Fragmentos de textos interessantes de autores renomados e também de minha autoria, depositados aqui ao invés de entupir a caixa postal dos amigos.
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28 julho, 2009
FELICIDADE REALISTA
Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.
E quanto ao amor? Ah, o amor.... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando.
Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo.
Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade.
Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum.
Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando.
Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado.
E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. .
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno.
Olhe para o relógio: hora de acordar
É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente.
A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade.
Se a meta está alta demais, reduza-a.
Se você não está de acordo com as regras, demita-se.
Invente seu próprio jogo.
Faça o que for necessário para ser feliz.
Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade..
Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração.
Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.
(Mário Quintana 1906-1994)
26 julho, 2009
23 julho, 2009
TELAespectadores
Isto costumava ser um encontro de pessoas.
Todos atentos ao interlocutor, respondendo de forma quase servil.
Isto costumava ser uma conversa em torno da mesa.
Parece uma animada reunião de amigos,
não fosse o fato de cada um interagir com alguem remotamente,
através de uma tela de cristal , que lembra um espelho de maquiagem do século passado.
Sinais iluminados são orquestrados por ondas eletromagnéticas cuidadosamente acolhidas.
Ficamos reduzidos a condição de TELAespectadores.
Rodeados de telas intermediadoras de relações desumanizadas.
Nos reunimos apenas para emprestar à nossa conversa remota,
o calor do corpo adjacente, que transforma o virtual em quase real.
O olhar contemporâneo está digitalizado.
Contato só por "e-mail".
Abraço só de "winks".
Beijo só é animado se for "emoticons".
Sexo só embalado por "Photoshop".
Falta materializar o virtual...
Minha geringonça portátil me interrompe,
sinalizando o que devo fazer daqui a dez minutos.
Tenho esperança que o próximo alarme,
seja um compromisso sem destino programado.
Com um pouco de gente real a menos de 20 centímetros da minha pupila,
dando a impressão que continuo vivo e com livre arbítrio.
[mlfb]
21 julho, 2009
O Homem lúcido
O homem lúcido sabe que é o equilibrista na corda bamba da existência. Sabe que, por opção ou acidente, é possível cair no abismo, a qualquer momento, interrompendo a sessão do circo.
Pode também o homem lúcido optar pela Vida. Aí então, ele esgotará todas as suas possibilidades. Passeará por seu campo aberto e por suas vielas floridas. Saberá ver a beleza em tudo. Terá amantes, amigos, ideais. Urdirá planos e os realizará. Resistirá aos infortúnios e até às doenças. E, se atingido por algum desses emissários, saberá suportá-los com coragem e mansidão.
Morrerá o homem lúcido de causas naturais e em idade avançada, cercado por filhos e netos que seguirão sua magnífica aventura. Pairará então, sobre sua memória uma aura de bondade. Dir-se-á: aquele amou muito e fez bem às pessoas.
A justa lei máxima da natureza obriga que a quantidade de acontecimentos maus na vida de um homem iguale-se sempre à quantidade de acontecimentos favoráveis. O homem lúcido que optou pela Vida, com o consentimento dos Deuses, tem o poder magno de alterar esta lei. Na sua vida, os acontecimentos favoráveis estarão sempre em maioria.
Esta é uma cortesia que a Natureza faz com os homens lúcidos.
texto Caldaico(*) do VI século a.C., belamente encenado no filme: Separações de Domingos de Oliveira.
14 julho, 2009
12 julho, 2009
09 julho, 2009
Metamorfose da memória ?
Enclausurados no tempo presente, pretendemos o futuro debruçados em lembranças do passado disforme.
O mendigo do outro lado da rua impede minha travessia.
Fico sempre transtornado ao encarar “nosso” Frankenstein social:
um aglomerado de entranhas e sobras desumanas.
Tanto progresso me enfastia....
Permaneço aflito por uma realidade menos glamorosa.
Meu estomago se esforça transbordando suco gástrico.
Estufado e super lotado de nutrientes.
Esbanjando energia e dilatando meu corpo.
O mendigo se fartaria com meu vômito.
Sinto prazer na rotina ritual do “cappuccino after lunch”
Desnecessário...
