Fragmentos de textos interessantes de autores renomados e também de minha autoria, depositados aqui ao invés de entupir a caixa postal dos amigos.
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27 agosto, 2006
Coexistence
This illusion is a prison for us, restricting us to our personal desires and to affection for only the few people nearest us. Our task must be to free ourselves from this prison by widening our circle of compassion to embrace all living beings and all of nature.
O ser humano e' uma parte de um todo que chamamos universo, uma parte limitada no tempo e no espaco. Ele experimenta a si mesmo, seus pensamentos e sentimentos, como algo separado do resto - numa especie de ilusao otica da sua consciencia.
Esta ilusao e' uma prisao, nos restringindo aos nossos desejos pessoais e e afetando apenas poucas pessoas a nossa volta. Nossa tarefa deveser nos libertar desta prisao, aumentando nosso circulo de compaixao para atingir todos os seres e tudo na natureza.
Albert Einstein
http://www.coexistence.art.museum/coex/works/Shigeo_Fukuda.htm
20 agosto, 2006
Mente Inquieta
uma vida calma e tranquila
teria sido conveniente para mim - e no entanto
Às vezes anseio por isso.
[Lord Byron 1788-1824]
19 agosto, 2006
Desencontro anunciado
onde todo o entorno desaparece,
aniquilado pela surpresa que perturba a mente.
Como?!?!
Depois de muito tempo sem experimentar a frustração anunciada,
eu me deixei seduzir?
Meu equivoco.
Ninguém pode dar o que não tem.
Numa sacola cheia de tristeza, desrespeito, melancolia, e egoísmo,
ainda que o pacote seja embrulhado em papel dourado,
o conteúdo esperado não pode ser diferente do existente na sacola.
Quando as moedas de troca na vida são muito diferentes,
não existe conversão cambial justa,
e sempre haverá especulação emocional.
Interessante desafio lançado para as mulheres:
Removido o púbis, seria a mulher capaz de,
apenas com os recursos remanescentes,
encantar algum homem?
Lei básica da natureza animal do homem:
o instinto e o desejo masculino,
servem de suporte para manipulação feminina.
Mas como dizem os mais privilegiados:
Vamos seguindo, pois a fila precisa andar.
Afinal,
é preciso motivação para experimentar outros seres humanos,
pois a fila andando,
seguindo um processo estocástico, mágico e natural,
aumenta a possibilidade de acerto.
Não se deve querer transmutar o outro,
apenas para poder confortavelmente perpetuar nossa passividade.
Nem se deve julgar.
Porque na grande maioria das vezes,
embora o outro esteja ajustado,
na configuração máxima de desempenho humano,
fica muito aquém da nosso limite mínimo de necessidade básica.
E neste instante fica então materializado,
o grande desencontro no relacionamento humano.
Com uma forte tendência de aumentar o hiato exponencialmente.
Somente se consegue ser o que se é, ...sendo.
Jamais se consegue ser apenas querendo.
Agora, que faço eu na vida sem a sensação que você causou?
Já que não aprendi a esquecer a sensação...
Quero apenas o impossível:
Reviver a lembrança de ser feliz.
Que certamente não consigo somente imitando a coreografia,
com o mesmo corpo de baile!
O presente sempre será uma reconfiguração do passado,
com agravante de possuir entropia inexoravelmente maior!
Então resta apenas construir novas sensações hoje,
para no futuro sentir saudade do passado.
Cumprindo rigorosamente o encantamento sem sentido da vida.
Buscando a feliz sensação de juntar cromossomas.
Sempre, ser feliz será momentâneo, rápido e fugaz.
Ser feliz é como um orgasmo mental sem estimulo físico-sexual.
Sentir feliz talvez seja mais duradouro.
Perdoai porque você não sabe o que eles tentam fazer,
Alem de que, não o fazem pensando só em você.
Nada importante,
apenas mais repeteco da estória do Sapo e o Escorpião...
[mlfb]
15 agosto, 2006
11 agosto, 2006
No Bar Original
Observando e percebendo o mundo e o universo.
Vejo amigos em efusiva fraternidade.
