Fragmentos de textos interessantes de autores renomados e também de minha autoria, depositados aqui ao invés de entupir a caixa postal dos amigos.
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12 outubro, 2010
100chance
Buraco espiritual?
Pensamento solitário.
Presença roubada
Ausência configurada.
Concessões ignoradas.
Justificativas contundentes.
Ainda assim a mente vacila,
num desleixo sem tamanho,
com a própria existência.
Corpo só mexe,
por inércia da vida.
Realidade acinzentada,
com sonoridade atenuada.
Lembrança colorida,
turva o pálido presente.
Nenhuma resposta cicatriza rejeição,
Construida na fertilidade.
A vida nos observa, abandonando o inviável.
Vencendo a síndrome de abstinência do outro.
Substituindo o 'juntos' por 'eu, comigo'.
Exaurindo turbulências, apaziguado pela fé.
Devoção para ver o que ainda não aconteceu.
Sem temer o equívoco da certeza construida,
sob pilares imaginários.
[mlfb]
Saco na viagem
Depois de exaustiva peregrinação (não religiosa), consigo uma passagem para voltar antes do final do feriado emendado. A solução conveniente ao bolso, logo se mostraria desconfortável para o corpo.
Na poltrona contígua um senhor japones, seguramente com mais de setenta anos, tinha conversa educada, modos tranquilos e muita estória para contar.
A cidade de Londrina fica para trás em minutos.
Na rodovia o ronco do motor quase despercebido, prometia uma viagem monótona.
Um estímulo sonoro se destacava no silencio. O farfalhar de um saco plástico manipulado histéricamente por uma senhora afoita, amedrontada e irriquieta no banco de trás.
Logo outro passageiro solidário à senhora inicia uma ressonante roncar.
Pista ondulada provoca ruído na carroceria.
Em instantes esta orquestra contra o sono alheio, começa a emancipar minha irritação contida.
Advirto a senhora, que me olhando ostensivamente, nem responde, como é costume dessa gente mal educada.
Continuo inconformado e pensativo: o que será que tem dentro da sacola? Porque mexe e remexe?
Ensaio outra repreensão verbal...sem sucesso.
Tento um truque de concentração, mas minha mente inquieta não se aquieta.
Farfalha, farfalha, ronca, farfalha e range.
Uma orquestra ruidosõnica contra o meu sono reparador.
Farfalha, farfalha, remexe e mexe...ronca e farfalha.
- Senhora! O barulho está me incomodando.
A reposta foi uma mímica lacônica, que no meu entender alegava mal comportamento do saco...
Fico calado e continuo apoquentado.
Silencio, silencio, FARFALHA !!!
Incrédulo tento outra vez.
- Senhora, esta não é a sua casa, está incomodando. QUERO DORMIR um sono honesto !!
- Senhor, pode deixar ….Silencio, farfalha, silêncio, farfalha.
Silêncio, farfalha, farfalha, farfalha.
Senti falta do ronco !!!
Vencido, opto por escrever este texto,
para me inserir no contexto.
“Era uma vez uma mexeção em saco plástico,
que virou encheção de saco piroclástico...”
03 outubro, 2010
Ponto final
Depois, uma conversa amarga no balcão do bar.
Na cama, como sempre, enrosco selvagem.
Pela manhã um beijo frio,
Contrasta o calor das cobertas.
Um olhar de soslaio antes de fechar a porta.
Um romaneio com 10 razões, onde uma só basta:
- Não te quero mais!
Parece pouco, mas o incomodo é grande.
Ponto final.
Estamos livres do compromisso.
Acorrentados ao descompromisso.
29 setembro, 2010
Desacoplamento
Na escassez de cumplicidade,
Há reciprocidade no querer o não querer do outro.
Num desnecessário contraponto.
Degradando o desafeto,
em dissimulada desaprovação latente.
Para justificar o escapismo:
um silencio de monge.
Então aqui, fica muito longe.
17 setembro, 2010
15 setembro, 2010
Declaração de 10amor
Tanto faz, para quem nunca fez.
Seu insuportável ceticismo,
quando dominado, causa prazer interminável.
Mas vasculha entranhas e semeia dor.
Falta algo !
Só pode ser: amor.