Uma lufada de tempo faz o futuro chegar sem perspectiva.
A metamorfose contínua me renova a cada instante,
fugindo da recordação do meu antigo ser.
Lembro como fui, e me vejo obrigado a continuar sendo: o mesmo.
Contaminado de cenas antigas que se misturam às células recém chegadas.
A descrença religiosa aumenta minha fé.
Esqueletos preenchem pessoas cheias de vontade,
Com simplicidade que me deixa perplexo.
Um garoto viciado em aplausos, morreu.
"Causa mortis": vaias da vida.
O talento anacrônico não foi capaz de salvá-lo.
Quero caminhos, mas vejo exércitos de jesuítas.
Em catequese contemporânea do consumismo espiritual.
Disseminando idolatria do estético delineado por algum designer-ditador.
O vento do norte espalha melancolia.
Homenagem ao conhecimento aprimorado.
Questiono minhas férias de mil e uma noites com fogos de artifício.
Oportunidade de escrever historia,
Perder o “expresso” de peso...
Ligações interrompidas renascem mais profundas.
Um casamento na igreja é abençoado por Deus.
(confortável invenção do homem destituído de responsabilidade)
Um vazamento de gás se expande e não tem vontade de terminar.
Ficamos enlouquecidos, contrariando a evolução das espécies.
Os dedos trêmulos tateiam sonhos de uma vida.
Tumultuo sem líder, sem resistência, com violência.
Uma guerrilha eletrônica espalha políticos sem ética.
O senado os acolhe para procriar "corrupção moralizada".
Um veterano invicto de dignidade arrisca perenidade.
A punição é permanecer entre os vivos,
Enjaulados nesta modernidade e culpados desta realidade.
Uma existência de momentos costurados pela memória...
Hoje é noite para o dia de amanhã,
Assegurado pela fornalha de hidrogênio,
Que frita sem piedade nossos poucos neurônios.
Enlouquecidos e aposentados para não pensar.
[mlfb]
04 julho, 2009
Sobre o nosso estranho universo
Para quem não pode irà FLIP em Paraty...
Uma palestra legendada do Richard Dawkins em 2005.
03 julho, 2009
A Stimulus Story
Suddenly, a rich tourist comes to town. He enters the only hotel, lays a 100 dollar bill on the reception counter, and goes to inspect the rooms upstairs in order to pick one.
The hotel proprietor takes the 100 dollar bill and runs to pay his debt to the butcher.
The Butcher takes the 100 dollar bill, and runs to pay his debt to the pig raiser.
The pig raiser takes the 100 dollar bill, and runs to pay his debt to the supplier of his feed and fuel.
The supplier of feed and fuel takes the 100 dollar bill and runs to pay his debt to the town's prostitute that in these hard times, gave her "services" on credit.
The hooker runs to the hotel, and pays off her debt with the 100 dollar bill to the hotel proprietor to pay for the rooms that she rented when she brought her clients there.
The hotel proprietor then lays the 100 dollar bill back on the counter so that the rich tourist will not suspect anything.
At that moment, the rich tourist comes down after inspecting the rooms, and takes his 100 dollar bill, after saying that he did not like any of the rooms, and leaves town.
No one earned anything. However, the whole town is now without debt, and looks to the future with a lot of optimism.
And that, ladies and gentlemen, is how the United States Government is doing business today...
23 junho, 2009
Esquizofrenia Coletiva
quando todos só se empenham em viver delírios crônicos cerebrais.
Quero minha mentira verdadeira....
[mlfb]
21 junho, 2009
Dúvida....
Porque nos ocupar com a realidade?
Talvez para não correr o risco de viver uma mentira...
[mlfb]
12 junho, 2009
Dia do Namoro
Depois de acordar com vestígios da procissão de Corpus Christi em São José do Barreiro....
"Mas assim mesmo vou correndo, só para ver o meu amor...."
....Um momento de tristeza
Levanto na esperança de tropeçar no meu presente...
Sou atropelado pelo passado recente de uma bebedeira desmedida, tentativa de esquecer o futuro esperado que nunca vem.
Dia dos Namorados podia ser mais ameno e chamar Dia do Namoro.
