar e seduzir, que disseminar veneno. 
Eu te amo.
Não por ti, mas pelo que me podes dar.
Preciso apenas de um coadjuvante afetuoso.
Sorriso falso, no rosto de alma verdadeira.
Para quem procurou o bispo reclamando de pedofilia,
O papa mandou rezar pai-nosso na homilia.
O dólar sobe junto com a ignorância, 
Indolência alimentada pela ganância.

19 setembro, 2011

Jaula

Conforto fugaz na jaula privada móvel,
Aliciada à fila catártica pela neblina.
A procissão em desventura turva a 'rodovida'.
Sem rumo, cumprindo destino.
Esperando o "Nibiru" dar fim a vida especulada,
Esculpida pela mídia controladora, ora descontrolada.
Plano divino de vida após a copa.
Sol que invade a sala sem autorização, instiga vida.
Junto a ele o Jornal da manhã, investiga mortes.
No intervalo vende-se felicidade sem juros, eu juro!
Tem também beleza garantida para o corpo sem cérebro.
E obrigação de ser feliz imitando publicidade de automóvel.
A todo instante um sonho de consumo compulsivo.
Um 'record' a ser superado sempre:
Quem executou o maior apropriação indevida de recursos de terceiros?
Muitos ladrões disputam arduamente com um senador isolado na liderança.
Desligo a TV para 'Te Ver',
E viver minha paz,
Mesmo sem formalidades legais da felicidade compelida.
Respiro o azul mentiroso do céu que se abate sob minha fronte,
Ilusão que esconde a escuridão onipresente do universo.
Vejo o som da planta remexendo a terra.
Ouço a imagem gritante da senilidade no espelho.
Me divirto com as possibilidades reais,
Sem ter que cumprir roteiros 'prêt-à-porter'
Minha vida flui pela reserva ambiental humana,
com muita entropia.
Sem mania,
Nem telepatia,
Amena.
Em cena,
Encena.
Concatena.

11 setembro, 2011

Observador observado


Olhe lá! click, click, click
Olhe aqui !! click, click
Olhe desta vez vai aparecer a barbatana de cauda.
Já não me empolgo mais em fotografar...fico apenas observando.
Começo suspeitar que a função observadora fica se alternando:
Ora conosco, ora com elas nos obrigando sempre a redirecionar a proa.
Uma delas mostra cautelosamente o filhote.
Cara a cara com o predador, disfarçado de turista ecologicamente correto.
Um macho a boreste exibe sua nadadeira de dorso.
Na popa um esguicho sonoro rouba a cena.
Decididamente estamos sendo observados.
No painel do sonar um tradutor de som mostraria:
Filho preste atenção nestes ansiosos bípedes mamíferos empoleirados nesses flutuadores!
Eles costumam atirar flechas de ferro em nosso dorso.
Dói e dilacera.
São minuciosamente ardilosos.
Usam extensores de olhos para disfarçadamente nos observar por dias.
Então quando você se distrai emergindo no meio de uma respirada,  
surge um dardo se entranhando alem de nossas gorduras.
Esquartejam e armazenam, com jubilo de guerreiros vencedores.
Acreditando que ingerir nossa carne,
desenvolve capacidade de viver embaixo d'água.
Coitados...
Não sabem que esta crença nao tem base científica.
Por isso, cuidado quando ficarem te rondando.
Já para baixo!

25 agosto, 2011

Cotidianos

Os cotidianos se repetem organizadamente.
Existências rotuladas pela banalidade.
Repudiando e desmoronando coisas sem importância.
Atropelados pela modernidade.
"Não Fumar", "Não estacionar", "Não isso", "Não aquilo".
Bastaria uma única placa: "Respeite as outras criaturas"
Embora a justiça sentencie treze anos,
O banqueiro contrapropõe apenas quatro.
Honestidade em liquidação.
Proposta aceita e parcelada sem juros.
Tempos de crise...
Do outro lado a Primavera Árabe,
Mostra indícios de Outono,
Sem direito a Verão.
Aqui, eu caminho sem ajuda.
Penso sem auxilio da televisão.
Falo no megafone e ouço alem do telefone.
Dos meus poros, essência se esvai em suor.
Minha insistente presença causa constrangimento.
A verdade não está na moda.
Uma multidão, sem destino, segue enriquecendo.
Para meu desatino, continuo sorrindo.
Espontaneidade não conta ponto, falta branqueamento dental.
Meu seguro de vida não garante o desejo de existir.
Falo daquela existencia além do boleto bancário.
Articulada pelo comunitário.
Sem disfarce, nem ataduras sufocando feridas.
que doem, mas acendem a pirotecnia interna e dão vida.
Paz na inquietude.
Esgotado na plenitude.
Amiudado.