31 agosto, 2010
Poeira cósmica
Abandonar a realidade,
Legitimar devaneio na mentira:
Intrínseca habilidade humana.
A matemática sempre improvisa um modelo,
que a realidade se esforça em cumprir à risca.
Natureza regularmentada,
Colorida artificialmente.
Impotentes olhos que enxergam,
apenas aquilo que a mente, que mente, quer ver.
Envelhecemos confusos.
Priorizando o pensar.
Ignorando o sentir.
Encolhendo a emoção.
Refazendo a percepção.
Nestes ciclos de vida e morte,
repete-se o ritual:
desagregar átomos ordenados por um cromossoma qualquer,
e recombiná-los para formar novos aglomerados, novos cérebros.
No defunto, o pensamento deixa de existir.
Morre a sinapse não compartilhada.
O imaginário desaparece.
Porém a matéria continua transmutada, reciclada.
O bom censo de Lavoisier...Contra o censo espiritual...
O tempo, uma imaginação com memória,
nos reduz à intermediadores de processos naturais.
Seguimos como miríades desorientados.
Transfigurados pelo próprio cérebro.
A procura de um significado teórico para vida,
Ignorando a falta de sentido prático.
Vamos nos esmerando em:
Ser feliz.
Esquecendo de viver.
Disputando o primeiro lugar,
indo e vindo sem rumo.
Continuo com fé.
Seguindo o processo estocástico universal,
desmedidamente inconformado
pela falta de justiça inventada,
pelo excesso de morte imaginada,
pela onipresença da miséria instaurada,
pelo humano desumano.
Não importa!!
Somos todos mentiras,
do mesmo saco de poeira cósmica.
09 agosto, 2010
Vida binária
disparamos rumo ao desfiladeiro eletronico.
Computadores-servidores aglomerados em fazendas digitais.
Roteadores reencaminhando caoticamente bits de fé,
emoção , ou um pedido de medicamento raro.
Correntes do amor, de dinheiro e até de encontros casuais.
Relacionamento fast-food na Internet,
daquele tipo que caiu na rede é peixe de banda larga.
Amor digital sem conta-gotas, só download torrencial.
Democratiza estupidez e desinformação.
Selva digital repleta de animais convencionais.
Vídeo, imagem, e até pulseira eletronica:
Até almas perdidas, são localizadas no Google.
Sem encontrar a si mesmo,
os exibidos sem camisa e de óculos escuros,
compõe o mosaico de ladrilhos desumanos.
Na memória, 5.000 músicas para ouvir,
sem parar, até a outra geração.
Na agenda 500 endereços desconhecidos.
Resultado: ZERO na busca de amigos na web.
A foto retocada e antiga, vende mentira global e atualizada.
Sem saber ser, segue aprendendo a legitimar a existencia.
Teclando, querendo ser mais que um conglomerado de bits.
Classificado, taggeado, emocionado e com um perfil falso.
Porém verdadeiramente digital.
Um avatar perfeito.
Um conforto no peito.
Uma Second Life superando instinto de vida.
Perpetuando a personalidade digital.
Sinapses transformadas em combinações binárias
Vontades e desejos, virtualmente vivenciados.
Tela plana exibindo em 3D vida primitiva e humana,
transformada em "memes" digitais evoluidos.
Viciados em bits e bites.
Alô!1 Hell0....0101001001010001001000............
26 julho, 2010
15 julho, 2010
14 julho, 2010
Astral ausente
soca a mente,
que ocasional mente,
Gente ausente.
Animal presente,
Instinto repelente.
Anal, anual.
Vital, promocional,
de bom astral,
mentira matinal.
10 julho, 2010
Verdade inventada
Eu não: quero uma verdade inventada"
[Clarice Lispector]
29 junho, 2010
quasenfarte
A bala espoca.
Abala a presa.
Num imprevisto, já previsto.
Retumbante pulsação.
Comprime o sangue cálido por veias obstruídas.
Diástole empurra sístole além do vital.
Sobrevida milagrosa.
Um pouco paz.
Escombros numa relação fugaz.
25 junho, 2010
Bebê roubado ?
Sempre a monotonia do breu solitário.
Dentro de alguem,
esperando deixar de ser ninguém.
Movimento lento.