Porque a atitude de namorar prescinde de ser namorado consumado.
Traduz-se na apologia do beijo na candidata, um abraço na "prospect", fazer carinho no amor antigo, ou até trocar olhares.
Namoro de mentira,
Namoro de conveniência,
Namoro de casamento,
Namoro de insistência,
Namoro de competência,
Namoro de flerte,
Namoro de passagem,
Namoro de viagem,
Namoro de separação,
Namoro de brinquedo novo,
Até mesmo namoro por incompetência
Também devia ser comemorado o Dia do Amante Solitário,
Por ser genioso,
Por ser religioso,
Por ser perseverante,
Por lealdade a alguém infiel,
Por não querer contraponto,
Por altruísmo,
Por covardia,
Por não querer endereço de e-mail:
Por horror a comprometimento,
Por incapacidade de manter solidariedade conjugal,
Por intenção de preservar a espécie humana,
Por não saber que não terá outra chance,
Por menopausa social,
Até por opção...(uma leviana mentira com argumento consistente)
A chuva continua a conta-gotas, interminável e torturante.
Continuo imaginando:
"Ela vem toda molhada e despenteada...."
Estão abertas as inscrições:
Candidatas devem enviar e-mail com pretensão amorosa para:
06 junho, 2009
Sensações Clandestinas (ECOfelicidade)
Percebo um presença insistente arrolada no meu pensamento.
Ela emerge fulminante e compulsória, à minha revelia.
Eu fico sempre vulnerável ao primeiro sinal de desejo.
Os planos para futuro são escassos, no mundo real.
O afago sinestésico deixa marcas indeléveis na alma.
Carinhos e pupilas dilatadas nos condenam e revelam um affair quase virtual.
Num abraço onde sempre falta coragem para soltar.
Ficamos constrangedoramente emaranhados.
Na troca de olhares que denuncia a desconcertante surpresa do inviável, ser possível.
O compromisso de amor oficial dela, nos sufoca e intercepta o conluio visceral.
Ela não sabe ser borboleta, e continua larva rastejante.
Contida no casulo adormecido, com segurança habitual.
Hesitamos.
Escassez de coragem para romper a singularidade de existir,
alem do sabor de um beijo impregnado no córtex.
Mais que isso! Viabilizar o improvável.
Depois cada um segue inconteste seu(m) rumo, economizando felicidade:
Almejando uma vida comum sem direito a plenitude.
Somente flashes de encontros sorrateiros e fugazes.
[mlfb]
31 maio, 2009
Diane Lane
O prazer de dirigir é triturado pelo transito travado.
Caminho entre ruelas com prédios de luxuosos.
Vazios de gente e repletos de anônimos limpando e seguranças inseguros.
Diane Lane me fita de com olhar lúbrico, mas logo se vira para Mikey Rourke.
A conversa é breve, ele se distrai e também acaba envolvido pelo olhar sedutor.
Ela aperta o gatilho e dispara um killshot.
Uma fina lágrima revela o arrependimento antecipado...
Já é noite no caminho de volta.
Cruzo na calçada com uma mulher "fast-food",
que se empenhou o dia todo para garantir algumas horas de beleza artificial.
Um homem "metrossexual" aguarda sentado no carro também feito para impressionar.
Em algum lugar um restaurante se presta para cenário da noite inesquecível,
Que vira engodo, ao primeiro banho de piscina ou prestação do carro atrasada.
Ela vai querer estar gravida, sem ser mãe.
Em alguns meses e virá o inevitável divorcio do casal,
que nunca se relacionou apenas coreografou.
Deito no leito vazio e sonho acompanhado.
Com olhos quase cerrados percebo a penumbra sorrateira em movimento.
Dança cadenciada de um corpo sem limites.
Pela manhã tomamos café com leite e pão na chapa.
Acordo comendo as migalhas...sozinho...
[mlfb]
24 maio, 2009
Feliz 100 Felicidade
Um folgado estaciona o automóvel ocupando duas vagas.
O carro parece a mais eficiente forma de locomoção individual, mesmo sendo a menos eficaz. Para usufruir desta ambigüidade é mandatório saber dirigir...