Na verdade e apenas a satisfação de outro nos reconhecer dando sinais de nossa existência.
Não podemos ser alguém sem o outro para garantir que não somos apenas um observador isolado.
A garota sorri convidativamente porque esta protegida pelo namorado. Sozinha, este olhar traduziria disponibilidade.
O garçon sempre servindo sem questionar o "porque", apenas "o que".
Televisão ligada sem som, mostra imagens de um mundo que banaliza a violência, a confusão, o cotidiano.
Dois amigos parecem entretidos na conversa sobre o futuro esperado que não vem.
Outra mesa discute relacionamento sem profundidade apenas na medida suficiente para que o recado seja entendido e respondido com uma atitude de aceitação.
Chega minha empada de camarão.
Muito gostosa , quase anula minha possibilidade de flertar com uma falsa garota no balcão.
Mais um chopp e continuo observando, o processo encantado de ser humano de maneira desumana.
A TV sem volume, da instrução de como ser desejada, e como ser cobiçado, eleito.
Mescla com uma falsa esperança para as crianças que não podem comer, ler .
Mas que são resgatados pela culpa induzida, e pelo índice de audiência em nome do coração.
Este vomito verbal também foi induzido, acho que falta uma femea para diluir o racional e balizar o instinto sem dar tempo para a intelecção competitiva.
Instinto amordaçado e desfigurado.
O casal de namorados continua sem se tocar.
Amanha ele contara uma estória de sedução e ela falara sobre o lugar que foi levada.
Me enganei, pois agora ela mostra compaixão em um beijo coreográfico e sem frustrar expectativa.
Existe alguém verdadeiro neste bar?
Todos somos arremedos de personagens do nosso roteiro de vida.
Meu celular continua mudo, prova inequívoca que o mundo existe e funciona não obstante minha pretensiosa contribuição.
A moça feia recebe um mimo do garçon e tenta exibir a falsa popularidade para a incauta amiga.
Assim, todos encenamos a peca "Bar Original".
Todos tentando fugir da realidade, de ser sem sentido, dispensável, e absolutamente insignificante.
Cansei de escrever.
Todos fumam.
Alguém fala de tecnologia.
Um olhar de suplica.
Quero ir embora!!!
(Eu não sou daqui eu sou da Bahia!)
Começo a transição de observador para ator.
Não consigo mais sobreviver a leviandade da musa com o namorado.
Enquanto ele levanta da mesa, ela me lança um ultimo olhar exterminador, porem aceptico.
Agora também vou embora
Vou transcrever meus sentimentos, usando o blog como interlocutor.
O falso orgulho de ser observado pelo ator.
[mlfb]
05 agosto, 2006
17 julho, 2006
Leitura recomendada
A maioria dos dias é assim. Não têm importância.
São poucos os que tem importância. E assim está muito bem.
Se tudo fosse transcendental, convulsivo, tremendo, ficariamos loucos.
O peso da intensidade nos esmagaria!
["Animal Tropical" de Pedro Juan Gutiérrez - Companhia das Letras]
05 julho, 2006
30 junho, 2006
28 junho, 2006
Mude!
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas,calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os seus sapatos velhos.Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia,ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama...depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv, compre outros jornais...leia outros livros, viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novostemperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito,o novo prazer, o novo amor, a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.Tente novos amores.Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tomeoutro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado...outra marca de sabonete,outro creme dental...tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais,de modos diferentes.
Troque de bolsa,de carteira,de malas,troque de carro,compre novos óculos,escreva outras poesias.Jogue os velhos relógios,quebre delicadamenteesses horrorosos despertadores.Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,outros cabeleireiros,outros teatros,visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um outro emprego,uma nova ocupação,um trabalho mais light,mais prazeroso,mais digno,mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre,invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhorese coisas piores do que as já conhecidas,mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,o movimento,o dinamismo,a energia.
Só o que está morto não muda !
Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!!!!
Edson Marques
26 junho, 2006
Jogo
O analfabetismo
A falta de energia
A votação do senado
Os rumos da nação
E tudo que empata
Vamos decidir nos pênaltis
As armas do embate
O pleito eleitoral
As jogadas do futebol.
