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08 junho, 2010

Caminhos

À noite percorro teus becos fustigados pelo desejo.
Pela manhã rasgamos a cidade em gélidos carros sonolentos.
Aquecidos na memória do nosso ardor.

[mlfb]

05 junho, 2010

Insônia

Sem sono, frio.
Sem você, vazio.
Textura de arrepio.
Partida de urgência.
Num dia de emergência.

[mlfb]

31 maio, 2010

Momentos privados

Sigo a trilha lentamente.
Nela percebo movimento da brisa ao redor de cada galho.
Na cachoeira, um escorregão traz a tona medos privados.
Boca seca, afogada pelo desejo.

Fora da mata, o imaginário sempre em descompasso com o real.
Aparecem anseios fantasiados de vontades,
e coreografias transfigurando o ofício de viver.

Amanhecemos, consumados.
Meu corpo jaz arrepiado pelos teus resíduos.
A pulsação cadenciada, fica tímida e se esvai.
Sofregamente o suor gelado esfria nossa alma.
Fica apenas a vontade de ter desejo.

[mlfb]

09 maio, 2010

10 compromissos

Foi dançar com amigos.

Foi jantar com amigos.

Foi viver com amigos.

Com o amante fez todo o resto.


Com palavras se desculpou,

mas no comportamento certificou a dicotomia.

Parece que a disposição já foi faz tempo.

O desapego e´ sua marca registrada.


Agora, um falseio na defesa do outro.

permite virar a mesa,

para esquecer a culpa,

e partir sem memória,

para um novo 10compromisso.


[mlfb]

07 maio, 2010

Movimento dos barcos

Estou cansado e você também
Vou sair sem abrir a porta
E não voltar nunca mais
Desculpe a paz que eu lhe roubei
E o futuro esperado que eu não dei
É impossível levar um barco sem temporais
E suportar a vida como um momento além do cais
Que passa ao largo do nosso corpo

Não quero ficar dando adeus
As coisas passando, eu quero
É passar com elas, eu quero
E não deixar nada mais
Do que as cinzas de um cigarro
E a marca de um abraço no seu corpo

Não, não sou eu quem vai ficar no porto
Chorando, não
Lamentando o eterno movimento
Movimento dos barcos, movimento

(Jards Macalé e Capinan)


20 abril, 2010

Reflexão nas alturas (pós Earth Day)

- Senhor, ou joga fora ou bebe tudo!

Líquidos a bordo nem pensar…razões de segurança.

Preferi sorver toda aquela água quente num gole…e passei pelo primeiro pelotão.

A inspectora autoritária manda tirar os sapatos. Pedido que lembra ambiente de alcova.

Outro segurança aponta para a mochila. Abro, tiro o computador, que engancha na minha paciência.

Quase deixo vazar a indignação passageira.

Liberado e enjaulado, sigo a seta para o terminal, que espero não seja nenhum paciente.

Logo vejo Washington, do alto, pela janela que estreita a visão e espreme a mente.

Lembro dos museus.Todos meticulosamente arquitetados.

Curadores impecáveis.

Arte….sómente contemporânea, a outra me aborrece.

Setenta milhões de anos de historia natural, que Darwin sintetiza numa vitrine de vinte passos. Estamos na era do fast-cult.

Alberto Giacometti me persegue com suas esculturas embolotadas, longelineas e encrespadadamente fiéis a realidade.

O pólen empurrado pela ventania faz uma nuvem amarela de "polenuicao", reverenciando a mãe Terra, que veste a mesma grama surrada de todo dia.

Uma galeria de fotos premiadas tem destaque na curadoria.

Negros fazendo entardecer mais cedo, na Angola inglesa, sem legenda: My man!

A cor da pele nos aproxima e logo sou promovido de potencial terrorista a "brother" desbotado.

Dia de despedida. Troquei o zoológico pelo aquário, mas não estava preparado.

Os peixes foram passando e me observando com espanto.

Pude ouvir o mais escamoso dizer que eu parecia um humano interessante, mas tinha ar de cansado e minha luz pulsante acendeu poucas vezes.

O menorzinho retrucou e justificou dizendo que eu estava preso recente nesta jaula , mas breve eu voltaria para minha jaula natal….

Combinaram então, para me ver feliz, que voltariam em piruetas e acrobacias usando rabos e barbatanas.

Fugi. Correndo…voando…mas sei que a velha jaula esta me aguardando…

Ou joga fora ou bebe tudo!