Respiro fundo e faço uma lista mental de coisas que me irritam:
- Quem segura a porta do elevador, invadindo a mobilidade de quem esta acima ou abaixo.
- Quem expele fumaça, gases e mucos, democratizando compulsoriamente seus dejetos.
- Quem não pratica cidadania, mas reclama do Presidente.
- Quem troca “roupa sob medida“ por “corpo sob medida“.
- Quem considera chique jantar caro com modos baratos.
- Quem dirige carro importado blindado, com ar de espectador imune ao ambiente exterior.
- Quem se esforça pela mentira de aparência sem perceber a verdade da essência da realidade.
- Quem pede perdão na missa dominical, liberando espaço para os pecados da próxima semana.
- Quem se ajusta à moda sem critério de adequação.
- Quem prefere romantismo coreografado prescindindo do verdadeiro amoroso.
- Quem faz de conta, que esta onda verde leviana, salvaria a Terra.
- Quem não inferiu que gnomo é apenas uma forma didática de diversidade espiritual.
- Quem é obcecado por acumular riqueza material se escravizando no futuro de forma avarenta.
- Quem substitui o sistema Heliocêntrico, pelo Umbigo-cêntrico
- Quem não percebe que, hoje, Felicidade é bem de consumo, objeto de desejo exposto nas vitrines, mas sem direito à defesa do consumidor contra propaganda enganosa....
Incômodo, mesmo, é aquele tipo “xerife do mundo” que não se ocupa da própria vida e fica escrevendo enquanto sua existência vai acontecendo....Vida que é única, sem repetecos ou resignadas ressurreições confortadoras.
19 maio, 2009
Emergency Care >> STS-61
Pacient Name: "Theo les Kopie Hubble".
Birth: April 1990.
Age: 19 years.
Eyes: silver.
Height: 13.2 m.
Weight: 11 Ton.
Symptoms: blurred vision.
Diagnosis: Cataract.
Ophthalmologists: astronauts Grunsfeld, Massimino, Feustel & Good
Specialty: Surgery in vacuum
Altitude of the surgery room: ~ 500km
Treatment: Cornea transplant
Medication: Advanced & Wide Field Camera
Ambulance: Atlantis
Time of surgery: ~40hs
Postoperative: ~06 weeks
In the atavistic emotion of space missions, these "surgeons" could restore the blurred vision of all humanity, dramatically extending the limits of human perception.
Democratizing, without selfishness, a privileged view from the third rock that orbits a star of fifth magnitude, called Sun.
Every human being muted excited and amazed with the photos of the immensity of the universe dark, ice, gas and stars.
[mlfb]
11 maio, 2009
Balcão de bar
A altura do balcão me transforma em privilegiado observador.
Ela finge interesse e prossegue com a implacável sedução.
Outro casal de fumantes, troca baforadas de fumaça,
sem deixar nenhuma palavra no ar.
O bar que sempre transborda gente, está quase deserto.
Um grupo de amigas troca confidencias publicamente.
O jogo de futebol na TV serve para indicar,
que o nosso tempo também passa.
Agora o interesse ganha ares de legitimidade.
Os garçons recolhem conversa esquecida nas mesas,
e as colocam no lixo, junto com a comida preterida.
O celular dela toca varias vezes a esmo.
Ele sente-se ou tem impressão de ser preferido...dá no mesmo.
Atenção e dedicação, não escondem perverso jogo de sedução.
Sua indiferença mostra que será necessário mais para conquistá-lo.
Ela acende um cigarro, como o casal vizinho,
na esperança que a fumaça possa enfeitiçá-lo
E revelar a languidez escondida pela névoa esbranquiçada
Que na fumaça da noite, se descortina.
[mlfb]
10 maio, 2009
07 maio, 2009
02 tempos

A exposição coletiva reúne obras de Claudio Tozzi, Gilberto Salvador, Luiz Paulo Baravelli, Marcello Nitsche e Samuel Szpigel produzidas nas décadas de 1960 e 1970 em contraponto com a produção atual dos mesmos artistas.
01 maio, 2009
Hesitação de viver
a certeza de afastar as necessidades do presente,
e consolidar o futuro de forma conveniente.
