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10 maio, 2011

Aprendendo 100 você

Ao acordar, mantenho olhos fechados até,
que o lado vazio da cama fique fora do alcance da vista.
Escovo os dentes sem olhar para sua escova ressequida.
Enxugo o rosto sem fitar a piranha roxa esquecida na pia.
Tomo banho só no box, nunca mais na banheira.
Joguei fora o imã de geladeira da nossa pizzaria.
Nunca mais como polenta, ou lentilha.
Tirei pinhão do meu cardápio.
Tua caneca joguei no fundo do armário.
Dei o teu ovo de Páscoa para uma criança de rua.
Também dei os vídeos que assistimos debaixo do cobertor,
agora higienizado para não sentir mais teu cheiro.
Cancelei o curso de vinho e a viagem para Toronto.
Distribui entre amigos todos teus presentes.
Tua foto não rasguei, mas coloquei outra no porta-retrato.
Vou sozinho ao próximo show da Maria Rita.
Removi teu travesseiro do meu leito.
Deletei teu msn, orkut, skype & facebook junto com todos teus amigos.
Apaguei nossas musicas no iPod.
Bloqueei teu usuário no meu e-mail.
Todas nossa fotos arrastadas em um só clique para a lixeira.
Quando sonho com você, chamo de pesadelo.
Fechei minha conta na floricultura.
Não bebo mais água da fonte Petrópolis.
Não peço mais fritas com alho e alecrim.

Me sinto milagrosamente quase curado:
Agora, só lembro de você, quando penso em você...

Para concluir o ritual de desapego, com total sucesso,
vou agendar duas ultimas recomendações:
o transplante do coração enamorado;
e uma derradeira psicocirurgia:  lobotomia frontal .

Sem rejeição e controlando a catatonia,
vou sobreviver muito bem sem alguém...
Obrigado!!


10 troços:
goo.gl/RwiRxgoo.gl/l4LKi, goo.gl/03Ne2, goo.gl/7xowogoo.gl/YuTh4,  
goo.gl/8KnHf, goo.gl/wOV4v, goo.gl/sTvobgoo.gl/gxjn2,  goo.gl/npMAC 

07 maio, 2011

Esperando

Espera,
ex-dela,
exala,
esmera,
quisera,
quem era.
quimera,
lacera,
manera,
sem era.
Sem ela.
Na dela,
espera.
Desespera.
Desmonta,
aponta.
Apronta,
afronta.
A hora,
demora,
enrola,
não cola.
Marola.
Má hora.
Agora.

05 maio, 2011

Esqueci de lembrar de esquecer

Se esquecer fosse possível, tudo era fácil resolver.
Mas esquecer é irrealizável e contra a natureza da mente.
Porque não se esquece o que tem vida na memória,
e virou lembrança.
Memória não se mata,  porque temos que morrer juntos.
Lembramos com saudades do que foi bom,
e com vontade de esquecer o que não gostamos.
Portanto não me peça para te esquecer.
Porque para te esquecer também desapareço.
A gente consegue subtrair da rotina,
surrupiar a presença,
acostumar com ausência.
Mas esquecer, ora tenha paciência !!!

Uma lembrança não foi feita para esquecer.
Um sentimento é invariante às transformações de amor e ódio.
Resta a nós escolher.
Esqueça de pedir para te esquecer.
Porque quem esquece, apenas lembra quando não pode.
Tenho o direito de querer lembrar sempre.
Lembrança, é continuar o convívio com o outro,
sem o direito de renovar a existência.
Lembrança é viver sozinho, com alguém.
Lembrança é plural no singular.
É cada um no seu lugar.

02 maio, 2011

Por um fio

Pego o cobertor para estancar o frio nublado.
Permeio por um fio de cabelo dela, languido e enrolado.
Já não basta memoria renitente...me perseverando.
Talvez ela tenha deixado o desgarrado de propósito.
Para me atacar de saudades,
como uma vingança retroativa.
O fio se emaranha e me tortura.
Cheira à shampoo para cabelos teimosos.
Corro para jogar água fria no rosto,
e livrar-me do pau-de-arara emocional.
Aperto sofregamente o tubo dental,
num movimento mecânico de higiene compulsiva.
Esfrego os dentes até clarear o pensamento.
Usava a escova dela, que se infiltrava na minha boca,
como um beijo espinhoso.
Um corretivo naquela que deveria ter ficado calada.
Ao invés de sufocar a amada com tanta verborreia descontrolada.
Não faltou amor, faltou silencio.