03 abril, 2010

Fluir espaço-tempo

Na estrada deslizamos sob vigia eletrônica,
A catarse da velocidade transporta alma, que não tenho.
Meus sonhos viajam na lentidão dos horizontes onde emergem novas vidas.
À margem, pastando livre, o gado suporta a engorda fatal.
Ao volante, ela dirige nossas vidas.
Contamos estórias de amores passados...alguns não resolvidos.
Outro radar tirano nos impõe ritmo mais ameno.
Corpo e carga são obrigados a existir lentamente.
A paisagem penetra a noite pelos caminhos livres.
Agito um futuro sem pressa de acontecer.
Sem medo é mais ameno.
Sem culpa parece mais leve.
Ser quem eu imagino ser; incorporado de quem sou.
[mlfb]

24 março, 2010

Santa Fé Preto (Hyundai)

- Preto?
- Quem, o carro?
- Também!!
- Então intercepta AGORA!!!!! Se for preciso, chama o Wanderney para dar um reforço, mas NÃO deixa fugir !!!!!
- Positivo.
Wildemar, percebe a chance de promoção. Quem diria dois meses de trabalho e já ia poder trocar até de namorada.
Corre muito ofegante, amaldiçoa o churrasco com cerveja na laje do cunhado Bozó.

- UFA!! to chegando...
O safado está disfarçando...ÊPA enfiou a mão no bolso !!! Tá armado.
Passa a mão no cacetete, como nos filmes de Hollywood:
PAM, PÁ, PÁ, PAM, POFT
Merda!!  Sangue respingado suja o uniforme de segurança.
- Tira a mão daí agora !!
- Mas eu só est...
- Não brinca, que leva mais!!!
- Wanderley, chama a central e pede para avisar os "omi" que EU já imobilizei o gatuno.

Fez tudo certo, mas o chefe o demitiu junto com a noticia-escândalo de jornal.
O motivo: racismo.

Mentira!!!  Os "omi" receberam uma grana para dizer que o Santa Fé preto era dele, mas eu vi uma moça loira levando embora o carro. E gente elegante assim não se mete com preto.

Dizem que este malandro recebeu mais grana que eu na minha rescisão...

Mas minha Nossa Senhora da Aparecida vai me ajudar a vingar este preto.

[mlfb] exercício curso de escrita com Marcelino Freire

12 março, 2010

Eu me lembro....

Eu me lembro de um Motel chamado Chalé.
Nome para facilitar conversa codificada.
- Fui ao Chalé...
- Tomei um banho no Chalé...
Chalé com arquitetura de "puxadinho na laje"
Das janelas se avista o muro-paisagem.
Quem vai a motel para apreciar a vista??
Na portaria desanimada, a recepcionista pontua discretamente o casal.
Quesitos: compatibilidade, beleza, sexualidade, comprometimento....
Saudades do tempo que importante era só não ter fila.
Não precisava ter vista panorâmica.
Nem cama d'agua, nem espelho no teto e muito menos "jacuzzi".
Bastava um leito limpo com banheiro asseado,
envolvendo corpos nus emaranhados.
Os desejos legitimos, sem qualquer pílula vasodilatadora.
Os gemidos nao dependiam do tamanho do saldo bancário.
Lugar onde amante pensa que ama quem o cônjuge diz apenas suportar...
Beija, lambe, cheira e penetra.
Descansa, conversa e repete.
Provoca, invoca, discute e acaba.
Promete, remete, Rê mete, remexe e repete.
- Se um dia a gente casar promete fazer igual?
- Não! Porque amor não se faz... Amor se dá, sentindo....

[mlfb] exercício curso de escrita com Marcelino Freire (25 linhas)

Tremor na placa peitoral, ruptura hemorrágica

Morte a espreita de qualquer existência manca.
A vida interrompida, traz alívio sob medida.
Matilda chora pranto oficial e os filhos não chegarão a tempo.
O pensamento interrompido morre, sufocado pelo vazio.
-Queria mais um ... (Não se despediu, apenas morreu).

[mlfb] exercício curso de escrita com Marcelino Freire (05 linhas)

18 fevereiro, 2010

Lembranças do Carnaval 2010

A estrada do Rio Paraíba vai transformando S. Paulo em apenas uma lembrança urbana.
Um torpedo, dúbio, aventa possivel companhia nas trilhas da Bocaina.
O bucólico rural vai se incorpando rapidamente de cotidiano.
A caminho da cachoeira, um lagarto reformula minha solidão.
Formoso (o município), justifica seu nome....
Acolhe meu corpo extasiado.
e em meio a muita conversa de bar (rural)
descubro o carnaval acontecendo.
Colombina com olhar melancólico e sereno, atordoa minha descrença.
"Ela vem toda de branco, molhada e 10...penteada."
Mergulhamos num banho de cachoeira noturno.
Corpos definidos apenas pelo reflexo prateado no luar.
Já no quarto, a silhueta dela sugere carinhos preliminares.
O suor desliza desejo sobre o corpo e leito.
Após remexer as entranhas alheias,
a topografia do outro vai sendo incorporada.


Depois o sono é profundo plácido e reparador (...até dos pecados)

De volta à metrópole inundada,
me afogo no que restou desta lama desumanizada,
que vai transformando Barreiro em apenas uma lembrança rural.