Ele tinha convicção, que a fúria do instinto
sempre supera qualquer determinação do intelecto.
Ela sempre jorrando uma verborréia quase convincente,
na esperança de criar uma intransponível trincheira de palavras.
Um obstáculo emocional com resistência corporal.
Ele sem pressa, alpinista experiente,
escala monossilábicamente palavra por palavra.
Cada um atendendo seu pretenso destino,
e enganando o divino processo estocástico da vida.
Ambos amedrontados por um beijo lancinante,
que poderia envenenar o confortável devaneio individual.
[mlfb]
30 abril, 2009
QR Code deste Blog

Este é o código inteligente do Blog "Dicotomia da Vida".
Apontando um celular com um aplicativo de leitura de código em execução,
automaticamente o navegador do celular carrega este blog.
Instale um leitor de codigo no seu celular:
http://i-nigma.com
29 abril, 2009
24 abril, 2009
Nesta vida em que sou meu sono,
Quem sou é que me ignoro e vive
Através desta névoa que sou eu
Todas as vidas que outrora tive,
Numa só vida.
Mar sou; baixo marulho ao alto rujo,
Mas minha cor vem do meu alto céu,
E só me encontro quando de mim fujo.
Álvaro de Campos 12dez1932 (Fernando Pessoa)
23 abril, 2009
Callas de Bizet & Carmen por Zeffirelli
Enfeitiçado de tecnologia e negócios inventados.
Vou acomodando minha carcaça na poltrona que aprende meu sentar.
Descanso o corpo, mas a mente continua fustigada pelo entorno.
Reconheço a musica que permeia no ar para impregnar meus neurônios.
Sinto a imaginação conduzida com euforia pela sonoridade da ópera.
Fanny Ardant tem que fazer um grande esforço para não ser perfeita...
Franco Zefferelli empresta sua linguagem cinematográfica para contar a vida de Maria Callas entrelaçada com a história de Carmen.
As vezes eu tenho a descabida percepção que ele escreveu esta opera
para ela cantar e sob medida para eu apreciar.
O ritmo me ressuscita a cada momento que preciso inalar vida.
Contágio neural !
Ninguém permanece imune depois de ouvir Carmen,
cantada por Callas, interpretada por Fanny, dirigida por Zeffirelli.
Esta seja talvez a única forma possível de viagem no tempo:
Eu vivendo o passado como presente e
Bizet presente no meu futuro, como um presente.
Uma simples percepção que viver, transcende estar vivo.
Thanks Bizet.... Callas Forever....
Podemos ser felizes sem ser extraordinários?
Infelizmente não:
Habanera: L'amour est un oisseau rebelle (Carmen)
Pres des remparts de Seville (Carmen & Don Jose)
Chanson Bohéme (Carmen, Frasquita, Mercedes)
Couplets de Escamillo
C'est toi...C'est moi... (Carmen & Don Jose)
Orchestre du Theatre National de l'Opera (Prêtre)
[mlfb]
19 abril, 2009
Sorriso
Falta alimentar a mente.
Tento uma sessão de cinema.
DIVÃ, um filme nacional,
parece suficiente para uma tarde de sábado.
Uma senhora idosa, amparada pela amiga exalando naftalina,
senta ao meu lado e puxa conversa.
Não consigo retribuir o entusiasmo.
Apaga-se a luz e a voz do Caetano dilui a imagem combalida:
"Leitos perfeitos. Seus peitos direitos me olham assim.
Fino menino me inclino pro lado do sim. Rapte-me, adapte-me, capte-me..."
O roteiro me faz ruminar pensamentos já mastigados,
mas não completamente digeridos.
Na volta para casa, o olhar acostumado à realidade fugaz,
percebe a existência como uma tarde sem fim.
O semáforo vermelho permite um ligeiro flerte.
Ela sente-se protegida pelo próximo instante.
A certeza que cada um segue na direção oposta,
funciona como escudo protetor.
Uma nesga de sedução leve e coreografia ensaiada.
Igual a sensação de atirar em legitima defesa.
Você pratica o crime isento de culpa.
E não precisa aguardar nenhum telefonema...no dia seguinte.