24 abril, 2011

Desvanecendo

Frio nebuloso, garoa,
Sopa, depois um sorvete.
Saudade oca.
Teu gosto me vem à boca.
Esquecendo lembrando,
vai passando.

Tempo

Tempo passa, sem trégua.
Mantendo ritmo inalterado:
quando lento, menospreza ansiedade.
quando fugidio, não repara felicidade.
Segue seu compasso avesso a qualquer cadencia.
escoando por veias continuamente inundadas.
Apressadas e cansadas.
Fico ouvindo os segundos se transformando em anos.
A bem-aventurança democraticamente espalhada no ar.
Inspire fundo, retenha o quanto puder,
seu intervalo para ser feliz.

Não querendo querer

Eu disse que não queria mais
Mas ela insistia como sempre.
Embora eu explicasse, se é que tem explicação....
Argumentasse, retrucasse, enfim me esgoelasse.
Ela sempre arrumava uma forma de me seduzir.
Parecia que eu não tinha importância.
Manda em nós o coração dela.
Eu disse que até a cartomante falou que não dava certo.
Combinações zodiacais, e nada.
Acho que no fundo eu dizia não querer,
porque eu gostava dela me querendo.
Esta era a única forma de eu saber como era querer.
Porque eu sempre não queria querer,
E querendo não querer, eu queria apenas através do querer dela.
Ao menos eu podia imaginar com seria bom viver o querer,
Querendo querer, sem querer.

19 abril, 2011

TaquiEncefalia

Arritmia emocional:
quero, NÃO quero, NÃO quero, quero,
NÃO quero, quero, quero, quero, quero,
NÃO quero, NÃO quero, quero SIM,
quero SIM, querubim...
Um mar no jardim.
É você efervescendo em mim.
Uma taquicardia sem fim.

13 abril, 2011

Dia do Beijo

Ela me convida para jantar.
Barba feita, porque a bochecha dela não suporta arranhões.
Fui pontual para não atrasar a nossa felicidade.
Ela chegou tarde, mas a culpa foi do transito.
Cabelo preso e beijo oficial. 
Tinha pressa e logo fez o seu pedido:
- Não quero mais!  Você pode respeitar ?
Surpresa com minha mudez, continua:
- Tenho certeza que podemos ser bons amigos !!! 
Ganhei um despejo no dia que esperava um beijo.
Eu nunca gostei deste momento na relação.
A liberdade me aprisiona no labirinto da ausência de submissão.

Agora podia flertar livremente com a garçonete disponível.
Podia aceitar convites femininos para sair ou ficar.
Podia desistir da felicidade dela.
Podia ser ateu espiritualizado.
Podia assistir qualquer filme.
Podia dirigir como sempre, rápido e tenso.
Podia poder.
Podia querer.
Podia ser solitário.
Podia ser, sem ter horário.
Era REI !!
Podia tudo. Sem limites.
Só uma coisa não podia:
Fazer amor com quem eu queria!
Minúscula restrição,
para tanta emoção.

11 abril, 2011

Festa de família

O cinema programado ficou para outro dia.
Fomos à festa da família dela.
Queria sair logo ao entrar...
Mas fui ficando...fui sentando...fui sorrindo.
Chamei minha sogra de "mãe˜.
Dei conselho médico para a tia Gertrude.
Ouvi, sem reagir, opinião politica do irmão comunista.
Servi meu sogro repetidas vezes, num sorrateiro coluio de machos.
Vibrei com futebol na TV e até torci para o time da maioria.
Repeti o bacalhau que pensei não gostar.

Já era noite, quando ofereci carona ao primo.
Junto com ele aparecerem três filhos ,
Gritando endiabrados no banco de trás.
Tive vontade de ser pai novamente.
Pegamos estrada, e fomos poupados do  pedágio,
por uma placa sinalizando Vila dos Genéricos a 500m.