[mlfb]

12 fevereiro, 2010

Vento, Brisa & Marasmo

Sem permissão, afaga meu corpo.
Resistência quase nula, me deixo envolver.
Busca em mim o que não sou.
Pensando não pensar em ser.
Um sentimento vivo perambula noite adentro.
Brisa que envolve e dá sentido ao mundo de escarnio.
Desejo configurado em armadilha que me atrai.
Novamente sem motivo....
por um segundo, noção de vida sem amarras.
Ela perturba minha plácida existência,
um olhar , uma falsa impressão de amar.
Um desejo perdido em novos momentos diluídos.
Que denunciam o presente virando passado.

Na piscina, a bola intermedia...
que pedaço de mim mando, para quem?
Que entranhas me abandonam sem permissão
Rasgando o corpo em quadrantes pegajosos.

Vontade de crescer arvore.
Com movimento conduzido pelo vento,
esperando alguem passar pelo tempo.

Uma canga tremula com a brisa
Mostra an...seio de corpo esguio
Boiando na piscina em repouso sem perspectiva

Carnaval

Parece mais uma noite quente de verão.
Ventilador, calor, insonia.
Suor, desinteresse, umidade...
Toque do celular interrompe o tédio.
A mensagem de texto sugere decisão:
afastamento compulsório ?!?!  não ?!?!
Não, apenas um encontro de padaria,
onde a conversa conturbada e furtiva,
tenta dissimular aquilo que os olhos não param de gritar.
Na despedida um beijo, um abraço, outro beijo, um amasso,
Outro beijo e um laço.
Uma promessa de viagem...(na maionese)... para a montanha.
O coração já batuca no carnaval (carne aval)
Abrindo alas da confusão
Bateria carregada, retumba.
Colombina desfilando sedução
a batucada estanca hemorragia
de mais um Pierrot apaixonado.

[mlfb]

05 fevereiro, 2010

230 fotógrafos no aniversário

São Paulo de muitos on Vimeo
Ação coletiva proposta pela Cia de Foto a partir de convite de Monica Maia, editora de fotografia da Revista da Folha, para o aniversario de São Paulo.

01 fevereiro, 2010

Encontro clandestino

Ela confusa, mistura mente e coração.
e torce para eu ser opção equivocada.

Quem se conhece não faz escolhas,
apenas cria contingências.

Nela o coração espera uma escolha transmutada de destino.
Sem que a mente exercite liberdade sem tino .
Falsa dicotomia reduz infinitas possibilidades.
E arrasta placidamente o vínculo amoroso oficial.

Conversa difusa.
Terapia coloquial,
desejo animal,
despedida convencional.

[mlfb]

31 janeiro, 2010

Balada no PS

Sala de espera do Pronto Socorro.
Minha mãe aguarda a boa vontade da atendente,
Que espera ser alvo do desejo do segurança,
Que assegura a integridade da moça de mini-saia,
Que mesmo doente seduz muitos pacientes.
O Seguro Saúde parece inseguro logo de entrada.
Senha 176.
-Senhora não atendemos este convenio.
O segurança desaparece e a concentração reaparece.
-Desculpe...atendemos sim...por favor assine.
-Aguarde a triagem sentada na sala de espera 2.
Senha 176
-Vamos pedir autorização para os exames.
Senha 176
-Autorização negada.
-Por favor morra lentamente...
-mas pode aguardar na sala 3.
Cena congelada.
Diagnóstico conveniente.
Demência senil,
Medico cansado,
Doente sedado,
PS lotado.
Receita prescrita.
Momento patético,
Mensalidade paga,
Assalto legalizado,
Reclame com o bispo.
Que não resolve,
mas conforta e catequiza.
Seja o que Deus quiser,
desde que o convenio economize.

[mlfb]

Mergulho

Quem se importa?
Despertar um sorriso alegre no outro...
Entre as sombras no desfiladeiro?
Passeando pelo picadeiro?
Angustia estampada na chapada.
Sem horizontes.
Frio cortando a alma.
Despedaça a esperança
Recria vitalidade, que jorra pelas têmporas da razão.
Vento norte cheira angustia.
Perturba o equilíbrio frágil.
Despenca e termina num baque desconjuntado
Ergo o corpo esfacelado, mas revigorado no esplendor.
Fluindo, impiedoso, me faz viver.
Humaniza minhas entranhas.
Excomungado, rebatizo minha fé.
 

16 janeiro, 2010

Terremoto

Ocupa a mídia esvaziada,
Cansada de CPIs da Corre Opção, Pizzatone, Cueca, Arruda...
BBBs e Fazendas....
Numero de mortos atualizado com precisão decimal !!!