10 agosto, 2011

Companhia de viagem

Seis horas de monotonia, espremido e sacolejando, na melhor das hipóteses.
Todos assentos ocupados, menos aquele ao meu lado.
Era uma versão tupiniquim da Whitney Houston.
Sorri e logo dilacera minha inquietude.
Meu sorriso exagerado revela que já fui cativado.
Mais um olhar daqueles, me faria escravizado.
A paisagem dos primeiros quilômetros faz da prosa um pretexto para o carinho.
Sem saber o nome ou sobrenome, a idade ou seriedade.
Experimentamos a textura da pele, como tateando livro em braile.
Os arfares ocupam espaço na mudez entrecortada.
Ela alerta que vai colocar silicone onde a natureza já caprichou...
Num esforço de recompostura mostra fotos do ultimo desfile.
Eu aparento me interessar pelo que ela finge me mostrar.
Anoitece, esfria e o cobertor esconde o nosso calor.
Pequenos gritos sufocados denunciam bulinações sorrateiras.
A viagem de caricia desvia rumo pela malícia.
A luz da cabine acende, e apaga nosso fogo.
Chegamos ao meu destino, apenas uma escala para ela.
Promete que liga?
Me chama que eu vou...
Tem que ter pousada.
Comida da boa.
Presente para patroa.
Ser bem comida.
Que justifique mudar de vida.
Cicatriza ferida.
Me liga.
Desliga.
Despedida.

09 agosto, 2011

Sem resposta

Não estava fora da área de cobertura.
Nem faltava de crédito telefônico.
Aquela mudez me ensurdeceu.
Era eu em 10crédito.

31 julho, 2011

Digestão cerebral

Forjando realidade com o pensamento martelando a percepção.
Pensar tinha que ser como digestão:
dura enquanto tem alimento recém mastigado.
Depois de um pensar apenas sentimento.
Sesta cerebral.
Nova fisiologia emocional.
Sem julgar ou comentar.
Pausa rudimentar.
Sem interpretar.
Descansar.
Meditar.
Parar.

24 julho, 2011

Bipo lar, doce lar

Por vezes destino remove nossa venda.
Euforia logo ofuscada por contraste com o imaginado.
A venda reutilizada no coração, quase sufoca.
Só a mente para desfazer este nó.
Usa-la para aquecer no frio.
Abrigar da garoa,
e fazer sombra no verão.
Depois vira rede para embalar corpo inteiro.
Que cansado adormece.
Balança e entorpece.

Desperto vendado.
Tateio apaixonado outra protagonista,
disfarçada de coadjuvante.
Ajuda levar vida adiante.

10 julho, 2011

Ferida

Às vezes dói mais que quando dói mesmo...
Precisa untar de carinho.
E degustar com vinho.

08 julho, 2011

Travessia

Falta abraço,
Falta laço,
Talvez um amasso.
Num coração de aço.
Temperado pela falta de lembrança.
Em descompasso.
Apressa o passo.
Estardalhaço, sem estilhaço.
Tempo concede vida em momentos e ventos.
Destempero que precipita gestos sedentos.
Carentes de vida e vontade.
Buscando existir.
Fluir, ir e vir.

01 julho, 2011

Esculitera

Pausa na conversa mesquinha,
financeira e usurpadora.
Uma presença me atropela.
Um olhar sorridente me interpela.
Se conhecemos ou reconhecemos; não importa.
Na galeria seguimos roteirizando conversa e vida.
Outra pausa no "Fóssil Celeste" da Denise Milan.
Um intercambio de ideias e telefones.
Uma janela de vontade,
No inerte e na saudade.

30 junho, 2011

20 junho, 2011

Vi...vendo

A vida não ensina;  acontece...
A gente não aprende;  sobrevive...
Às vezes adormece.
Dá carona clandestina,
para quem nos segue em devaneio.
Outras vezes se equilibra em sonho alheio.
Descarrilha no caminho do meio.
Experimenta sabedoria com receio.

06 junho, 2011

Tr@ns Mutações

A lembrança por vezes atola
e rebola, na conjunção animal.
Esfrega visceral, numa simbiose letal,
que levanta tropega do leito e sempre cai.
Patina na rotina e desola a menina,
que emerge em mulher peregrina.

Outrora escravos no ato,
viciados no olfato.
Agora libertos pelo sensato.
Elo que permanece.
Em coração que adormece, esquece...
Burla a mente e enlouquece...

30 maio, 2011

Amanhã é sendo

Hoje, não queria o dia amanhecendo.
Ainda que tivesse insônia,
todos os outros estariam dormindo.

Amanhã, só uma poesia me ressuscitaria.

22 maio, 2011

Quarentena

Expira quarentena,
Quando a vida entra em cena.
Um hiato na abstinência.
Um sopro de afeto,
que aquece corpo alheio.
Desejo aferido com hesitação.
Eterna cumplicidade num beijo,
que penetra armadura corroída.
Proximidade com carinho.
Futuro incerto.
Sedução e vinho.
Coracão aberto.