No caminho de volta, sozinhos no carro,
Ela me orienta e eu dirijo.
Mãos entrelaçadas como convêm a um casal enamorado.
Paro no semáforo fechado e, com saudades,  pergunto:
Podemos voltar para festa e tomar mais um café?
Estava loucamente apaixonado pela Gertrude.

08 abril, 2011

AMINEUZA

Não sei quantas vezes já havia seduzido aquela mulher.
Não que não tivesse sucesso, ao contrário sempre acabávamos na cama.
Mas no dia seguinte o usual olhar intrigado e a resposta desconcertante:
Desculpe, acho que não te conheço. Como você sabe meu nome?
Isto tem perdurado por semanas...
um reset mental diário após o sono noturno...
Enquanto a minha paixão evolui crescendo em quatro dimensões,
o interesse dela nunca passa do impacto do primeiro encontro.

Mas hoje vai ser diferente.
Durante o jantar tomamos um suco amargo de Cranberry no lugar do usual vinho,
onde sorrateiramente no copo dela misturei um fármaco-estimulante.
Na cama a transa pareceu mais frenética,
dando indícios da competência do química do acorda Maria Bonita.
Depois de muita sexo, já exaustos e satisfeitos, enveredamos por uma interminável conversa de DR que foi avançando madrugada adentro. Nosso leito foi visitado por ex-maridos, ex-mulheres, ex-namorados, pais, trabalho, infância, esquisitices, histórias, desconhecidos, amigos,....
Minha fala foi ficando lenta, meu pensamento desarticulado, o som mais baixo...Êpa!! lembrei que não tinha colocado nem um pouco no meu copo....Zzzzzzzzzz

Acordei com o barulho do chuveiro elétrico.
Levantando em zigz-zag entro no banheiro.
Ela me olha sem o espanto tridimensional e diz:
- Finalmente voce acordou!! Que sono pesado hein? Passei a noite toda tentando te acordar!
- AMINEUZA !!! Meu amor!!
- Como você sabe meu nome?!?!?!

27 março, 2011

enSiMESMadO

Me espanta esta manada humana.
Sentada indolente e afoita no carrossel sideral.
Um conglomerado de proteínas organizadas e retorcidas.
Perseverantes em criar sentido para uma vida enlouquecida,
e tonta de tanto rodopiar, sem parar.

Nesta busca desmedida de entendimento,
daquilo que é só pensamento.
Penso sobre o que penso,
Valendo me do encéfalo, que penso que pensa.

Preciso dispensar este pensamento,
"despensar" este momento.
Percorrer um mantra meditativo.
Entoando sóbrio, sem pesar e vegetativo.

14 março, 2011

Escombros

Minha leitura segue lenta, em Seis Passos.
Copo d'agua na cabeceira para irrigar os sonhos,
Óleo relaxante para massagear o ego,
escova de dente, sem tua boca para beijar.
desodorante feminino.
E na pia do banheiro,
piranha de cabelo que não morde,
mas abocanha com saudade.
No ar, uma teimosa veneração pela vivencia solitária.
Na mesa, um envelope intacto com minhas entrevistas.
Na conversa, uma proposta:
de-morar juntos...
Sem resposta.
Uma relação sem planos,
mesmo assim perdura anos. 

10 março, 2011

Compartilhando

Vida que vai me esculpindo em cada encontro.
E cada conversa vai tingindo colorido com palavras.
Fatos que me experimentam como cobaia desprotegida.
Emoções que desconstroem meu arcabouço cartesiano.
E confundem o futuro que me norteia.
Espalho minha alma em cerebro alheio.
A cada semeada,
sou menos em mim, e mais nos outros.

Uma simbiose sem fim.
Sem crepúsculo para meditar.
Só alegria e tristeza para compartilhar.