Reportagens idiotizantes, na tela com exclusividade:
-como se sente apos 72 horas soterrado?
a vítima da mídia, e da catástrofe, responde:
(zap)
-muito bem...hum...só queria tomar um banho de sais e queria tambem mandar um beijo para meus familiares e dizer que agradeço o apoio de todo esse publico, que me deu a maior força nessa minha luta pra ser uma pessoa melhor.
Saio vitorioso e com mais luz espiritual. Amo voce Bial...

(zap)

Políticos fingindo pesar & pensar
Diplomatas racistas seguidores do Ricupero, confessam em "off", ao vivo...
dezenas, centenas, milhares de vítimas...tanto faz...
todos fingindo compaixão das imagens,
mas fazendo descaso das vítimas.
Imersos nos sofás consumindo desgraça alheia,
a pleno conforto e com solidariedade asséptica.
A catarse do telespectador alheio a realidade,
transformada a cada click de botão.
Sem coragem de estender a mão e compartilhar,
ainda que único, um pedaço de pão velho e duro.
É mais fácil doar cinco reais pelo 0800-XXXXXXX5
Remove a culpa remotamente.
Haiti, hai de ti..., quase uma Ilha Grande.
E eu aqui escrevendo, sentado e também sem coragem...

[mlfb]

09 janeiro, 2010

O problema

é que as pessoas...são seres humanos.

31 dezembro, 2009

Acidente no percurso

Curva forte a esquerda,
No horizonte, em meio a escuridao noturna,
luzes vermelhas cintilam perfiladas na estrada.
Acidente camuflado pela nevoa.
Parada compulsoria no acostamento.
No sitio ficou um pedaco de bolo chocolate
e muito assunto para jogar conversa fora...
A instantes tinha a falsa sensacao de controlar:
velocidade, altitude, direcao, trajeto e limpador de para-brisa.
Agora parado e impotente, dependo da informacao boca a boca.
Tranco o carro e sigo buscando uma coerente justificativa.
Na aproximacao vislumbro o resgate dos "Anjos do Asfalto".
Fazem inveja a qualquer grupo de formigas ou abelhas.
Nao ha espaco para conversa desnecessaria.
Apenas a firme acao coordenada.
Como leoa famigerada, a morte se ocupa do provavel alimento.
Ferro retorcido e carne dilacerada estao simbioticamente mesclados na pista interditada com razao.
Quis fotografar, mas capitulei.
(nao era cena de filme americano de orcamento bilionario!)
Apenas duas fotos timidas e, sem vontade, perguntei se podia ajudar.
A leoa desiste, me fita de soslaio e ruge: Ate breve!!
Ja nao cabia mais, voltar ao sitio...
Um caminhoneiro manobra para retornar na estrada, sem hesitacao.
A conviccao dele me transforma em seu fiel seguidor.
Meia hora por estradas alternativas e trilhas barrentas.
O GPS a todo instante reprogramando a rota desobedecida.
Atras, uma fila de outros carros endossa e tambem nos segue.
Medos e vontades primordiais...
Finalmente voltamos ao liso asfalto na auto estrada.
Este tapete de material fossil que me embala,
e faz esquecer a real fragilidade da condicao humana.
Imprimo velocidade de risco sem medo da morte,
Coracao acelerado parece nao temer a volatilidade de ser.
A possibilidade de desaparecer para sempre...
Duas ambulancias, com os fragmentos humanos,
me ultrapassam e seguem fugindo na perseguicao.
A morte tambem passa, fora do limite de velocidade,
mas nao consegue vaga no hospital.
O plantonista garante que a mercadoria estragada pode ser reaproveitada, reciclada e colocada em uso novamente.
Deixo o carro na garagem e subo apressado para minha redoma de vidro, onde a poltrona me abraca enquanto ligo a TV.
Um minuto de alivio....falso...
Estou refeito e anestesiado pela minha vida viva.
Na lembranca, apenas o bolo de chocolate,
a cadela no cio e a macarronada de improviso.
Tudo ficou no sitio, sem acidente .

[mlfb]

21 dezembro, 2009

Momentos...

Sejam alegres ou tristes,
fáceis ou difíceis,
pesados ou leves,
São todos lúdicos e divertidos.
Truque da vida:
não deixar para rir só depois, no futuro...

[mlfb]

20 dezembro, 2009

Pendências...

Sem despedida, não existe partida.
Permanece presente, mesmo ausente.
Inseparável na mente, o elo permanente.
Relação pendente, na vida insistente.

[mlfb]

10 dezembro, 2009

Ausência Compulsória

Salto quântico para felicidade imaginada.
Ela exibe performance de acrobata da vida!
De súbito sou alijado e fico solitário.
A felicidade dela fica atrelada à ausência do outro.
Lamento, mas aguento.
Navego este hiato.
Legítimo de fato.

[mlfb]

08 dezembro, 2009

Mulheres...& loucura...