Vamos privatizar os sonhos
Banir de vez nossas paixões
Exorcizar os demônios
Num grito de liberdade
E não de gol.
[Silvio Valentin Liorbano]
Ouça: [ 56kb ] - necessário Windows Media
(Interpretação livre de Antônio Abujamra)
24 junho, 2006
Pirotecnia Emotiva: tom da Copa
E futebol, lembremos, é aquele esporte de certa forma modorrento, em que nada acontece por minutos a fio, exceto a troca de passes, o detalhe de um lance habilidoso, em que ficamos em compasso de espera, aguardando o imprevisível. Claro que o futebol também é, como nenhum outro esporte, uma usina de espetáculo, quando a genialidade de um craque consegue emergir, quando a alegria de um jogador é tão genuína que parece um poema, quando os torcedores expressam aquele amor irracional e ruidoso pelo time.
Mas é que nos aproximamos dos jogos em si, aqueles 90 minutos que decidem nossa sorte e nosso azar, exauridos de tanta emoção prévia que vai se instilando. Poucos de nós, os espectadores comuns, não escalados para pensar o futebol, não-especialistas, vão para a frente da televisão assistir a uma partida de futebol com os olhos bem abertos.
Não à toa que, entra Copa, sai Copa, Galvão Bueno está lá, firme e forte.
Ele é o homem da pirotecnia emocional (para quem, mesmo? Nós, a audiência? O meio? A mensagem?), do destempero (para o bem e para o mal), das bolas cantadas. Há sempre o equilíbrio do Falcão e a simpatia (ainda que, depois de rusgas, um tanto mais contida) de Casagrande para contrabalançar o exagero, mas não há destreza verbal nem sobriedade que consigam deter a enxurrada emotiva de Galvão.
E a Globo escalou novamente os coadjuvantes Pedro Bial e grupo Olodum para ajudar a construir esse clima quase sufocante de animação compulsória. O Olodum, que "anima a galera" no Pelourinho, exibe aquele brasilidade feroz, que não admite réplicas, enquanto nosso Chacrinha bossa nova, Bial, comete crônicas sentimentais em cima das impressionantes imagens das câmeras exclusivas. Haja coração. Ou paciência.
Antes de começar a Copa, esta coluna expressou o temor de que o massacre
midiático pudesse recriar o ritual do "sacrifício de Ronaldo", torcendo para
estar errada. Pelo jeito, não estava. Que droga!
________________________________________
biabramo.tv@ uol.com.br
15 junho, 2006
12 junho, 2006
E.T.s existem!!
Sorrateiro e preciso com olhar mecânico e perdido no horizonte, desandou a falar.
Ele queria uma explicação:
Por que os seres humanos ficam tão furiosos, gritam, brigam, se agridem, berram e mostram os dentes quando estão vendo uma inocente brincadeira chamada “jogo de futebol”?
(Eles não poderiam apenas apreciar e externar seu descontentamento mais civilizadamente?)
Ficam tão indignados que utilizam cornetas que imitam os mamutes pré-históricos numa sinfonia de urros sem fim. As vezes lembram chipanzés no cio.
No caso deste pais, especificamente, ele disse ter visto mais uma genuína exibição de vocação símia, quando um caronista acenava compulsivamente a bordo de uma cápsula de vôo, propulsionada por potentes fogos de artifício.
Ainda atônito, o ET considerava uma façanha, o uso persistente do corpo, durante séculos, para execução de tarefas para as quais ele não foi projetado. Este é talvez o único indício de sermos superiores e muito perseverantes, a ponto de induzir uma realidade virtual que deforma o corpo de duas maneiras diferentes:
• uma expansão desmedida, através do excesso de ingestão, chegando a beira da explosão.
• uma paralisia catártica, através de anorexia compulsoriamente induzida, que culmina com inatividade permanente.
Enquanto eu olho com estranheza meu interlocutor, ele emite a prova cabal de sua identidade extraterrena, dizendo que certamente ele não pertencer a esta corja de espécie humana!