02 março, 2011

Engodos Matinais

Me deparo com minha versão levógera no espelho do banheiro.
De perto, desperto sem saber que dia é hoje.
Na pia, um gesto singelo: a escova de dentes já abastecida.
Com certeza ela quer me agradar...
Procuro-a em vão.
Encontro apenas um doce aroma perfumado,
que entremeia a cartesiana monotonia dos azulejos brancos,
enfileirados lado a lado, suportando o teto embolorado.
Reconheco tudo, menos em que dia estou.
Parece segunda-feira pela manhã, com cara de sexta-feira à tarde.
Da cozinha, uma voz de familiar me surpreende:
- Amor!! vamos logo que hoje é quarta-feira, é meu rodízio,
e já deixei tudo pronto, para voce não me atrasar...

25 fevereiro, 2011

Pequena Morena

Imerso na penumbra em desvalia,
onde nada poderia me iluminar.
Um olhar meigo, contundente,  atravessa a sala,
e me designa com saraivada tracejante.
Sua colant ressalta forma em pele morena
Classe com vivacidade, quieta sem timidez,
inteligente,  comedida,  chique sem sofisticação.
Senhora do seu eu, e de muitos outros destinos.
Uma vigor intenso sem fatalidade.
Juntos, percorremos dois pequenos quarteirões,
No meu anseio, o desejo de uma estrada para vida inteira.
Aquelas pernas roliças e reluzentes.
Me incitam, instigam tegumentar .
Enfim me ressuscita, sem hesitação.

22 fevereiro, 2011

Sacerdotisa

Despertei antes de acordar.
Estava completamente enfelicidado.
Sono entorpecido pela noite de paz,
Antecedida por séculos de guerra.
Água na banheira mescla nossos corpos.
Café com leite.
Que parte minha tateio em você? Nunca sei.
Deite.
Olhares de cumplicidade e descompromisso,
Percorrem um interminável domingo de férias.
Nas veredas do teu dorso,
um destino sem chegada.
Nos meus braços tua vontade.
Na tua boca um afago.
Um carinho.
Um jorro indômito.
Deixa vestígios de felicidade clandestina.

Voa pássaro rebelde à espreita do amor divino.
Ultrapassando atmosfera,
em metamorfose compulsória.
Sufoca, e se desespera.

Amar sem culpa, nem multa.
Sem medo.
Sem apego.
Urgente.
Num átimo de segundo.
Numa ode complacente.

Teimosia insiste em não querer.
Persistência arriscando a vida, até morrer.

21 fevereiro, 2011

Incidente

As carícias são roubadas.
O sexo é sagrado.
Na pele,  carinho incrustado.
Às vezes amar é leviano.
Coisa de otário.
Um pensamento solitário,
Sem culpa e sem horário.

Afeto

Ninguém se afasta por decreto.
A gente só se vai por desafeto.

13 fevereiro, 2011

Ilhabela

Racionalmente feliz.
Encaro a decisão, com mudez e convicção.
Submetido ao desapego em solidão.
Piso firme em solo pastoso.
Deixando pegada profunda.
Me descubro passageiro compulsório,
em minha própria viagem.
Inexplicável entendimento sem ensinamento.
Olhar de moleque travesso.
Sem nariz escorrendo,
Sem medo espremendo.
Arremessado na areia a cada onda reptada.
Fugindo da sereia, que me espera mergulhada em teia.
Encharca pulmão e veia.

11 fevereiro, 2011

Fila da escassez

A mãe adoeceu por escassez de afeto,
que o filho não dá.
O filho enlouqueceu pela falta da amante.
que não o quer mais.
Amante espera isso de outro alguem,
que não quer ninguem.
Mas namora a Maria do Ramalho,
e se diverte pulando de galho em galho.  

31 janeiro, 2011

Angústias Impensáveis

Chego às 15:00hs conforme combinado.
Aterriso na poltrona aconchegante.
Nem isso entorpece meu desamparo latente.
Vou falando sem parar,
sobre sentimentos cartesianos,
Imersos em tecido organicos.
A Personal-emotional Trainer sugere alongamento,
para mente sem alento.
Aquecimento.
Esquecimento.
- um, dois e tres!!
aumentar massa de vínculos!
- um, dois e tres!!
reduzir as gorduras de ansiedade!
- um, dois e tres!!
tudo dilacerado nas ruínas do meu ser.
16:00hs paramos e continuo raquítico,
com coração paralítico.