Tiroteio na faixa de Gaza...
Sem hesitar o dedo continua colado ao gatilho:
Chuva de reclamações, acusações e lamentações...
Prossegue sem piedade.
Ao fundo toca "Voce não soube me amar"...
- Vc é um louco insensivel !!
Foi a ultima coisa que ela disse antes de bater a porta ou o telefone (nem sei).
Enquanto sangrava lembrei de outra reclamação:
- Vc é um fissurado!!! Só pensa nisso!!
- Me deixa trabalhar, seu louco !!!
Fiquei em duvida se tenho multipla persolinalidade...louca!!

Me apego à matemática e fico com a intersecção das falas:
a loucura...
Depois utilizo análise estatística:
Sou medianamente louco, com função de distribuição normal, e desvio-padrão alto...

Refletindo melhor e com suspeita neutralidade, concluo:
"Tento conversar com quem quer namorar, e namorar com quem quer trabalhar !!!"
Se existe nome para esta enfermidade da psique deve ser PIRO:
percepção invertida da realidade do outro.
O diagnostico não alivia a dor da perda.
Permaneço entristecido.

Tento em vão desfazer o mal estar e procuro uma amiga (e vingativa ex-namorada), que dispara um tiro de misericórdia, corroborando as todas as reclamações.

Visitar uma exposição de Astronomia me deixa revigorado.
Saio consciente de que sou um ínfimo aglomerado de poeira estelar perambulando por um átimo de espaço-tempo.
Usando o encéfalo para reverter o processo de transformação de energia em massa.
No meu caso passa dos limites e se concentra no abdomen.

Na rua um casal, que não conheço, parece solidario à minha dor e me consola com um sorriso mecanico,
imitando a coreografada de vida feliz de comercial de TV.

Publiquei um anuncio no meu blog:
Procura-se Curso de Namoro...sem anseios à pos-graduação...rsrs

[mlfb]

23 novembro, 2009

Vinho ou Cerveja?

De um olhar de soslaio surge a conversa fiada.
Termina num efusivo abraço forte.
Inocente tentativa de apropriação clandestina.
O ar insinua potencial entrelaçamento.
Sem coragem, e congelado pela despedida, eu parto.
A chuva, que desmancha, me escorre pelas sarjetas e bueiros.
Apenas a sutil lembrança digital fica intacta,
perturbando minhas artérias quase cartezianas.

[mlfb]

22 novembro, 2009

Pássaros

Meus passarinhos da treva
voem baixo
respeitem meu cão doente
e minha alma que soluça
Meus passarinhos tenham dó
a dor é tanta
cantem não cantem.

[Francisco Alvim]
Fotos Balada Literária

20 novembro, 2009

Verdade inventada

"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível de fazer sentido.
Eu não: quero uma verdade inventada."
Clarice Lispector (1920-1977)

15 novembro, 2009

TEDxSao Paulo

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Acompanho o TED desde 2005.

A chegada do convite TEDxSP me deixa contente, ansioso e cheio de expectativas.
Na entrada, o credenciamento acontece pontualmente.
Ponto positivo!.

As recepcionistas me deixam à vontade e começo a perceber gradativamente, que não sou um solitário de ideias não ortodoxas e pensamentos esquisitos. Somos poucos, porém existimos!
Lentamente o ambiente vai sendo populado. Revejo e conheço pessoas criativas, inteligentes e divertidas: Kanitz, Anisio Campos, Mussarela, Helder, Paula, Fernanda, Ceregatti, Algarra, Ana Paula.
Quem perdeu, procure os vídeos na Internet. Vale a pena inclusive rever Paulo Saldiva, Fernanda Viegas, Francisca Matos, Silvio Meira, Luiz Algarra, Ana Paula Giorgi, Jarbas Agnelli, Owaldo Stella, Rannieri Oliveira...e outros.
Me surpreendo com a fala de Bruno (17 anos!!). Tenho a certeza que nem a existência de 1.000 Sarneys conseguirão sufocar a radical e contundente atitude social deste "moleque", que faz muito mais do que qualquer marmanjo.
Me sinto velho e impotente porque mesmo correndo, só consigo ficar atrás desta juventude "fazedora".
[mlfb]