Tento dissimuladamente tirar uma foto, com o celular, e penso em voz alta:
O disfarce é perfeito, mas nosso inimigo não é tão inteligente quanto supomos, pois ele não consegue discernir a diferença entre um ato ufanista alegre e legítimo de uma verdadeira mostra de irritação coletiva!
Agora que ele foi embora, vou olhar mais detalhadamente a foto e me deparo com minha fotografia!
Eu sei o que aconteceu. Eles têm o "poder" de transformar a foto deles em uma foto do próprio fotógrafo....
[mlfb]
08 junho, 2006
Conversando com pessoas
As pessoas sábias compartilham idéias.
As mediocres falam sobre a vida alheia...
[mlfb]
04 junho, 2006
H2O VIVA
Das palavras deste canto que é meu e teu,
evola-se um halo que transcende as frases..."
Clarice Lispector
26 maio, 2006
25 maio, 2006
23 maio, 2006
Imagem em ação
Viveríamos uma espécie de transe continuo.
Eu sempre quis viver o irreal da forma mais intensa possível,
Este e’ a única brincadeira 'sem regras' que podemos brincar.
Todo o resto tem suas normas e punições...
O segredo da vida humana esta’ em sublimar a realidade, e acentuar a imaginação.
Vivendo a imaginação somos continuamente felizes.
Apenas pelo prazer de ludibriar o efeito da realidade contumaz.
IMAGINO, logo penso que existo.
[mlfb]
29 abril, 2006
Desencontro Marcado (*)
A assistente automaticamente me encaminha para sala de espera.
Uma revista e duas cadeiras distraem e confortam clientes,
como aquela mulher de presença marcante,
folheando mecanicamente uma revista com noticias vencidas.
Entreolhamos-nos durante um rápido cumprimento.
Embora o rosto recorde uma paixão de adolescência,
a resposta protocolar mostra indiferença a minha chegada.
A advogada avisa que chegou minha vez.
A mulher também se encaminha para a sala de reunião,
onde embora juntos, estamos separados por mundos diferentes.
Durante a coreografia oficial, a conversa é truncada pela escrivã,
que insiste na leitura de maneira inequívoca e quase monossilábica.
No ar apenas o monótono som das palavras escritas, digitadas e conferidas.
Somos dispensados da torturante revisão da verificação documental.
Descendo no elevador, novamente sujeitos ao hiato sonoro desconcertante,
durante a viagem espacialmente curta e temporalmente longa.
Hesito, mas tento uma conversa sem palavras e não correspondida.
De súbito digo que gostaria de conhecê-la melhor,
enquanto entrego meu cartão de visitas.
Ela balança a cabeça sem entusiasmo se afastando do meu pedido.
E sem hesitar, segue o seu destino me abandonando desarticulado.
Não sei por que ela continua me recordando alguém.
.............................................................
Agora, longe do meu alcance, avaliando o trejeito percebo quem era!
Já fomos casados, tivemos filhos e nos separamos buscando ser feliz.
Hoje, com alguma maturidade, sei que:
Felicidade não existe.
O que às vezes aparece é:
Oportunidade para “ser feliz sem saber”.
Opção que às vezes descartamos por orgulho, estupidez,
ou quando o predominante cotidiano invade,
mescla e conduz nossa vontade.
Dissipando o “importante” e consolidando o “urgente”.
Ao fim de tudo não passamos de uma seqüência de tentativas de tentar ser,
aquilo que imaginamos querer ser.
(*)in≠
[mlfb]
15 abril, 2006
Discernimento Antropológico
não se impõe caminho a ser trilhado.
Nada dirige o explorador alem do seu ímpeto pessoal curioso e sua vontade própria.
Se a descoberta não lhe agrada, ele não poderá responsabilizar outrem.
Ninguém respira por você.
Democratize seu oxigênio, sem compartilhar o pulmão tuberculoso.
Respire, sem contaminar o entorno.
[mlfb]
01 abril, 2006
REcuperação NATA
que o joelho não e' foco de preocupação.
Fazer fisioterapia era mandado do coração,
planejando futuro com sabor inebriante de presente.
Não fiz sequer uma sessão de hidroterapia.
Apenas descobri o brilhante olhar da hidroterapeuta.