29 janeiro, 2011

Nuances

Na cama alegria.
No cotidiano alergia.
Nas crenças dicotomia.
Vida que ia.
Busca que tudo esvazia.

Cansei

Cansei da tua labilidade,
Descabida na melhor idade.
Cansei dos teus caprichos,
Agora prefiro bichos.
Cansei dos teus problemas,
Fico livre com algemas.
Cansei da descrença em nossa crença.
Cansei.
Combalido, amei.
Me dei...
Tambem te cansei.

(Bem X Mal) me quer

Um abismo nos separa:
Ora descompromisso.
Ora seu não querer,
Ora sede de viver,
Ora outrem,
Ora ninguem,
Ora falta de vintem,
Ora isso,
Ora aquilo,
Iô-Iô emocional,
na vertiginosa cratera abissal.
Sobe e desce.
Entra e sai.
Nunca anoitece,
E tambem não amanhece.

Mudança

Ninguem separa o que não está adjacente.
Só mudamos para um lugar diferente,
aquilo que fica do mesmo jeito:
longe da gente...

(Rela X Separa) ação

Durante a relação:
quanto tem de verdadeiro na mentira contada.
Na separação:
quanto de mentira tem na razão apresentada.

14 janeiro, 2011

Vida 100 rrrrisco

Desaba terra.
Natureza em guerra.
Homem se ferra.
Diluído em desespero
Resta lama,
e talvez 5 minutos de fama,
No jornal ou notícia na TV,
Fala contigo sem te ver.
Eu?
Continuo alienado, parado.
Catárticamente parado.
Descontaminado.
Vida sem desabamento,
Sem alento,
Sem estória, nem tragédia.
Uma vida sem memória.
Inodora, incolor.
Vazia de sabor.

13 janeiro, 2011

Zeitgeist Moving Forward



Estréia dia 20 de janeiro 2011. (divulgue!!)

01 janeiro, 2011

Andarilho eXistencial

Tantos caminhos, e trilhei este aqui.
Esburacado e tortuoso, porem reto.
As margens sempre cercadas,
nos faz desejar o proibido espaço alheio.
Não pela beleza percebida,
mas pela impressão de intangível.
Um sopro magnífico esfria minha fronte.
Traz poeira e não me importuna.
É como passear parado,
sem esforço, permear dimensões,
caminhando no tempo.
Quero ter uma falsa sensação de vida.
Ser verdadeiro cansa.
Enfadonha os transeuntes...
Acabou meu tempo.
Chegou sua vez de jogar.
De novo começa.
Daqui a pouco termina.

21 dezembro, 2010

Re-ferida

Dói passando, dói sarando.
Nova contusão, outra decepção.
De novo perdão.
Sem revisão.
Dói novamente, mas passa lentamente.
Alerta nova mente,
que não mente.
Desmente,
demente,
da mente,
valente,
ardente.
Insistente amante.
Beijo errante,
morno e combalido.
Parece desodorante vencido.

20 dezembro, 2010

Delivery Love

Meu coração faminto e desatento,
não digere "Fast-Love",
ainda que embalado em isopor.
Não esfria, mas causa dor.

15 dezembro, 2010

Evaluation (ON-OFF)

Assegurada a presença constante,
só ausência valoriza o amante.

07 dezembro, 2010

Exame de coração

Coloração: violeta, na tonalidade da ametista do seu novo pendat.
Consistência: em processo de amolecimento.
Frequência: alterada,  batimento mais confiável e transparente.
Irrigação: Constante, persistente, intensivamente monitorada
Arritmia: somente quando exposto a ritmo apaixonado.
Durante teste envolvimétrico, sob esforço, apresentou um padrão de performance extraordinário, especialmente em rendição com plenitude.

Diagnóstico:
Órgão em processo agudo de suavização homeopática decorrente de aparente estado de inebriamento ativo. Indícios de contaminação afectuosa que pode ter se alastrado durante os últimos 10 meses.

Profilaxia:  viver um amor verdadeiro (antes de dormir)

01 dezembro, 2010

Delírio @ 05:00 a.m.

Desperto encharcado de você.
Lambuzado na lembrança.
Um espasmo derradeiro aspira alma...
e não descansa.