Sinal verde, e um sorriso alimenta a alma esquecida.
Faz andar a vida imobilizada no semáforo.
[mlfb]
Desperdício X Suborno
Para que desperdiçar a Vida querendo enriquecer?
[mlfb]
05 abril, 2009
Platéia requintada
Espremidos lado a lado apreciando minha intimidade de maneira descarada: Paul Éluard, Choderlos, Alberto Moravia, Borges, Richard Bach, Machado de Assis, Lima Barreto, Gore Vidal, Fernando Pessoa e até Clarice Lispector, entre outros que não consigo reconhecer.
Puxo o lençol para me resguardar das criticas ao corpo disforme.
Percebendo minha placidez, Alberto Moravia sussurra baixinho:
- Alguem consegue enxergar o outro lado da cama?
Machado logo responde:
- Não é preciso ver para saber o que la repousa....
Paul Éluard se apressa em identificar uma grande paixão.
Dino Buzzati discorda e diz que são apenas restos dilacerados de uma noite prazerosa.
Onde os gritos e gemidos denunciam a alcova libertina.
Finjo não perceber a bisbilhotice da intrigada plateia encadernada.
- Acho que ela é dorminhoca e só vai levantar mais tarde.
Sem levantar os olhos tenho certeza que foi Richard Bach....
Escondo minha risada, sorrateiramente aperto o PLAY ,
e continuo deitado assistindo o filme "Harry and Sally"
onde Meg Ryan, simula um orgasmo em pleno o restaurante...
[mlfb]
01 abril, 2009
Sonho sob encomenda
Um pouco de felicidade clandestina entra com hora marcada.
Deita na rede da varanda com familiaridade.
Nem o "scotch" com muito gelo consegue aplacar a euforia juvenil.
Mãos tateando entranhas buscam aprender o outro.
Nossos corpos se mesclam atônitos no corredor pouco iluminado,
que nos levaria da sala ao escritório.
As vestes rasgadas servem como testemunhas oculares,
do instinto que vai se esparramando impiedosamente.
Sem vergonha de ser mulher,
na pratica do rito animal com êxtase retumbante,
rasga a pele em busca da carne,
penetra a derme com euforia hedonista,
captura o olhar antes que escorra no tempo.
Simples como convém a uma deusa e a um poeta.
Agora me resta apenas duas tarrrachas de brinco,
imoveis sob os lençóis impregnados com cheiro de gente saciada.
Uma lembrança de plenitude e fulminação.
O telefone toca e interrompe meu sonho.
- Alo!! Voce conseguiu comprar as tarrachas que te encomendei ? Sem meus brincos minha vida vira uma loucura!!!
Faço idéia...
[mlfb]
17 março, 2009
Modelos em Física
[mlfb]
08 março, 2009
Ausência ansiosa
Sempre apressado, perseguindo no meu olhar a linha do horizonte, onde o amanhã já aconteceu.
[mlfb]
Reciclagem
Repito a estampa da minha personalidade.
Preciso embaralhar novamente meus neurônios,
para criar um "NOVO EU",
reciclado a partir dos velhos e desgastados....
Reinvenção do individuo ecologicamente correta(o)??
[mlfb]
10encontros
Dispersa, talvez atônita, e fugaz.
Se diz perdida, esquecida, até dismilinguida,
-não sei..... -sei lá o que.....
Depois emerge criando, desenhando e escrevendo
buscando freneticamente o "quem sou eu?"
Ainda tem medo de conquistar platéia e
insiste em promulgar desalento.
Num movimento lento.
Desvinculada, esquecida,
se encontrando com a vida:
artista,
revista,
à vista,
na pista,
turista,
futurista,
ansiosa,
manhosa,
mãe ousa,
ousada,
pousada,
do nada,
nadando,
nada sabendo,
entendendo,
se conhecendo,
sendo,
relida,
repelida,
repeteco,
no boteco,
sem eco,
repeteco,
tenho um treco....
[mlfb]
07 março, 2009
Olha o Sorvete !!!!!!
Poderia fugir para longe de mim?
Largar esta identidade que me sufoca e não deixa ser eu.