Um olhar, um bom dia...
De repente um encontro casual e matematicamente improvável,
quebra todo meu ceticismo, e me transforma num moleque feliz.
A linguagem verbal hesitante denuncia o interesse.
Ser tudo num só instante.
Minhas defesas são inúteis...
A linguagem corporal apenas corrobora a verbal.
Uma vontade avassaladora de tocá-la me deixa ridiculamente exposto e desprotegido.
Mas o olhar fixo confessa interesse que transcende o instinto.
O joelho!?
Creio que melhorou...
Mas espero que necessite de mais fisioterapia,
só para manter o coração saudável.
[mlfb]
26 março, 2006
Tempo & Espaço
A rotina destrói todo sabor de viver.
São as mesmas caras sem sorriso,
com a mesma falta de sentido diário,
e a mesma coreografia caóticamente repetitiva.
Apenas a novidade me reascende.
O risco atávico de viver,
e permitir respirar a mesma molécula de oxigênio,
com ´sabor´ diferente.
Tenho fome contínua de descobrir.
Encontrar o que me surpreende e estanca o marasmo
de ser sempre a mesma velha conhecida carcaça.
Errante no tempo e no espaço.
Sem memória, não existiria percepção de tempo,
e consequentemente espaço.
Só uma carcaça sem o lóbulo de memória estaria livre.
Talvez possa realizar uma lobotomia.
Para não lembrar de ser feliz...
[mlfb]
20 março, 2006
Vontade...
Vontade de vontade da vontade,
Vontade com vontade da vontade,
Vontade de mãos dadas.
Vontade de assistir TV,
Vontade de ir ao shoping,
Vontade de não sentir o fim de semana passar,
Vontade de tomar vinho conversando.
Vontade de tomar banho te esfregando,
Vontade de conversar tomando vinho,
Vontade de olhar com cumplicidade,
Vontade de tocar com carinho.
Vontade de taquicardia de felicidade,
Vontade de orgasmo com paixão,
Vontade de esperar o telefonema,
Vontade de ter saudade.
Vontade de fazer massagem,
Vontade de fazer sacanagem,
Vontade de dizer bobagem,
Além de tê-la escrito...
[mlfb-97]
04 março, 2006
LOLITA
Escondido e tão camuflado,
que apenas percebo a íris de tonalidade esverdeada,
quando ela já me encara através de uma fresta mais iluminada.
Agora olho a olho.
Começa o jogo perigoso, que nunca conseguimos evitar!
Ela, alternando entre ser "caça" quando finjo ser "caçador",
e "predadora" quando me distraio.
De súbito, um falseio.
Num bote rápido, dissimulado e ágil,
ela abocanha apenas por prazer, sem impingir a morte.
Fico ferido o suficiente para garantir o distanciamento seguro.
Então, parecendo arrependida,
volta a exibir-se como "presa" desprotegida.
Com um sorriso que traduz a certeza de estar absolvida.
Cuido do meu ferimento.
Volto novamente a permanecer de tocaia.
E o jogo continua até que a morte nos separe.
[mlfb]
28 fevereiro, 2006
Ablação do Menisco
Usar muleta ainda que temporariamente,
é formalizar a degradação do corpo outrora de atleta.
Existe fila para alugar muleta.
Fila que me obriga a perceber
a existência pessoas deficientes
que passam a vida toda sob tutela de alguém.
No colo das mães ou nos braços dos pais.
Sem nenhuma possibilidade de militar a fila desnecessária.
Às vezes, esperar desnecessariamente, é uma oportunidade necessária
Para poder mergulhar na reflexão da vida.
Agora já no centro cirúrgico
Também quero ser agente
Estou cansado de ser paciente.
A anestesia me retira de cena.
Ainda que sonolento, a tecnologia me permite viajar pelas minhas entranhas.
Testemunho o mastigar da trituradora enguia mecânica.
Remexendo, resolvendo e dividindo
arbitrariamente a minha cartilagem degenerada.
Funilaria do esqueleto maltratado de caminhar no futuro.
Já no quarto fica apenas a dor no joelho ‘invadido’.