26 novembro, 2010

Contrapontos

Penso em casamento.
Ela em distanciamento.
Falo do meu querer,
Ela diz sobre o que não quer.
Confesso incerteza com afeto,
Nela o vinculo é desafeto.
Envio flores,
Ela fala de amores.
Somos cumplices só no leito,
que por descaminhos foi desfeito.
Quero um encontro a dois,
deixando a vida para depois.

25 novembro, 2010

Perdas

De tudo que vivemos,
Restou apenas um sandwich frio de mortadela.
Espreitando minha fome de soslaio.
Para alimentar barriga e alma...
Digestao dificil.
Dói, mas passa.
Regurgita e mastiga, que passa.
Uma risada transpassa.
Um beijo repassa.
Relaça.
Enlaça.
Amordaça.

19 novembro, 2010

Telefonema

Depois do jantar regado a vinho escolhido pelas amigas e um antigo namorado, voltamos para comemorar privadamente o aniversário dela.
A transa com variedades amenas e tórridas, recebeu nota máxima, atribuida ao contínuo aprimoramento da entrega amorosa verdadeira!!...

Na noite seguinte foi dançar com as amigas, amigos, convidados e pretendentes.
Um Bemdito entre as mulheres se esforça para finalizar a conquista. Muita conversa, selada com um ósculo promissor e a ingrata missão de agendar a troca o mais rápido possível...dentro do prazo estipulado pelo Código do Consumidor.

No final da tarde do dia seguinte, um telefonema quebra o silencio ensurdecedor:
Tudo bem? Para mim tudo ótimo. Tive que trocar o meu presente de aniversário!
Eh! Troquei aquele amor antigo por outro mais moderno, mais jovem e espiritualizado.
Olha, podemos conversar pessoalmente caso você precise entender o motivo.
Por mim podemos deixar para próxima encarnação aquilo que já desencarnou.
Afinal nunca te prometi mais que aguardar ao meu lado, até minha próxima escolha.
Dói, mas passa. E se não der para suportar, repassa.
Pois é, perdi meu tesão por você na pista da balada. Caso você ache, pode deixar na portaria do prédio.
Mas não se preocupe porque já arrumei outro ali mesmo.
Aquele amor estava muito acelerado.
Substituí por um mais calmo, maleável, menos verdadeiro, convívio simples...plug and play.
Olha, toma analgésico que melhora a dor de cotovelo.
Hoje não dá, estou muito cansada, me deixa dormir.
Se quiser (me) comer tem um coração congelado no freezer e um Alfajor sobre a mesa.
Dói, mas passa. E se não melhorar, repassa.
Porque você não convida sua "ex" para me substituir?
É produto conhecido, fácil e barato.
Para evitar confusão de nomes, chame de "meu amor" quando gritar de prazer.
Ah! Você merece alguém muito melhor que eu.
Parece cliché, mas juro que inventei agora!!
Dói, mas passa. E se não aguentar, repassa.
Alô! Alô! Você está me ouvindo?
Essa droga de celular...nunca funciona quando a gente precisa.
Alô! Alô!

Continuo mudo.
Mudo de posição.
A fila andou.
Próximo, por favor!!

05 novembro, 2010

Passa tempo

Durmo abraçando tua ausência,
Acordo imerso em solidão.
Me levanto, fundindo sonho e realidade
Ao telefone uma mensagem consagra distanciamento.
Agitação do trabalho camufla 10...interesses.
Esperança está em coma induzida.
Logo, ressurreição em vida.

30 outubro, 2010

Manhã nublada

Coração esfacelado,
Me obriga mentir,
para entender o verdadeiro.
Velório sem corpo.
Um desabamento emocional,
cria emergência na convivência.
Vida compartilhada engolida por cratera faminta.
A solidão irrompe veias e irriga pensamento.
Sinapse diluída em vento.
Solitária sensação de vida.
Onde metade parece o todo.
Saudade escurecendo amanhecer.
Frio, cinzento e rabugento.
Peço socorro no balcão da padaria.
Vem um café amargo.
Capto um olhar alegre, um sorriso indeciso.
Nossa conversa coloquial cria alento.
Então, migalhas se vão como vento.