12 novembro, 2009

Noticiário na TV

Dengosa pode ter vida curta e virar dengue em mulher mimosa.
Roma lidera o campeonato. (isso realmente mudou minha vida!!) E os gregos?!?!?!? Temos que controlar o vetor "Aedes aegypti".
A Copa do Mundo permeia por balas perdidas, e tenta esvanecer as más noticias no jornal da noite. Um colunista de TV finge uma entrevista programada, fazendo a multinacional parecer inofensiva.
Na imagem editada do hospital municipal, o médico diagnostica uma doença. Agrada ao paciente e a indústria farmacêutica. O governo sustenta o aposentado, que vai ao médico para saber onde aplicar sua pensão. Adquire convicto um medicamento desnecessário. Mas garante o retorno do dinheiro ao cofre público.
Os coreanos sulistas perseguem uma embarcação dos nortistas, alegando que a bússola defeituosa apontava na direção partidária incorreta.
A metamorfose da realidade vai ficando na memória e se traduz em história.
Um traficante dispara 5 tiros e mata só 3 pessoas. É condenado a 100 anos por ineficiência no uso de munição roubada. Isso obriga ao exercito aumentar orçamento destinado à reposição do poder de fogo.
A vida reduzida à repetitiva e incansável tarefa de extrair oxigênio do ar e nutrientes da terra, para fornecer energia ao aglomerado de proteína pensante. Lembremos, que pensar não passa de uma sequência familiar de sinapses. Que embora aleatórias, tem cadência conhecida.
Mineiro cardiopata agora "bebe quieto" leite sem colesterol.
O noticiário se repete como se tentasse autenticar a realidade.
Pré-sal não leva em conta o futuro e contabiliza lucro no presente.
A luz apagou. Continuo escrevendo na escuridão. Permanece a falta de luz no fim do túnel. Talvez seja melhor parar. Melhor sentir o escuro que nunca podemos observar.
Sempre enganados pela falsa claridade.

[mlfb]

02 novembro, 2009

Solitário

A solidão é por vezes tão insidiosa, que mesmo uma companhia agradável nos causa tremendo desassossego.

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FDS @ SP

Permeio árvores, que se infiltram a cada passo, dentro do parque estranhamente vazio de figurantes. A caminhada é interrompida por um duvidoso convite para almoço. Sem rumo seguimos para uma exposição , alteramos para um restaurante, depois erramos o caminho e terminamos o almoço ainda perdidos.
Ela não pode deixar o trabalho e nosso próximo encontro capitula. A noite outro hesitante convite. Me resguardo e assisto outro filme. (não quero ser coadjuvante, só aceito script de protagonista)
Na manhã seguinte vago pela rotina sabática. Uma ninfeta desvairada precisa assistir um filme engajado da mostra de cinema. Os personagens do filme pareciam mais presentes que a plateia.
Perambulo pela extensa avenida de vapor de sódio...encontro alguém sem duvidas. Tomamos café, conversamos sobre o espírito, mente, felicidade e sobre a vida. Num momento de extrema cumplicidade compramos DVD pirata dum filme que não resistiu a dez minutos na tela e já nos incitou a protagonizar entrelaçados nossa própria produção. Na cama o roteiro tem sempre o mesmo argumento e a historia se repete. Exaustos adormecemos sobre sonhos imaginados com cenas borradas por uma manha ensolarada.
A noite, uma torrente de mensagens intoxica, com palavras desencontradas, nossas paixões manufaturadas com sentimentos frios e verdadeiros.

[mlfb]

18 outubro, 2009

A paixão é um vício



Para ler a singular entrevista da Helen Fisher, que esclarece o mecanismo da paixão de forma absolutamente objetiva e simples, clique no diagrama acima.

13 outubro, 2009

Verdadeira...mente falsa

Na sala vazia resta apenas um copo semi-cheio ao lado de um pedaço de pizza mordido. Serviram para preencher o hiato de assunto que geralmente antecede a intimidade na alcova.
No quarto um "ménage a trois" com apenas duas pessoas...presentes.
Depois de muito suor, contorções, carícias, gemidos e encenações ela se levanta.
Vai embora acompanhada do ex-amante, cativo no pensamento e no coração.
Saciado, encarando o teto, eu represento apenas uma falsa tentativa de felicidade, que não consegue imitar a intimidade confortável da relação anterior.
Hedonismo imediatista contemporâneo.
A falta de espaço para aprender homeopaticamente o outro.
Nos frustra, e despedaça a vida implacavelmente.
Cada um segue seu destino.
Com muita cota de felicidade para cumprir.
Num famigerado processo seletivo,
que qualifica o próximo substituto para o posto vago.

Saudade de sentir um pouco de felicidade,
ainda que impiedosamente falsa.

[mlfb]

08 outubro, 2009

Separação ambígua

Sem dúvida: era mentira!
Daquelas que a gente jura verdadeira.
O desejo dela era separar.
A atitude era de continuar.
Os dois sem motivo.
Hesitante em fluir uma vida
assenhorada pela paixão.
Entretanto, aceita se debater
no turbilhão da razão, sem sentido.
Economizando beijos clandestinos.
Com escassez de abraços sufocantes.
E abstinência de gemidos sexuais.

Processos metabólicos deficientes,
Repetidos a esmo...
Propiciando uma tola existência mecânica.

Preferimos viver atormentados,
passando uma procuração de vida,
a quem possa se interessar.
Arriscando juntos,
porém separados....