Aperta, contrai, contrai.
A luz atrai.
Saí debutando vida e choro.
Passando de mãos em mãos.
As ultimas eram sorrateiras.
Alguem me encara chamando:
- Meu bebê !!!
Sinto falta da minha piscina particular.
Outro alguem grita em desespero:
- Jesus !!! Meu filho !!!
Desde cedo, instaurada confusão mental.
Afinal sou bebê, jesus ou filho ??
Tanto faz.
Tenho fome.
Quero uma teta cheia para me suprir.
É para essa que vou sorrir.
24 junho, 2010
23 junho, 2010
Incursão na faixa de 'Kaza'
Comida congelada no freezer.
Calça suja no cesto de roupa.
Água fresca na moringa.
Pão com graõs no café matinal.
Escova nova na pia do banheiro.
Invasão de territórios desocupados.
Sem resistencia. Danos mitigados.
Espaço e vida compulsóriamente partilhados.
Passo o passo.
Dancei livre, sem descompasso.
20 junho, 2010
Amanhecendo
Teu cheiro no leito ainda quente.
Permanece a lembrança do teu corpo macerado.
Sol emergindo, e parte de mim já se foi.
Esvaindo pelo turbilhão latente.
[mlfb]
19 junho, 2010
Traição
13 junho, 2010
en@moLHados
Com minhas entranhas esfoladas e viscosas.
Durmo em você e amanheço retorcido.
Pasta "al dente",
Passeio no parque.
Banho a quatro mãos.
Tamanho enrosco, de quatro pés.
Ventrículos, bocas e pele.
Corpos mesclados sem limites.
Adormecidos e combalidos.
Sem perceber, envolvidos.
08 junho, 2010
Caminhos
05 junho, 2010
Insônia
Sem você, vazio.
Textura de arrepio.
Partida de urgência.
Num dia de emergência.
[mlfb]
31 maio, 2010
Momentos privados
09 maio, 2010
10 compromissos
Foi dançar com amigos.
Foi jantar com amigos.
Foi viver com amigos.
Com o amante fez todo o resto.
Com palavras se desculpou,
mas no comportamento certificou a dicotomia.
Parece que a disposição já foi faz tempo.
O desapego e´ sua marca registrada.
Agora, um falseio na defesa do outro.
permite virar a mesa,
para esquecer a culpa,
e partir sem memória,
para um novo 10compromisso.
07 maio, 2010
Movimento dos barcos
Vou sair sem abrir a porta
E não voltar nunca mais
Desculpe a paz que eu lhe roubei
E o futuro esperado que eu não dei
É impossível levar um barco sem temporais
E suportar a vida como um momento além do cais
Que passa ao largo do nosso corpo
Não quero ficar dando adeus
As coisas passando, eu quero
É passar com elas, eu quero
E não deixar nada mais
Do que as cinzas de um cigarro
E a marca de um abraço no seu corpo
Não, não sou eu quem vai ficar no porto
Chorando, não
Lamentando o eterno movimento
Movimento dos barcos, movimento
(Jards Macalé e Capinan)
24 abril, 2010
20 abril, 2010
Reflexão nas alturas (pós Earth Day)
- Senhor, ou joga fora ou bebe tudo!
Líquidos a bordo nem pensar…razões de segurança.
Preferi sorver toda aquela água quente num só gole…e passei pelo primeiro pelotão.
A inspectora autoritária manda tirar os sapatos. Pedido que lembra ambiente de alcova.
Outro segurança aponta para a mochila. Abro, tiro o computador, que engancha na minha paciência.
Quase deixo vazar a indignação passageira.
Liberado e enjaulado, sigo a seta para o terminal, que espero não seja nenhum paciente.
Logo vejo Washington, do alto, pela janela que estreita a visão e espreme a mente.
Lembro dos museus.Todos meticulosamente arquitetados.
Curadores impecáveis.
Arte….sómente contemporânea, a outra me aborrece.
Setenta milhões de anos de historia natural, que Darwin sintetiza numa vitrine de vinte passos. Estamos na era do fast-cult.
Alberto Giacometti me persegue com suas esculturas embolotadas, longelineas e encrespadadamente fiéis a realidade.