[mlfb]

15 outubro, 2010

Sufocado

Ausente no vazio,
Onde meu silêncio ecoa.
Fluindo pela lembrança de uma vida alheia.
Precisando ressuscitá-la amanhã.
Urge viver modesta existência.
Que de mim se ausenta,
e aspira reviver no futuro, um passado singelo,
que já não se faz presente.

12 outubro, 2010

100chance

Vácuo mental.
Buraco espiritual?
Pensamento solitário.
Presença roubada
Ausência configurada.
Concessões ignoradas.
Justificativas contundentes.
Ainda assim a mente vacila,
num desleixo sem tamanho,
com a própria existência.
Corpo só mexe,
por inércia da vida.
Realidade acinzentada,
com sonoridade atenuada.
Lembrança colorida,
turva o pálido presente.
Nenhuma resposta cicatriza rejeição,
Construida na fertilidade.
A vida nos observa, abandonando o inviável.
Vencendo a síndrome de abstinência do outro.
Substituindo o 'juntos' por 'eu, comigo'.
Exaurindo turbulências, apaziguado pela fé.
Devoção para ver o que ainda não aconteceu.
Sem temer o equívoco da certeza construida,
sob pilares imaginários.

[mlfb]

Saco na viagem

Depois de exaustiva peregrinação (não religiosa), consigo uma passagem para voltar antes do final do feriado emendado. A solução conveniente ao bolso, logo se mostraria desconfortável para o corpo.

Na poltrona contígua um senhor japones, seguramente com mais de setenta anos, tinha conversa educada, modos tranquilos e muita estória para contar.

A cidade de Londrina fica para trás em minutos.

Na rodovia o ronco do motor quase despercebido, prometia uma viagem monótona.

Um estímulo sonoro se destacava no silencio. O farfalhar de um saco plástico manipulado histéricamente por uma senhora afoita, amedrontada e irriquieta no banco de trás.

Logo outro passageiro solidário à senhora inicia uma ressonante roncar.

Pista ondulada provoca ruído na carroceria.

Em instantes esta orquestra contra o sono alheio, começa a emancipar minha irritação contida.

Advirto a senhora, que me olhando ostensivamente, nem responde, como é costume dessa gente mal educada.

Continuo inconformado e pensativo: o que será que tem dentro da sacola? Porque mexe e remexe?

Ensaio outra repreensão verbal...sem sucesso.

Tento um truque de concentração, mas minha mente inquieta não se aquieta.

Farfalha, farfalha, ronca, farfalha e range.

Uma orquestra ruidosõnica contra o meu sono reparador.

Farfalha, farfalha, remexe e mexe...ronca e farfalha.

- Senhora! O barulho está me incomodando.

A reposta foi uma mímica lacônica, que no meu entender alegava mal comportamento do saco...

Fico calado e continuo apoquentado.

Silencio, silencio, FARFALHA !!!

Incrédulo tento outra vez.

- Senhora, esta não é a sua casa, está incomodando. QUERO DORMIR um sono honesto !!

- Senhor, pode deixar ….

Silencio, farfalha, silêncio, farfalha.

Silêncio, farfalha, farfalha, farfalha.

Senti falta do ronco !!!

Vencido, opto por escrever este texto,

para me inserir no contexto.

“Era uma vez uma mexeção em saco plástico,

que virou encheção de saco piroclástico...”


[mlfb]

03 outubro, 2010

Ponto final

À noite fomos ao teatro ver Albert Camus.
Depois, uma conversa amarga no balcão do bar.
Na cama, como sempre, enrosco selvagem.
Pela manhã um beijo frio,
Contrasta o calor das cobertas.
Um olhar de soslaio antes de fechar a porta.
Um romaneio com 10 razões, onde uma só basta:
- Não te quero mais!
Parece pouco, mas o incomodo é grande.
Ponto final.
Estamos livres do compromisso.
Acorrentados ao descompromisso.

29 setembro, 2010

Desacoplamento

A indolente intimidade caridosa denuncia afastamento.
Na escassez de cumplicidade,
Há reciprocidade no querer o não querer do outro.
Num desnecessário contraponto.
Degradando o desafeto,
em dissimulada desaprovação latente.