[mlfb]

05 outubro, 2009

Quero

Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

Carlos Drummond de Andrade

24 setembro, 2009

Orgia e agito na feliz c idade

Sexta-feira, tarde nublada. Impaciente, na fila, aguardo no balcão de atendimento.
Descabida demora me irrita violenta-a-mente...
Todos na fila estão perplexos com a demora.
Pelo burburinho, parece haver uma confusão.

A atendente solicita reforço para o expert do estoque.
O motivo é um casal preparando descaradamente uma orgia no sítio durante o final de semana. Ela com olhar de travessura juvenil sussurra e compartilha indecisões a cada escolha de compra. Ele decidido replica com convicção, cumprindo o papel de provedor da verdade. A cada resposta, o malicioso sorriso de cumplicidade toma conta do ambiente, aumentando sem motivo o tempo para atender a fila, que só aumenta.
A atendente participa do
ménage à trois fazendo intervenções inusitadas. Enquanto ela compra anal-gésico, anti-alérgico e anti-depressivo, alguem na fila resmunga para saber se na sacola tem vaso dilatador e preservativo. Finalmente a lista de compras chega ao fim. Solicitam desconto, como na feira comprando tomates. Pagam no caixa e de mãos entrelaçadas, seguem até o carro entulhado de cacarecos para decorar a parede vazia do sítio.
Imagino a orgia regada com medicamentos e agasalhos de frio...
Parece muito com o jovem casal, que agora a pouco no supermercado,
se beijava lascivamente na fila com uma garrafa de rum e um punhado de petisco barato, numa clara antecipação da noite devassa.
- Hum! Hummmm!

Chega a minha vez, e o farmacêutico pergunta: -- Pois não! Posso ajudar? Constrangido e contaminado pela inercia do meu pensamento, tenho coragem apenas de pedir um inofensivo spray de própolis. Escondo a prescrição médica para hipertensão, no bolso. Sorrio e agradeço com cortesia, dissimulando a dura sensação de envelhecer. Chego em casa febril, mas com ar de vitorioso. Motivado; parto em busca da próxima transgressão que me fará sentir mais jovem. Dormir sem escovar os dentes! Absolutamente inusitado!!! Na manha seguinte, acordo implacavelmente um dia mais velho. Mesmo tendo ido dormir mais jovem...

11 setembro, 2009

Febre? Gripe Suína?

Calor imenso, suando de umedecer a camisa.
Logo em seguida calafrios, temores e tremores.
Será que a "suína" me pegou?
Fico atônito e penso no meu velório.

Quem viria? Os amigos?
Os inimigos para certificar a morte sem direito a ressurreição.
Acho difícil tanta gente, com esse trânsito engarrafado.
Melhor fazer uma transmissão ao vivo pela Web.
Mas quem vai segurar a câmera do celular?
É preciso deixar a configuração do wi-fi escrita em algum lugar...
Tem que ser um site aberto, sem senhas e cadastro,
Quem sabe ganho meus quinze minutos de fama.
Que musica tocar durante a cerimonia funerária?
A nona de Beethoven, Carmen de Bizet, Akhnaten do Philip Glass?
Talvez um rock orquestrado (muito cafona!).
Tem que ter valsa para lembrar Strauss, Kubrick, 2001 uma Odisséia...
Será que minha influencia comporta um rasante da caças da força aérea?
(espero que já tenham chegados os F-18 gratuitos do Lula)
Com quem ficarão os livros empoeirados na estante.
Os de Fernando Pessoa e da Clarice Lispector.
Os "cronópios e famas" do Cortazar.
Páginas lidas, anotadas, apenas folheadas, decoradas, não entendidas e não lidas.
Cada uma me enchendo de inútil conhecimento gratuito.
E as fotos espalhadas nas gavetas da escrivaninha, quem saberá ordená-las?
Os blogs, o site, facebooks, twitters e outros tantos espaços virtuais.....
Os vídeos, as fotos e os textos sem continuidade.
Não posso esquecer de programar o e-mail de resposta automática:
"Não poderei responder seu e-mail pois acabo de falecer, assuntos urgentes favor contatar meu advogado.
Para envio de pêsames utilize o seguinte endereço: jahera_mlbelem@crematório.com.br"
Os menos céticos e inconformados com a situação, favor procurar no Google:
"como se comunicar com pessoas já cremadas -cartomante -informante -despachante".

A maior preocupação é com a disseminação das minhas idéias anômalas...
Quem irá preservá-las ou divulgá-las? Ninguém, pois todos me acham louco de pedrisco.
A teoria do cérebro, da mulher , o exemplo da relatividade, a analogia do teorema da divergência.
Mecânica Quântica, Teoria de Cordas & Processos Estocásticos....
Por fim meu prazer em dirigir, velejar, pilotar...isto não tem como repassar...desaparecem comigo.
E as prestações pagas, impostos sonegados, carnês liquidados,
multas e condomínios depositados.
Seria possível transforma-los em crédito pós-óbito e terceirizar a morte?