O pólen empurrado pela ventania faz uma nuvem amarela de "polenuicao", reverenciando a mãe Terra, que veste a mesma grama surrada de todo dia.
Uma galeria de fotos premiadas tem destaque na curadoria.
Negros fazendo entardecer mais cedo, na Angola inglesa, sem legenda: My man!
A cor da pele nos aproxima e logo sou promovido de potencial terrorista a "brother" desbotado.
Dia de despedida. Troquei o zoológico pelo aquário, mas não estava preparado.
Os peixes foram passando e me observando com espanto.
Pude ouvir o mais escamoso dizer que eu parecia um humano interessante, mas tinha ar de cansado e minha luz pulsante acendeu poucas vezes.
O menorzinho retrucou e justificou dizendo que eu estava preso recente nesta jaula , mas breve eu voltaria para minha jaula natal….
Combinaram então, para me ver feliz, que voltariam em piruetas e acrobacias usando rabos e barbatanas.
Fugi. Correndo…voando…mas sei que a velha jaula esta me aguardando…
Ou joga fora ou bebe tudo!
03 abril, 2010
Fluir espaço-tempo
A catarse da velocidade transporta alma, que não tenho.
Meus sonhos viajam na lentidão dos horizontes onde emergem novas vidas.
À margem, pastando livre, o gado suporta a engorda fatal.
Ao volante, ela dirige nossas vidas.
Contamos estórias de amores passados...alguns não resolvidos.
Outro radar tirano nos impõe ritmo mais ameno.
Corpo e carga são obrigados a existir lentamente.
A paisagem penetra a noite pelos caminhos livres.
Sem medo é mais ameno.
Sem culpa parece mais leve.
Ser quem eu imagino ser; incorporado de quem sou.
24 março, 2010
Santa Fé Preto (Hyundai)
- Quem, o carro?
- Também!!
- Então intercepta AGORA!!!!! Se for preciso, chama o Wanderney para dar um reforço, mas NÃO deixa fugir !!!!!
- Positivo.
Wildemar, percebe a chance de promoção. Quem diria dois meses de trabalho e já ia poder trocar até de namorada.
Corre muito ofegante, amaldiçoa o churrasco com cerveja na laje do cunhado Bozó.
- UFA!! to chegando...
O safado está disfarçando...ÊPA enfiou a mão no bolso !!! Tá armado.
Passa a mão no cacetete, como nos filmes de Hollywood:
PAM, PÁ, PÁ, PAM, POFT
Merda!! Sangue respingado suja o uniforme de segurança.
- Tira a mão daí agora !!
- Mas eu só est...
- Não brinca, que leva mais!!!
- Wanderley, chama a central e pede para avisar os "omi" que EU já imobilizei o gatuno.
Fez tudo certo, mas o chefe o demitiu junto com a noticia-escândalo de jornal.
O motivo: racismo.
Mentira!!! Os "omi" receberam uma grana para dizer que o Santa Fé preto era dele, mas eu vi uma moça loira levando embora o carro. E gente elegante assim não se mete com preto.
Dizem que este malandro recebeu mais grana que eu na minha rescisão...
Mas minha Nossa Senhora da Aparecida vai me ajudar a vingar este preto.
[mlfb] exercício curso de escrita com Marcelino Freire
12 março, 2010
Eu me lembro....
Nome para facilitar conversa codificada.
- Fui ao Chalé...
- Tomei um banho no Chalé...
Chalé com arquitetura de "puxadinho na laje"
Das janelas se avista o muro-paisagem.
Quem vai a motel para apreciar a vista??
Na portaria desanimada, a recepcionista pontua discretamente o casal.
Quesitos: compatibilidade, beleza, sexualidade, comprometimento....
Saudades do tempo que importante era só não ter fila.
Não precisava ter vista panorâmica.
Nem cama d'agua, nem espelho no teto e muito menos "jacuzzi".
Bastava um leito limpo com banheiro asseado,
envolvendo corpos nus emaranhados.
Os desejos legitimos, sem qualquer pílula vasodilatadora.
Os gemidos nao dependiam do tamanho do saldo bancário.
Lugar onde amante pensa que ama quem o cônjuge diz apenas suportar...
Beija, lambe, cheira e penetra.
Descansa, conversa e repete.