Procuro um supermercado de sensações...
Na prateleira tem “paixão avassaladora” e “amor de perdição”
Não consigo escolher,
Quero levar os dois, mas a validade já esta expirada.
Acreditando numa mentira temporária,
Com garantia de felicidade verdadeira.
Ao fim de tudo eu continuo preso a mim.
Sombria impossibilidade de abandono.
Minha mente sempre molestada pela realidade violenta.
A natureza não distingue o bem do mal.
Isto é uma missão para o pequeno disforme e arrogante:
homo sapiens !!!!
Que não tem discernimento, apenas conhecimento.
No lugar da lavoura um supermercado.
Substituiu o instinto por regras rígidas.
Equivoco sideral.
Uma pantomima monocromática,
Uma história degenerada, com gosto de cólera e cheiro de enxofre.
Um momento de descuido da natureza e prevalece o homem.
Essa enxurrada de sinapses desconcertantes me deixa louco.
Queria tatear o significado da vida sem ônus!!
Lucro Operacional, Operador Hermitiano adjunto, Governança Corporativa, Caçadores hiperbólicos, Bósons de Higgs, Seguro de responsabilidade Civil, IPVA, IPTU, IRPF, Radar, Assalto, Pedágio...
Estou cansado. Vou me “deletar”.
Neste quarto aprisiono minhas idéias, onde está você?
Na estrada o horizonte verde decanta as outras idéias suspensas.
Dentro do habitáculo com temperatura controlada,
me desloco velozmente no binômio espaço-tempo.
De onde vem tanta emoção?!?!
Saí em busca de um interlocutor
e acabo me contentando com um impostor.
A natureza não sabe que hoje é sábado.
Não tem sol de piscina.
Tenho que envelhecer sentado na sacada.
Desconstruindo caoticamente o pensamento cartesiano.
Agora o sol ameaça despontar, e cria uma falsa esperança de verão.
Parece que a vida não passa de um delicioso sorvete de palito, derretendo fora da geladeira.
Somente entre uma lambida e outra, podemos apreciar o sabor,
que se esvai no inexoravelmente com o degelo.
Não deixe seu sorvete pingar no chão!!!!!
24 fevereiro, 2009
19 fevereiro, 2009
06 fevereiro, 2009
Zeitgeist, the Movie
sinopse
veja também: >>>>>> Zeitgeist, Addendum
Passeio muito didático pelo panorama escravista imposto pelo corrompido sistema monetário mundial.
04 fevereiro, 2009
25 janeiro, 2009
Significados
Obcecado – quando o hemisfério direito é intensamente drogado com estimulante, enquanto o outro hemisfério permanece sufocado.
Acordado – quando a euforia da alucinação termina e oxigenamos subitamente o hemisfério esquerdo.
Desesperado - quando um elefante cansado pisa e fica parado sobre o nosso pé.
Atordoado – quando acordamos abraçados à assustadora testemunha da excessiva bebedeira na noite anterior.
Feliz – quando o elefante, já recuperado, vai embora e leva a testemunha com ele, na garupa.
Infeliz – depois que passa o efeito fugaz de estar feliz.
Esquecimento – quando por teimosia insistimos em lembrar algo sem nenhuma importância.
Teimosia – quando por esquecimento não desenvolvemos novos pensamentos.
Escrever – não ter nada mais interessante para fazer.
[mlfb]21 janeiro, 2009
Mimetismo dilacerado
Não ultrajar aquele que te descarta,
é sabedoria com discernimento.
Escrevendo, evito incendiar minha alma....
[mlfb]
30 dezembro, 2008
21 dezembro, 2008
Êxtase
fluindo pelas veredas do êxtase.
Sem coreografia ensaiada,
apenas gemidos improvisados.
Entranhas que sussurram,
úmidas e lascivas,
vertendo gênese animal,
impondo instinto sobre racional.
Dando sentido a melancolia da vida civilizada.
Agora, respiração ofegante,
e membros esfolados
pela terna e amistosa contenda
de espasmos neurais,
com dormência mental,
e apetite cerebral saciado.
Enfim uma surpresa emocional....