Para justificar o escapismo:
um silencio de monge.
Então aqui, fica muito longe.

Death

We only die for those still alive.
There is no frame to fell death after die.

17 setembro, 2010

EMaranha

Que bom é deslizar pela epiderme alheia,
Buscar aranha e sucumbir na teia.


15 setembro, 2010

Declaração de 10amor

Não te acaricio mais, por me interessar menos.
Tanto faz, para quem nunca fez.
Seu insuportável ceticismo,
quando dominado, causa prazer interminável.
Mas vasculha entranhas e semeia dor.
Falta algo !
Só pode ser: amor.

31 agosto, 2010

Poeira cósmica

Viver no imaginário,
Abandonar a realidade,
Legitimar devaneio na mentira:
Intrínseca habilidade humana.

A matemática sempre improvisa um modelo,
que a realidade se esforça em cumprir à risca.
Natureza regularmentada,
Colorida artificialmente.
Impotentes olhos que enxergam,
apenas aquilo que a mente, que mente, quer ver.
Envelhecemos confusos.
Priorizando o pensar.
Ignorando o sentir.
Encolhendo a emoção.
Refazendo a percepção.

Nestes ciclos de vida e morte,
repete-se o ritual:
desagregar átomos ordenados por um cromossoma qualquer,
e recombiná-los para formar novos aglomerados, novos cérebros.
No defunto, o pensamento deixa de existir.
Morre a sinapse não compartilhada.
O imaginário desaparece.
Porém a matéria continua transmutada, reciclada.
O bom censo de Lavoisier...Contra o censo espiritual...

O tempo, uma imaginação com memória,
nos reduz à intermediadores de processos naturais.

Seguimos como miríades desorientados.
Transfigurados pelo próprio cérebro.

A procura de um significado teórico para vida,
Ignorando a falta de sentido prático.
Vamos nos esmerando em:
Ser feliz.
Esquecendo de viver.
Disputando o primeiro lugar,
indo e vindo sem rumo.

Continuo com fé.
Seguindo o processo estocástico universal,
desmedidamente inconformado
pela falta de justiça inventada,
pelo excesso de morte imaginada,
pela onipresença da miséria instaurada,
pelo humano desumano.

Não importa!!
Somos todos mentiras,
do mesmo saco de poeira cósmica.

09 agosto, 2010

Vida binária

Conectados como uma manada digital,
disparamos rumo ao desfiladeiro eletronico.
Computadores-servidores aglomerados em fazendas digitais.
Roteadores reencaminhando caoticamente bits de fé,
emoção , ou um pedido de medicamento raro.
Correntes do amor, de dinheiro e até de encontros casuais.
Relacionamento fast-food na Internet,
daquele tipo que caiu na rede é peixe de banda larga.
Amor digital sem conta-gotas, só download torrencial.
Democratiza estupidez e desinformação.
Selva digital repleta de animais convencionais.
Vídeo, imagem, e até pulseira eletronica:
Até almas perdidas, são localizadas no Google.
Sem encontrar a si mesmo,
os exibidos sem camisa e de óculos escuros,
compõe o mosaico de ladrilhos desumanos.
Na memória, 5.000 músicas para ouvir,
sem parar, até a outra geração.
Na agenda 500 endereços desconhecidos.
Resultado: ZERO na busca de amigos na web.
A foto retocada e antiga, vende mentira global e atualizada.
Sem saber ser, segue aprendendo a legitimar a existencia.
Teclando, querendo ser mais que um conglomerado de bits.
Classificado, taggeado, emocionado e com um perfil falso.
Porém verdadeiramente digital.
Um avatar perfeito.
Um conforto no peito.
Uma Second Life superando instinto de vida.
Perpetuando a personalidade digital.
Sinapses transformadas em combinações binárias
Vontades e desejos, virtualmente vivenciados.
Tela plana exibindo em 3D vida primitiva e humana,
transformada em "memes" digitais evoluidos.
Viciados em bits e bites.
Alô!1 Hell0....0101001001010001001000............