Provoca, invoca, discute e acaba.
Promete, remete, Rê mete, remexe e repete.
- Se um dia a gente casar promete fazer igual?
- Não! Porque amor não se faz... Amor se dá, sentindo....
[mlfb] exercício curso de escrita com Marcelino Freire (25 linhas)
Tremor na placa peitoral, ruptura hemorrágica
A vida interrompida, traz alívio sob medida.
Matilda chora pranto oficial e os filhos não chegarão a tempo.
O pensamento interrompido morre, sufocado pelo vazio.
-Queria mais um ... (Não se despediu, apenas morreu).
[mlfb] exercício curso de escrita com Marcelino Freire (05 linhas)
09 março, 2010
20 fevereiro, 2010
18 fevereiro, 2010
Lembranças do Carnaval 2010
Um torpedo, dúbio, aventa possivel companhia nas trilhas da Bocaina.
O bucólico rural vai se incorpando rapidamente de cotidiano.
A caminho da cachoeira, um lagarto reformula minha solidão.
Formoso (o município), justifica seu nome....
Acolhe meu corpo extasiado.
e em meio a muita conversa de bar (rural)
descubro o carnaval acontecendo.
Colombina com olhar melancólico e sereno, atordoa minha descrença.
"Ela vem toda de branco, molhada e 10...penteada."
Mergulhamos num banho de cachoeira noturno.
Corpos definidos apenas pelo reflexo prateado no luar.
Já no quarto, a silhueta dela sugere carinhos preliminares.
O suor desliza desejo sobre o corpo e leito.
Após remexer as entranhas alheias,
a topografia do outro vai sendo incorporada.
Depois o sono é profundo plácido e reparador (...até dos pecados)
De volta à metrópole inundada,
me afogo no que restou desta lama desumanizada,
que vai transformando Barreiro em apenas uma lembrança rural.
[mlfb]
12 fevereiro, 2010
Vento, Brisa & Marasmo
Resistência quase nula, me deixo envolver.
Busca em mim o que não sou.
Pensando não pensar em ser.
Um sentimento vivo perambula noite adentro.
Brisa que envolve e dá sentido ao mundo de escarnio.
Desejo configurado em armadilha que me atrai.
Novamente sem motivo....
por um segundo, noção de vida sem amarras.
Ela perturba minha plácida existência,
um olhar , uma falsa impressão de amar.
Um desejo perdido em novos momentos diluídos.
Que denunciam o presente virando passado.
Na piscina, a bola intermedia...
que pedaço de mim mando, para quem?
Que entranhas me abandonam sem permissão
Rasgando o corpo em quadrantes pegajosos.
Vontade de crescer arvore.
Com movimento conduzido pelo vento,
esperando alguem passar pelo tempo.
Uma canga tremula com a brisa
Mostra an...seio de corpo esguio
Boiando na piscina em repouso sem perspectiva
Carnaval
Ventilador, calor, insonia.
Suor, desinteresse, umidade...
Toque do celular interrompe o tédio.
A mensagem de texto sugere decisão:
afastamento compulsório ?!?! não ?!?!
Não, apenas um encontro de padaria,
onde a conversa conturbada e furtiva,
tenta dissimular aquilo que os olhos não param de gritar.
Na despedida um beijo, um abraço, outro beijo, um amasso,
Outro beijo e um laço.
Uma promessa de viagem...(na maionese)... para a montanha.
O coração já batuca no carnaval (carne aval)
Abrindo alas da confusão
Bateria carregada, retumba.
Colombina desfilando sedução
a batucada estanca hemorragia
de mais um Pierrot apaixonado.
[mlfb]
05 fevereiro, 2010
230 fotógrafos no aniversário
Ação coletiva proposta pela Cia de Foto a partir de convite de Monica Maia, editora de fotografia da Revista da Folha, para o aniversario de São Paulo.
01 fevereiro, 2010
Encontro clandestino
e torce para eu ser opção equivocada.
Quem se conhece não faz escolhas,
apenas cria contingências.
Nela o coração espera uma escolha transmutada de destino.
Sem que a mente exercite liberdade sem tino .
Falsa dicotomia reduz infinitas possibilidades.
E arrasta placidamente o vínculo amoroso oficial.