[mlfb]
20 dezembro, 2008
Vidas de aluguel
A compra do ingresso garante meu transporte imaginário: Sentir sem arriscar!
A cada sessão de cinema, a experiência emocional sem o ônus vivencial.
Temos ainda a garantia de experimentação transitória, voltando sempre ao personagem real.
Após um filme dirigido pelos irmãos Coen (Queime depois de ler) os fantasmas emergem, mas rapidamente a realidade os dissipa de maneira perniciosa.
Converso com estranhos para certificar minha existência alem da tela.
A vida é rápida e faz do tempo uma brincadeira fugaz e incerta o suficiente para nos manter apenas curiosamente surpresos.
Nada garante o futuro com certeza absoluta.
Fico atordoado, mas ainda com enorme desejo de apostar no próximo instante.
Não é preciso empenho para estar vivo ou morto. Difícil é sobreviver...
Sobreviver é uma questão de esforço continuo para aumentar a probabilidade numa direção privilegiada dentre numerosas outras possíveis soluções.
Mas às vezes uma emboscada afortunada nos congela as entranhas:
Fluxo intenso de adrenalina, num átimo de paralisia que parece secular.
Em ritmo crescente o pulsante batuque cardíaco se alastra corpo afora.
O instinto aniquila a racionalidade por segundos, e rastreia possibilidades de êxito.
Aturdido, me defendo (de que!?) e disparo a metralhadora verbal.
Numa seqüência de rajadas eloqüentes e sufocantes.
Logo o arrependimento emerge.
E a cena já consumada, aguarda pacientemente o próximo movimento.
Parado.
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14 dezembro, 2008
09 dezembro, 2008
Trânsito, Realidade & Emoção
Todos os caminhos ficam congelados e sem rumo no tempo-espaço.
No apartamento, um rosto aprisionado pela fotografia, me encara, com olhar insólito, esboçando um ligeiro cumprimento, ainda que confinado ao porta-retratos.
A foto me faz pensar na lembrança do que já não é mais.
O silencio denuncia a falta de vínculos.
Da televisão vem uma saraivada de tiros que quase atingem meu cérebro. Poderia ter ficado desmiolado!!!
O controle remoto não só me salva, mas também me remete a remissão dos pecados, acompanhando uma infindável prece de fé calorosa, louvor ao dízimo no bolso do bispo.
Agora são as noticias no telejornal: cresce o numero de mortos no acidente não sei onde, causado por não sei quem...
Entediado pela realidade, ligo outro aparato eletrônico e me deleito com musica para inebriar a imaginação.
Sinto o tempo passar pelas frestas da mente e balançar o corpo combalido.
Meu olhar busca vestígios latentes de imagens revitalizadoras.
Mas experimento o silencio, sem estar surdo,
Permaneço mudo pela falta de interlocutor.
A catarse escraviza e me algema à solidão.
Meus livros se mantêm calados e imóveis nas prateleiras da estante, como estivessem proibidos de praticar a disseminação do seu conteúdo.
Fui interrompido por um “bip” informando que um amigo distante sentou-se à frente de um computador e acaba de dizer "OLA!" remotamente...
Realidade Virtual, engodo emocional.
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05 dezembro, 2008
04 dezembro, 2008
Musical Day

Depois de ver Marcus Santurys durante almoço no Thai.
A noite fui assistir o Stanley Jordan no Bourbon.
Vontade de ter aprendido a tocar um instrumento musical...
28 novembro, 2008
20 novembro, 2008
NOw TRESPASSING
A cada entrega incandescente, ela se recompõe rapidamente.
Evitando proximidade e planos futuros...
Até mesmo um “date” com antecedência superior a um dia,
se transforma num lacônico: Precisamos ver....
Os lábios grossos raramente pronunciam meu nome,
mas com entusiasmo lascivo deslizam sobre os meus.
Uma massai branca.
Sempre escapando,
de um extremo ao outro,
de forma sorrateira.
Assimilando a angustia de conviver com a felicidade reconfigurada,
Num futuro não linear, sem garantias, sem algemas, nem alforrias.
A gente vai se falando... usando os lábios preferencialmente.
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19 novembro, 2008
C.M. Party