Aniquilada pelo médico com um simples analgésico.
O desejo de cura do joelho
Que vai controlar a perna,
Que move o corpo,
Que suporta a cabeça.
Que pensa... pensa...pensa e pensa.
E na verdade exala idéias mal digeridas.
Sinto uma fadiga incomoda
Que me faz adormecer.
Estou combalido.
Dia seguinte:
Acordei cansado, com dor, fome
e querendo tomar banho em casa, para lavar a alma.
Coisa de gente doente.
[mlfb]
Mulheres II
Perpetuar a vida da espécie humana.
Têm hemisférios cerebrais mais intensamente conectados.
Incrustadas na estrutura de poder, sem deter a força.
Possuem uma intrínseca capacidade de simular orgasmo.
Certamente são privilegiadas.
Entretanto, às vezes aparecem algumas míopes, confusas, perdidas e com crise de identidade, “exigindo igualdade!”
Como igualar por decreto o que é biologicamente distinto?
Como igualar branco com preto?
Como igualar água com vinho?
Um só ganha legitimidade de existência frente ao contraponto do outro.
Somos igualmente complementares com ligeira vantagem para as mais nobres.
Que devem aceitar viver tranqüilamente o luxo de ser objeto de desejo.
Sem dramas na consciência e muitas manobras na convivência.
[mlfb]
24 fevereiro, 2006
Aniversário da Flávia Lippi
Corpo de adolescente,
Sabedoria de mulher,
Coragem de homem,
Sensualidade de Sereia.
Enfim "diversidade"
travestida de beleza.
Feliz Aniversário.
[mlfb]
12 fevereiro, 2006
Mulher
Menor compatibilidade mental com o homem.
Melhor acoplamento sexual com o homem.
Maior evidência da inferioridade do homem.
Mais onerosa diversão do homem.
Maior monopolista de produto sem concorrente.
Ainda bem que sou compulsivamente resignado com a vida.
[mlfb]
Salesman
Para quem não precisa,
Por um preço maior que o valor real.
Quem paga?
Aquele que compra.
Com o dinheiro de quem trabalha...
[mlfb]
Trânsito
EXISTE gente sem rumo,
SEM destino,
SEM vontade de chegar,
SEM desejo de viver,
Uma desarticulada 'MANADA' de falsos motoristas.
Encurralados no caminho do matadouro.
[mlfb]
10 fevereiro, 2006
Cara-pálida & Índio
Mas o temporário grupamento ordenado de moléculas,
tem um defeito intermitente:
a MENTE!
O cérebro evoluido apenas para articular a sobrevivência e
coordenar a eterna busca para replicar e perpetuar a coleção de moléculas;
possui um efeito funcional colateral,
que corrompe o funcionamento normal:
PENSAR!
E por séculos vai nos transformando de simples atores,
em intrincados observadores.
Travestindo com uma função antropológica,
aquilo que é puramente biológico.
Evoluir para que?
Para transformar instinto em vontade?
Realidade em pensamento?
Pior ainda!
Pensamento em realidade...
É a criatura (homem) se rebelando contra o criador (cosmo)!
Previlegiando o intelecto, e mutilando o instinto.
Ser índio, além de mais inteligente,
também é mais humano.
Nunca vi índio matando javali para cumprir meta de caça.
Nem Governança Tribalista!
Eles apenas cumprem resignados,
o insignificante papel de ser sem sentido,
sem ego,
sem defeito e fiéis.
Não ao "Programa de Milhagem",
mas ao projeto original do homo-sapiens.
Será que o Google consegue achar meu arco & flecha?
[mlfb]
05 fevereiro, 2006
Renda-se!
Mergulhe no que você não conhece, como eu mergulhei.
Pergunte, sem querer, a resposta, como estou perguntando.
Não se preoucupe em "entender".
Viver ultrapassa todo o entendimento.
[Clarice Lispector* 1925-1977]
(*) A escritora nasceu na Ucrânia, mas viveu no Brasil desde os dois meses de idade. Suas obras mais famosas incluem Laços de Família, A Paixão Segundo G.H. e A Hora da Estrela. Nos textos, Clarice explora a solidão e a incomunicabilidade humana.