Conversa difusa.
Terapia coloquial,
desejo animal,
despedida convencional.
[mlfb]
31 janeiro, 2010
Balada no PS
Minha mãe aguarda a boa vontade da atendente,
Que espera ser alvo do desejo do segurança,
Que assegura a integridade da moça de mini-saia,
Que mesmo doente seduz muitos pacientes.
O Seguro Saúde parece inseguro logo de entrada.
Senha 176.
-Senhora não atendemos este convenio.
O segurança desaparece e a concentração reaparece.
-Desculpe...atendemos sim...por favor assine.
-Aguarde a triagem sentada na sala de espera 2.
Senha 176
-Vamos pedir autorização para os exames.
Senha 176
-Autorização negada.
-Por favor morra lentamente...
-mas pode aguardar na sala 3.
Cena congelada.
Diagnóstico conveniente.
Demência senil,
Medico cansado,
Doente sedado,
PS lotado.
Receita prescrita.
Momento patético,
Mensalidade paga,
Assalto legalizado,
Reclame com o bispo.
Que não resolve,
mas conforta e catequiza.
Seja o que Deus quiser,
desde que o convenio economize.
[mlfb]
Mergulho
16 janeiro, 2010
Terremoto
Cansada de CPIs da Corre Opção, Pizzatone, Cueca, Arruda...
BBBs e Fazendas....
Numero de mortos atualizado com precisão decimal !!!
Reportagens idiotizantes, na tela com exclusividade:
-como se sente apos 72 horas soterrado?
a vítima da mídia, e da catástrofe, responde:
(zap)
-muito bem...hum...só queria tomar um banho de sais e queria tambem mandar um beijo para meus familiares e dizer que agradeço o apoio de todo esse publico, que me deu a maior força nessa minha luta pra ser uma pessoa melhor.
Saio vitorioso e com mais luz espiritual. Amo voce Bial...
(zap)
Políticos fingindo pesar & pensar
Diplomatas racistas seguidores do Ricupero, confessam em "off", ao vivo...
dezenas, centenas, milhares de vítimas...tanto faz...
todos fingindo compaixão das imagens,
mas fazendo descaso das vítimas.
Imersos nos sofás consumindo desgraça alheia,
a pleno conforto e com solidariedade asséptica.
A catarse do telespectador alheio a realidade,
transformada a cada click de botão.
Sem coragem de estender a mão e compartilhar,
ainda que único, um pedaço de pão velho e duro.
É mais fácil doar cinco reais pelo 0800-XXXXXXX5
Remove a culpa remotamente.
Haiti, hai de ti..., quase uma Ilha Grande.
E eu aqui escrevendo, sentado e também sem coragem...
[mlfb]
09 janeiro, 2010
31 dezembro, 2009
Acidente no percurso
No horizonte, em meio a escuridao noturna,
luzes vermelhas cintilam perfiladas na estrada.
Acidente camuflado pela nevoa.
Parada compulsoria no acostamento.
No sitio ficou um pedaco de bolo chocolate
e muito assunto para jogar conversa fora...
A instantes tinha a falsa sensacao de controlar:
velocidade, altitude, direcao, trajeto e limpador de para-brisa.
Agora parado e impotente, dependo da informacao boca a boca.
Tranco o carro e sigo buscando uma coerente justificativa.
Na aproximacao vislumbro o resgate dos "Anjos do Asfalto".
Fazem inveja a qualquer grupo de formigas ou abelhas.
Nao ha espaco para conversa desnecessaria.
Apenas a firme acao coordenada.
Como leoa famigerada, a morte se ocupa do provavel alimento.
Ferro retorcido e carne dilacerada estao simbioticamente mesclados na pista interditada com razao.
Quis fotografar, mas capitulei.
(nao era cena de filme americano de orcamento bilionario!)
Apenas duas fotos timidas e, sem vontade, perguntei se podia ajudar.
A leoa desiste, me fita de soslaio e ruge: Ate breve!!
Ja nao cabia mais, voltar ao sitio...
Um caminhoneiro manobra para retornar na estrada, sem hesitacao.
A conviccao dele me transforma em seu fiel seguidor.
Meia hora por estradas alternativas e trilhas barrentas.