Ao fim de tudo eu creio que desapareço junto comigo...

Melhor tomar um antibiótico e garantir o futuro esperado que não vem,
Acordado, dopado pelo turbilhão de ocupações sem importância,
que me asseguram a falsa impressão de ser humano.

09 setembro, 2009

Bate Papo

Tem sopa lá em casa.
Tem café na cafeteria.
Tem carinho na minha mão.
Tem história na minha vida.
Tem vontade no meu não querer.
Tem sedução na minha cabeça.
Tem conversa chata na sua boca.
Tem receio no meu desejo.
Tem bunda gostosa na sua calça.
Tem beijo de língua na sua boca.
Tem seu sexo no meu sexo.
Tem um amanhã na minha vida.
Tem um emaranhado em nossas vidas.
Ter alguem sem ter ninguém.

05 setembro, 2009

Armadilhas, Chopps & Beijos

Final de tarde da sexta-feira,
Transito emaranhado,
Pensamento parado,
Pareço sentado,
Acompanhado,
Chopp gelado,
Coração quente,
Bocas molhadas,
Vidas entrelaçadas,
Beijos guardados,
Armadilhas posicionadas,
Corpos sedentos,
+1 chopp gelado,
a conta,
me conta,
confusa,
intrusa,
me usa.
abusa.
medusa,
me seduza.

04 setembro, 2009

Jantar no Escuro

Olhos vendados, sentidos expandidos...

As cicerones são jovens meigas e psicólogas.
O ambiente à meia-luz de velas.
Num piscar de olhos estou vendado.
Caminhamos a trilha da experiencia cerebral
atravessando a gastronomia de forma libidinosa.
Os sentidos ativos são ampliados pela ausência da visão.
Começamos o experimento gastronômico-cerebral
Atento a cada movimento, me sinto Dr. Bill em "Eyes Wide Shut" do Kubrick
Aprecio atentamente cada movimento do ar.
Quase invejo a sensação de estar cego.
Ao fundo as cordas de um violão vibram em contraponto à mudez da orgia gastronômica, que nos imobiliza a espreita da próxima iguaria.
Com voz suave garçonetes também nos embriagam com textos "ao ponto" da Clarice Lispector.
Pelas entranhas do universo gastronômico vamos saboreando o desconhecido.
Enfim saciados. Somo desvendados.
Pareceu um mergulho noturno em mar calmo, sem lanterna, sem cilindro e sem neoprene.
Vou repetir o experimento, adaptado de forma lasciva e sensual.
Quer tentar?

+info: www.noescurogastronomia.com.br

01 setembro, 2009

AutoStereograma


veja o tubarão nadando em 3D
(fixe o foco do seu olhar a 15cm atras da tela)

19 agosto, 2009

...

Acredito que penso, logo imagino que existo.

17 agosto, 2009

Horário de Almoço

- O almoço está servido!!
Risoto de cotidiano familiar.
Fartura à mesa: filhos, serviçais e a próxima aquisição a prazo.
Resgato minha sensação de refeição em família.
Experimentamos a salada leve e saborosa.
Nossas bocas se enchem de conversa entre uma garfada e outra.
Permeando ludicamente o ritual de alimentação.

Na cozinha claustrofóbica, nossos corpos se roçam.
Emaranhados entre a libido e o suco gástrico.
As vestes arrancadas, fazem emergir os conteúdos camuflados...
Gestos delicados transformam gente fustigada em pessoas saciadas.
Nos afogamos na fome de viver tudo...

O telefone toca.
Do outro lado da linha, alguem vendendo um pouco de felicidade parcelada.
Eu exclamo:
- tem paciência !?!?...

09 agosto, 2009

Auto Conhecimento

Fim de semana chegou.

Uma exposição de esculturas preenche minha tarde de sábado no parque...
Talvez um pretexto plausível para interromper a caminhada entediante.
O acervo me surpreende, me sinto absolutamente a vontade...
As esculturas do Grupo ETSEDRON me inebriam...
Poderia ser uma delas como parte da intervenção.
Enquanto observo e divago, me confundo com a obra.
O cosmo abstrato é um reduto menos ofensivo que o mundo lá fora.

No dia seguinte outra exposição, desta vez científica.
Sobre uma espécie de geleia em formato de couve.
Pesando mil e quatrocentas gramas, geralmente protegida por um capacete de cálcio.
Fico frente a frente com o orgão que nos escraviza.
Dissecado, estudado, e mapeado por séculos.
No fundo não passa de uma torrente elétrica que centelha sinapses sem parar.
Movimenta esta mão e produz um emaranhado que será decodificado por outro cérebro.
Vontade de uma mente visitar outra.
Sinto que teria que me dissecar para conhecer os mistérios dos meus neurônios...

Entretanto meu instinto de auto-preservação me protege desta autopsia.
Ironicamente meus neurônios aprendem a conviver com esta frustração.