Ouça>> [ 56kb ] (Interpretação livre de Antônio Abujamra)
03 fevereiro, 2006
01 fevereiro, 2006
16 janeiro, 2006
Nada+ando pela Piscina
Parece desperdício para os que morrem sedentos.
Mas no deck da piscina avarenta,
Alguém justifica a economia subjetiva,
legitimando a distribuição de renda desigual.
Um modelo matemático é confundido com prática comunista.
Logo a discussão termina em organizada excursão coletiva ao litoral,
Para ver H2O contaminada de sal.
Do outro lado da piscina lotada de gente fritando o cérebro,
um grupo de crianças me convida para uma aula de mergulho de cabeça,
Sem muita conversa...
Enfim... como dizendo carinhosamente:
''Tio fale menos sobre o dispensável e faça mais o essencial!''
[mlfb]
08 janeiro, 2006
Maior Idade: 18, 21 ou 50?
Pouco tempo de viagem.
Nenhuma fila de espera.
É 'self' o serviço,
Coma o quanto seu olhar deseja,
ainda que submetido ao limite corporal.
Inunde sua alma.
Distraído eu puxo conversa com um rapaz
acompanhado de uma animada moça.
Ele dispara uma questão contundente:
- Voce se conhece?
Não respondo, na esperança do circunstancial de diluir.
Insistente e firme ele pede
para que eu aceite ser livre.
Não me reconheço com fome de viver.
A moça animada refoça dizendo:
- Nunca é tarde!
Fui apresentado a mim, e fico desconfortávelmente aturdido.
Porque aquela gente remexe minhas entranhas?
Porrada afetuosa que desperta a 'eu' esquecido no passado.
Quem são voces?
- Seus filhos, não reconhece?
- Pai! Podemos pedir a conta?
Eu pago, mas não apago.
Continuo aprisionado.
Inútil seguir e dormir sem sentido.
Pura reflexão, sem atitude.
Incômodo do auto-reconhecimento.
Preguiça do recomeço sem paradigmas.
Ser mestre do destino que não governo,
mas penso dirigir.
Promessa de me frequentar mais,
com menos rigor
com mais vontade de 'felizar'
o que em mim flui.
[mlfb]
05 janeiro, 2006
Liberdade
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda..."
[Cecília Meireles 1901-1964]
30 dezembro, 2005
Bom & Imprescindível
Há aqueles que lutam muitos dias, e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos, e são melhores ainda;
Porém há aqueles que lutam toda a vida, esses são os imprescindíveis."
[Bertolt Brecht 1898-1956]
19 dezembro, 2005
17 dezembro, 2005
E depois de uma tarde...
Onde sempre acabou cada ilusão.
A forca dos meus sonhos e' tão forte
Que tudo renasce a exaltação,
E nunca as minhas mãos estão vazias.
[Sophia de Mello Breyner]
16 dezembro, 2005
Formatura do meu filho

Fernando César,
Você merece muito mais...
Não só pelas surpresas,
mas pelos teus sábios ensinamentos ao longo de nossas vidas.
Fiquei muito orgulhoso da tua participação na minha vida,
O discurso e tua performance confirmaram
teu cativante sucesso.
Olha ai', para os que não puderam comparecer, a transcrição do discurso:
"Que desafio! Em apenas 5 minutos eu conseguir em nome de todos resumir tudo o que significou e com certeza significará em nossas vidas a escola! O Magno.Desafiador e difícil porque seria injusto resumir o significado da escola em apenas momentos isolados... A escola é muito mais que momentos, muito mais que notas, muito mais que acordar cedo, muito mais que toda essa superficialidade que resumiria facilmente o “ser” da escola.
A escola é aprendizado, crescimento, amadurecimento, diversão, a escola é transformadora. É nela que nossas idéias se concretizam, é nela que passamos de ingênuas crianças para adolescentes questionadores. E é ela que tem uma grande parcela na formação de nossas idéias, da nossa cidadania, do primeiro degrau de futuros profissionais; e são os professores; menos não achando, que são grandes responsáveis e influenciadores agentes nessa transformação.