O GPS a todo instante reprogramando a rota desobedecida.
Atras, uma fila de outros carros endossa e tambem nos segue.
Medos e vontades primordiais...
Finalmente voltamos ao liso asfalto na auto estrada.
Este tapete de material fossil que me embala,
e faz esquecer a real fragilidade da condicao humana.
Imprimo velocidade de risco sem medo da morte,
Coracao acelerado parece nao temer a volatilidade de ser.
A possibilidade de desaparecer para sempre...
Duas ambulancias, com os fragmentos humanos,
me ultrapassam e seguem fugindo na perseguicao.
A morte tambem passa, fora do limite de velocidade,
mas nao consegue vaga no hospital.
O plantonista garante que a mercadoria estragada pode ser reaproveitada, reciclada e colocada em uso novamente.
Deixo o carro na garagem e subo apressado para minha redoma de vidro, onde a poltrona me abraca enquanto ligo a TV.
Um minuto de alivio....falso...
Estou refeito e anestesiado pela minha vida viva.
Na lembranca, apenas o bolo de chocolate,
a cadela no cio e a macarronada de improviso.
Tudo ficou no sitio, sem acidente .
[mlfb]
24 dezembro, 2009
21 dezembro, 2009
Momentos...
fáceis ou difíceis,
pesados ou leves,
São todos lúdicos e divertidos.
Truque da vida:
não deixar para rir só depois, no futuro...
[mlfb]
20 dezembro, 2009
Pendências...
Permanece presente, mesmo ausente.
Inseparável na mente, o elo permanente.
Relação pendente, na vida insistente.
[mlfb]
10 dezembro, 2009
Ausência Compulsória
Ela exibe performance de acrobata da vida!
De súbito sou alijado e fico solitário.
A felicidade dela fica atrelada à ausência do outro.
Lamento, mas aguento.
Navego este hiato.
Legítimo de fato.
[mlfb]
08 dezembro, 2009
Mulheres...& loucura...
Sem hesitar o dedo continua colado ao gatilho:
Chuva de reclamações, acusações e lamentações...
Prossegue sem piedade.
Ao fundo toca "Voce não soube me amar"...
- Vc é um louco insensivel !!
Foi a ultima coisa que ela disse antes de bater a porta ou o telefone (nem sei).
Enquanto sangrava lembrei de outra reclamação:
- Vc é um fissurado!!! Só pensa nisso!!
- Me deixa trabalhar, seu louco !!!
Fiquei em duvida se tenho multipla persolinalidade...louca!!
Me apego à matemática e fico com a intersecção das falas:
a loucura...
Depois utilizo análise estatística:
Sou medianamente louco, com função de distribuição normal, e desvio-padrão alto...
Refletindo melhor e com suspeita neutralidade, concluo:
"Tento conversar com quem quer namorar, e namorar com quem quer trabalhar !!!"
Se existe nome para esta enfermidade da psique deve ser PIRO:
percepção invertida da realidade do outro.
O diagnostico não alivia a dor da perda.
Permaneço entristecido.
Tento em vão desfazer o mal estar e procuro uma amiga (e vingativa ex-namorada), que dispara um tiro de misericórdia, corroborando as todas as reclamações.
Visitar uma exposição de Astronomia me deixa revigorado.
Saio consciente de que sou um ínfimo aglomerado de poeira estelar perambulando por um átimo de espaço-tempo.
Usando o encéfalo para reverter o processo de transformação de energia em massa.
No meu caso passa dos limites e se concentra no abdomen.
Na rua um casal, que não conheço, parece solidario à minha dor e me consola com um sorriso mecanico,
imitando a coreografada de vida feliz de comercial de TV.
Publiquei um anuncio no meu blog:
Procura-se Curso de Namoro...sem anseios à pos-graduação...rsrs
[mlfb]
23 novembro, 2009
Vinho ou Cerveja?
Termina num efusivo abraço forte.
Inocente tentativa de apropriação clandestina.
O ar insinua potencial entrelaçamento.
Sem coragem, e congelado pela despedida, eu parto.
A chuva, que desmancha, me escorre pelas sarjetas e bueiros.
Apenas a sutil lembrança digital fica intacta,
perturbando minhas artérias quase cartezianas.
[mlfb]