Foi aqui no Magno que nós crescemos, aprendemos, choramos, sorrimos, brigamos, fizemos as pazes; foi no Magno que nós nos identificamos com alguns professores e nos estranhamos com outros; foi aqui que nós começamos a ver que o mundo é lotado de regras, e foi aqui tambem que nós começamos a questioná-las. Em fim o Magno não foi um momento, uma passagem; o Magno foi história, o Magno é a nossa história!
Eu não podia deixar de falar dos pais! Ao mesmo tempo que eles não tem nada a ver com a escola, eles tem tudo a ver com a escola... Nada a ver porque mal sabem o que se passa em nosso dia a dia; a zona na sala, a lição não entregue, a briga com o professor. E tudo a ver porque são eles os principais responsáveis e mais preocupados com quais melhores decisões tomar para o nosso bem. Os Pais são o começo, o princípio, o espelho, são os nossos super protetores, o nosso porto seguro incondicional. Os pais são os pais!!! E se nessa frase cabe tudo que eu falei, nenhuma frase descreve melhor os pais.
E deixar de falar dos amigos então?! Afinal o que seria da vida na escola sem os amigos?! Os verdadeiros amigos... Os amigo que são como pontos de apoio, mesmo você estando, certo ou errado, eles sempre estão lá! Não sei se é porque eu amo meus amigos, e os que eu amo sabem do que eu estou falando, mas são os amigos da escola os de verdade, porque nós crescemos juntos, amadurecemos juntos, sofremos juntos, vivemos juntos e serão eles, os amigos de verdade, os eternos amigos.
Bom galera nós chegamos lá! E agora? A faculdade, os sonhos, a vida adulta, os novos desafios, os novos medos e o futuro, e por mais retórica que seja a frase “O futuro esta em nossas mãos” é também a mais verdadeira, porque cabe a nós, a partir de agora, nos conscientizamos e nos esforçarmos para que nos tornemos agentes desse futuro. O poder de mudar a realidade está em nossas mãos basta querer viver, querer deixar marcas e não apenas passar omissamente pela vida.
Que cada um de nós tenha um ontem inesquecível, um hoje incomparável e um amanhã imprevisível. Obrigado Mãe, Pai, Flávia, Familia, Amigos e Magno. Agradeço o que sou a vocês. Vou sentir saudades de acordar e ir para escola!"
11 dezembro, 2005
Matemática no Século XXI
+ 10 temido
+ 10 preparado
+ 10 ligado
+ 10 mascarado
+ 10 mobilizado
+ 10 compromissado
__________________
= 70 ser humano
Paralisia do Movimento Parado
Caminhada caótica de quem percorre a vida sem sentido.
O pensamento embaralhado pelo sol de dezembro
Procurando a senha bancaria, tão secreta que nunca será emitida.
De repente uma facada com vigor rasga minha compaixão,
com crueldade quase letal.
Embaixo da carroça alguém se debate em convulsões.
Esbocei ajudar, mas meus movimento foram propositadamente lentos,
na esperança de alguém chegar primeiro.
Agora já somos quase cinco pessoas...
A debilidade da minha falsa coreografia humanitária passa despercebida.
O homem e sua hérnia afastam ferozmente qualquer gesto de ajuda.
Que bom! isto legitima e mimetiza minha passividade.
Meu celular toca e catalisa o distanciamento compulsório.
Mesmo o telefonema sem importância, avaliza o afastamento com ares de missão cumprida.
Mas a consciência segue ao meu lado e me deixa sangrar.
Um jorro hemorrágico e suculento,
que vai me desumanizando,
ate' estancar a ultima gota de solidariedade.
Na ocorrência fica registrada a falta de compaixão,
o enrijecimento da alma,
Congelada, perdida e amargurada,
rebocando o corpo asséptico,
dissimulando um movimento inercial.
Sem rumo vital.
Ate’ mesmo as moedas para compra do anti-convulsivo foram omitidas.
Tenho que achar uma academia de humanização...
Urgente!
01 dezembro, 2005
Falha
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
Fernando Pessoa (1888-1935)







